"Há muito tempo que Espanha precisa de eleições antecipadas"

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Para analisar esta decisão do Pedro Sánchez, comunicada na última hora, junta-se a nós neste jornal Diogo Noivo, é politólogo, é especialista em assuntos relacionados com a Espanha. Diogo, bem-vindo a este jornal. Já era uma decisão antecipada, já se falava nos últimos dias que Pedro Sánchez podia mesmo tomar esta decisão. Podemos dizer que não tinha alternativa nesta fase, Pedro Sánchez?
Olá, bom dia. Já há muito tempo, mais de um ano, na verdade, que se fala em eleições antecipadas. Espanha vai para o quarto ano sem orçamento de Estado. A maioria que levou Pedro Sánchez ao poder apenas serviu para isso, o Parlamento não funciona, o pouco que Pedro Sánchez governa, governa por decreto e portanto há muito que Espanha precisa de eleições antecipadas. Pedro Sánchez tem, contudo, um problema, que o eleitorado de esquerda não está mobilizado. Nos últimos anos, Sánchez tem tentado vários temas para acender as paixões do eleitorado de esquerda e levá-los às urnas, mas esses temas, como por exemplo, o não à guerra no Irão e o confronto com o Trump, não têm funcionado para mobilizar o eleitorado de esquerda. Sánchez está agora convencido que este tema da habitação, que a crise da habitação será por fim o assunto capaz de retirar os eleitores de esquerda de uma certa letargia e conseguir algum apoio ao Partido Socialista, embora é discutível que isso vá funcionar ou pelo menos que permita ao PSOE ganhar eleições, duvido muito, mas de facto, olhando para o que têm sido os últimos anos, os casos de corrupção, Parlamento bloqueado, país quatro anos sem orçamento de Estado, Pedro Sánchez estava à procura do melhor momento e do melhor assunto para ir a eleições e parece acreditar que a habitação é de facto, ou dá-lhe pelo menos essa base para se poder apresentar em eleições de maneira menos má.
Ou seja, Diogo Noivo, para perceber, ao convocar eleições neste momento, Pedro Sánchez, e como lhe dizia, Diogo, já podia ter feito isto várias vezes, houve vários momentos de crise, ao escolher fazer neste momento, as eleições seriam no próximo ano, Pedro Sánchez está a tentar cavalgar aqui uma onda que lhe possa colocar a campanha eleitoral centrada num tema mais favorável às políticas de esquerda nesta fase, ou com mais apoio da população a políticas de esquerda do que, por exemplo, teria noutras fases e que se provavelmente adiasse estas eleições, poderia ter uma campanha mais centrada, por exemplo, em políticas de imigração, com os casos de Ceuta ou com a política de Espanha a nível internacional, com os conflitos em que a Espanha tem tomado posição?
É exatamente isso. Pedro Sánchez não quer falar de Ceuta, porque Ceuta correu francamente mal, não quer falar de corrupção, porque o seu partido, o seu governo e a sua família estão soterrados em casos de corrupção, não quer falar de um Parlamento que não funciona, não quer falar de um país há quatro anos sem orçamento de Estado e portanto precisava de mudar de assunto. Anda à procura desse assunto há muito tempo. O confronto com Donald Trump sobre a guerra no Irão não foi outra coisa senão uma tentativa de mudar de assunto e de instigar o eleitorado de esquerda. Bom, ele depois foi a eleições regionais e não conseguiu ter bons resultados, aliás, teve derrotas históricas. Portanto, Pedro Sánchez anda há muito tempo à procura de um tema que lhe permita mudar de assunto e entusiasmar os votantes de esquerda. Aparentemente é isto, é a habitação. Daí Pedro Sánchez ter marcado eleições para o primeiro momento possível, que será agora no dia 29.
De novembro.
Já próximo. Exatamente. E portanto, Sánchez está claramente a tentar cavalgar esta onda de protesto com a crise da habitação tanto quanto possível.
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