Spotify lança função para pais tirarem músicas infantis da retrospectiva de fim de ano

Nova configuração global evita que sucessos de “Bluey” e da “Galinha Pintadinha” distorçam o histórico musical de adultos; recurso já está disponível para contas Free e Premium
Kadu Soares (@kadusoares__)
Quem tem criança pequena em casa sabe: basta tocar uma playlist infantil para, no fim do ano, o Spotify Wrapped aparecer dominado por músicas de “Bluey“, da “Galinha Pintadinha” e por trilhas de animações. Para contornar isso, a plataforma anunciou nesta semana uma configuração que permite excluir faixas infantis e conteúdos familiares do histórico usado para personalizar recomendações e montar o Wrapped. O recurso foi lançado globalmente no início de setembro e já está disponível para usuários Free e Premium.
Com a opção ativada, a pessoa continua podendo buscar, ouvir e criar listas de reprodução com músicas infantis — mas essas reproduções deixam de influenciar o algoritmo de recomendações e o Wrapped. Na prática, ferramentas como Descoberta da Semana, Mix Diário e o resumo anual passam a refletir apenas o gosto musical do titular da conta, e não o que toca para as crianças que eventualmente usam o mesmo perfil. O Spotify também afirma que a função é retroativa: músicas infantis reproduzidas no passado deixam de entrar na contagem.
A categoria de “músicas infantis e familiares”, segundo o Spotify, é ampla. Ela inclui trilhas de filmes para a família (animações e produções com atores), temas de programas infantis, músicas de personagens e marcas de entretenimento familiar, versões infantis de sucessos, canções de ninar, faixas educativas e de atividades, além de paródias voltadas ao público familiar. Em resumo: tudo o que costuma ficar em repetição na casa de quem tem criança pequena.
O lançamento acontece em um momento mais turbulento para a empresa. Em agosto, o Spotify anunciou um sistema para identificar músicas geradas por inteligência artificial — mas também fechou um acordo com a Universal Music Group que permite que fãs recriem músicas com inteligência artificial, o que gerou críticas de artistas como Lorde. Bandas como Massive Attack, King Gizzard & The Lizard Wizard e Sabres of Paradise chegaram a retirar suas músicas da plataforma em protesto contra os investimentos do ex-CEO Daniel Ek em tecnologia militar. Ek anunciou sua saída da liderança em setembro de 2025 e deixou o cargo em 1º de janeiro de 2026, sendo substituído pelos copresidentes Alex Norström e Gustav Söderström.
A nova configuração faz parte de um movimento mais amplo do Spotify para dar mais controle às pessoas usuárias sobre o tratamento de seus dados de escuta. A empresa descreveu o recurso como “mais um passo nos esforços contínuos para dar a pais e responsáveis mais controle sobre como eles e seus filhos ouvem música”.
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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
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