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Wednesday, October 21, 2026

Petróleo impulsiona exportações e leva comércio Brasil-China a recorde

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China, terra do meio

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O comércio entre Brasil e China bateu recorde nos nove primeiros meses de 2026 e chegou a US$143 bilhões (R$716,36 bilhões). Os dados são do relatório trimestral do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), divulgado na semana passada.

As vendas foram impulsionadas pelo petróleo brasileiro. As exportações do óleo para os chineses subiram 49%, para US$21,8 bilhões (R$109,2 bilhões). A China comprou a metade de todo o petróleo que o Brasil exporta.

O fechamento do estreito de Hormuz pelo Irã depois que EUA e Israel começaram a atacar o país explica o apetite chinês. Pela passagem circulava mais da metade do petróleo que a China importa por mar.

O petróleo já responde por 1/4 das vendas brasileiras à China. Só perde para a soja em relevância. O Rio de Janeiro lidera o óleo embarcado e, assim, virou o estado que mais exporta para o país asiático.

Os dados do terceiro trimestre, no entanto, mostram perda de fôlego. Desde o acordo entre Washington e Teerã em junho, os embarques do Golfo sem contar o Irã voltaram a mais de 81% do nível de antes da guerra, ainda que ataques iranianos a petroleiros tenham se intensificado neste mês.

Do outro lado da balança, a carne bovina mostra quanto a boa fase depende das regras de Pequim. Depois que o Brasil preencheu a cota anual fixada por uma salvaguarda chinesa, os embarques acima do limite passaram a pagar sobretaxa de 55% neste mês. Em setembro, a China caiu para o quinto lugar entre os compradores da carne brasileira.

Por que importa: O salto do petróleo responde a uma emergência no Golfo e não aparece no planejamento energético chinês, que segue apoiado na Rússia, Oriente Médio e dutos da Ásia Central. Se Hormuz voltar à normalidade, as refinarias chinesas tendem a retomar o óleo mais barato e mais próximo.

O Brasil, então, sairá do ciclo com uma pauta ainda mais concentrada em soja e petróleo, dois produtos cujo acesso ao mercado Pequim consegue apertar quando quer, como a salvaguarda da carne acaba de mostrar.

pare para ver

"Ao longo do rio durante o Dia de Varredura de Tumbas", de Zhang Zeduan (século 12). Pintor da corte Song, Zhang é conhecido quase só por esta obra, um rolo de mais de cinco metros. É uma das pinturas mais célebres da China e retrata em detalhe a vida comercial da capital Kaifeng. Saiba mais.

o que também importa

★ A China e a Coreia do Norte inauguraram na quinta a Nova Ponte do Rio Yalu. Ela liga a cidade chinesa de Dandong a Sinuiju, do lado norte-coreano. A obra de quatro faixas e cerca de 3 km custou US$ 310 milhões (R$ 1,55 bilhões) a Pequim e estava pronta desde 2014, mas ficou parada porque Pyongyang não concluiu os prédios de alfândega e controle de fronteira. Até agora, a principal ligação entre os dois países era a velha Ponte da Amizade, de pista única e em uso desde 1943.

★ Pequim quer incluir 40 tecnologias em sua lista de exportações proibidas ou restritas. Dessas, 23 são ligadas à inteligência artificial. A proposta dos ministérios do Comércio e da Ciência alcança grandes modelos de linguagem, agentes, projetos de chips e clusters de computação. Pela primeira vez, os pesos dos modelos (os parâmetros que resultam do treinamento) e o código-fonte entram no controle. Rodar um modelo coberto em servidores no exterior passaria a contar como exportação. A consulta pública vai até 15 de novembro, mas um registro obrigatório antes de exportar já está em vigor.

★ As importações de carne de aves de Santa Catarina pelos chineses serão suspensas. A medida é implementada após a identificação de um foco da doença de Newcastle numa granja de perus no oeste do estado. Ela atinge 14 dos 61 frigoríficos brasileiros habilitados a vender para o país asiático. De janeiro a setembro, os chineses compraram cerca de 420 mil toneladas, o equivalente a 10% das exportações brasileiras do produto. Num caso parecido em 2024, no Rio Grande do Sul, Pequim levou 17 meses para retirar a restrição ao estado.

fique de olho

Começa na semana que vem, a partir do dia 26, o quinto plenário do Comitê Central do Partido Comunista Chinês. Cerca de 300 membros titulares e suplentes do órgão devem ter um encontro fechado que costuma definir as prioridades do partido.

Diferentemente da reunião de outubro de 2025, que aprovou as diretrizes do novo Plano Quinquenal, desta vez o tema não é a economia. O Politburo aprovou um documento sobre a "governança plena e rigorosa do partido", expressão oficial que reúne combate à corrupção, disciplina interna e lealdade política, e o texto será votado pelo plenário.

O encontro também deve ratificar várias expulsões dos últimos meses, entre elas a de Zhang Youxia, que era o militar mais graduado do país, e a de Ma Xingrui, ex-integrante do Politburo. Os lugares abertos no Comitê Central devem ser preenchidos por suplentes.

Por que importa: Este é o último plenário antes do Congresso do Partido de 2027, quando Xi Jinping deve iniciar um quarto mandato. Ao dedicar a reunião à disciplina, o líder chinês transforma o expurgo dos últimos anos em norma escrita às vésperas da troca de cúpula e reduz o espaço para que surja um sucessor com base própria.

para ir a fundo

Quer entender melhor as dinâmicas internas do Partido Comunista? Vale a pena então ler "The Party's Interests Come First" (Os Interesses do Partido Vêm Primeiro, em tradução livre), obra do professor Joseph Torigian, considerada a primeira biografia de Xi Zhongxun, pai de Xi Jinping, e que mostra como a trajetória do pai moldou a visão do atual líder acerca da legenda.

O Cine Humberto Mauro em Belo Horizonte está exibindo até sábado (24) um festival de produções chinesas. Com o nome "Ciclo China em Perspectiva", a mostra reúne documentários, curtas e até uma série. As entradas são gratuitas, mas exigem retirada de ingressos neste link.

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