Milhares protestam na Colômbia contra governo de Abelardo de la Espriella
Milhares de pessoas marcharam nesta quarta-feira (14) nas principais cidades da Colômbia contra o governo de Abelardo de la Espriella, apenas dois meses após o presidente de direita ter assumido o poder.
Convocados pela oposição liderada pelo ex-presidente esquerdista Gustavo Petro, sindicatos, comunidades indígenas, estudantes e feministas se manifestaram com cantos e slogans como "vai cair!", em alusão ao governo.
"Sinto-me em perigo, nossos direitos estão em risco. Tudo pelo que lutamos durante tanto tempo está hoje em risco", disse à AFP Unzo Vargas, 44, que protestou em Bogotá com a bandeira arco-íris, que representa a comunidade LGBTQIA+.
Espriella enterrou a política de paz de seu antecessor e trava, com o apoio dos Estados Unidos, uma batalha frontal contra os grupos armados que se financiam com o tráfico de drogas. Essas organizações se fortaleceram após o acordo de paz que levou ao desarmamento das Farc em 2016, na época a guerrilha mais poderosa do continente.
O governo critica esse acordo por considerar que foi indulgente com guerrilheiros acusados de crimes atrozes, que receberam penas alternativas à prisão por confessarem seus crimes.
A oposição também vê ameaçadas as conquistas trabalhistas alcançadas pelo governo de Petro, o primeiro presidente de esquerda da Colômbia, como o maior aumento do salário mínimo em décadas. O ex-presidente também ampliou o acesso gratuito à universidade pública e concedeu benefícios adicionais, como o pagamento extra por horas noturnas.
"O pouco que conquistamos estamos prestes a perder", disse Ester Guerra, uma professora de 32 anos. Em Bogotá, Medellín, Cali e outras cidades, os protestos terminaram de forma pacífica. Em Ibagué (centro-oeste), tropas de choque dispersaram as marchas com gás lacrimogêneo.
Entre outras preocupações, os manifestantes rejeitam o restabelecimento das relações diplomáticas com Israel —rompidas durante o mandato de Petro— e as aproximações com o governo de Donald Trump, que consideram um risco à soberania.
"Estou com raiva, me sinto ofendida, não merecemos isso, ele [Espriella] só quer entregar o país aos Estados Unidos, a Israel. Sinto que tempos sombrios estão por vir", disse a estudante Jimena Rodríguez, 20.
Os manifestantes hastearam bandeiras palestinas e queimaram uma grande bandeira americana em Bogotá. Petro participou do protesto na capital, mas não fez declarações. Mais cedo, também participou da marcha o senador de esquerda Iván Cepeda, que perdeu as eleições presidenciais para Espriella por menos de um ponto percentual.
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A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo
Os manifestantes mostraram-se temerosos de uma possível repressão, depois que Espriella flexibilizou, por meio de decreto, o uso da força em caso de danos ou bloqueios de vias. Segundo o presidente, a medida lhe permite "combater o terrorismo urbano disfarçado de protesto".
"Eles tentam aterrorizar a população para que ela não saia para protestar, mas isso está na Constituição" como um direito, opinou o professor Óscar Pérez, 40.
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