Drones feitos em Portugal: startup vira unicórnio de US$ 6,4 bilhões e quer comprar rivais
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A Tekever, empresa portuguesa de drones de vigilância, fechou a primeira etapa de uma rodada que pode chegar a US$ 580 milhões e avalia a companhia em US$ 6,4 bilhões. Segundo o CEO Ricardo Mendes, parte do dinheiro será usada para comprar outras empresas de tecnologia de defesa, em um mercado impulsionado pelo aumento dos investimentos militares na Europa. A companhia, que emprega mais de 1.500 pessoas, também mantém operações na Ucrânia e acaba de ser escolhida pelo Reino Unido para fornecer drones em um contrato que pode chegar a £400 milhões.
A Tekever, empresa portuguesa que fabrica drones de vigilância — aeronaves não tripuladas usadas para monitorar territórios e conflitos —, está caçando outras empresas para comprar. A companhia acaba de fechar a primeira etapa de uma rodada de investimento que deve chegar a US$ 580 milhões, avaliando o negócio em US$ 6,4 bilhões.
"A captação foi desenhada exatamente para sustentar esse crescimento, não só de forma orgânica, desenvolvendo tecnologia própria, mas também por meio de aquisições", disse o CEO Ricardo Mendes à Bloomberg Television. Segundo ele, o mercado de tecnologia de defesa deve passar por uma "consolidação tremenda" nos próximos anos — ou seja, empresas menores tendem a ser compradas por players maiores, num setor que está crescendo rápido demais para todo mundo seguir sozinho.
A rodada foi liderada pela UC Investments, braço de investimentos da Universidade da Califórnia, e pela gestora britânica Baillie Gifford, investidora antiga da empresa. A Merlyn Advisors entrou como nova investidora estratégica, enquanto Crescent Cove, Ventura Capital e Iberis Capital mantiveram aporte. A Tekever ainda espera captar mais dinheiro nos próximos meses dentro da mesma rodada — o valor final pode crescer.

Drone de vigilância desenvolvido pela startup portuguesa Tekever. (Reprodução)
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O movimento da Tekever não é isolado. A guerra da Rússia contra a Ucrânia, somada a dúvidas sobre o comprometimento dos Estados Unidos com a Otan (a aliança militar que reúne países da Europa e América do Norte), fez a Europa disparar os investimentos em defesa — e o dinheiro está indo, em boa parte, para empresas de drones.
Só nas últimas semanas: a britânica Uforce negocia uma rodada avaliando-a em cerca de US$ 5 bilhões; a alemã Helsing captou US$ 1,8 bilhão em julho, com apoio do banco Goldman Sachs; e a Quantum Systems, também alemã, mais que dobrou de valor no mesmo mês, levantando US$ 1,2 bilhão.
É um padrão que a EXAME já vinha flagrando em outros países europeus: na Finlândia, o medo da guerra criou um cenário próspero para startups de defesa, com o faturamento do setor saltando de cerca de € 300 milhões em 2007 para mais de € 9 bilhões em 2021 — bem antes mesmo do pico atual de investimento puxado pelo conflito na Ucrânia.
Em 2026, todo o setor europeu de defesa, pode ultrapassar €30 bilhões em investimentos.
Vigilância pelo céu
Fundada em Lisboa em 2001, a Tekever hoje emprega mais de 1.500 pessoas e desenvolve sistemas autônomos usando inteligência artificial, software e tecnologia de comunicação — na prática, drones que voam e coletam informação sozinhos, sem um piloto controlando cada movimento manualmente.
A empresa está ativa na Ucrânia desde a invasão russa em larga escala, em 2022, fornecendo tecnologia de monitoramento ao país. Segundo Mendes, a expansão inclui novas linhas de produto e infraestrutura em países como Reino Unido e França, usando a operação já existente como plataforma para lançar no mercado as tecnologias e empresas que vier a comprar.
A captação chega logo depois de a Tekever ser escolhida pelo Ministério da Defesa do Reino Unido para fornecer drones de vigilância num contrato que pode valer até £400 milhões (cerca de US$ 532 milhões) ao longo de dez anos — mais uma prova de que o dinheiro que está entrando na empresa vem, em boa parte, de contratos militares reais, não apenas de aposta especulativa de investidor.
Perguntas frequentes
O que é a Tekever? +
A Tekever é uma empresa portuguesa fundada em Lisboa em 2001 que desenvolve drones de vigilância e sistemas autônomos usando inteligência artificial, software e tecnologia de comunicação. A companhia emprega mais de 1.500 pessoas.
Quanto vale a Tekever? +
A empresa está avaliada em US$ 6,4 bilhões após a primeira etapa de uma rodada de investimento que deve chegar a US$ 580 milhões.
Para que a Tekever pretende usar o dinheiro da rodada? +
Segundo o CEO Ricardo Mendes, os recursos serão usados tanto para crescimento orgânico, com desenvolvimento de tecnologia própria, quanto para aquisições de outras empresas. A companhia prevê uma consolidação significativa no mercado de tecnologia de defesa nos próximos anos.
Quem investiu na Tekever? +
A rodada foi liderada pela UC Investments, braço de investimentos da Universidade da Califórnia, e pela gestora britânica Baillie Gifford. A Merlyn Advisors entrou como nova investidora estratégica, enquanto Crescent Cove, Ventura Capital e Iberis Capital mantiveram seus aportes.
Por que o mercado de drones de defesa está crescendo? +
Segundo o texto, o aumento dos investimentos europeus em defesa foi impulsionado pela guerra da Rússia contra a Ucrânia e por dúvidas sobre o comprometimento dos Estados Unidos com a Otan. Empresas de drones estão entre as beneficiadas por esse movimento.
A Tekever atua na Ucrânia? +
Sim. A empresa está ativa na Ucrânia desde a invasão russa em larga escala, em 2022, fornecendo tecnologia de monitoramento ao país.
Qual contrato a Tekever fechou com o Reino Unido? +
A Tekever foi escolhida pelo Ministério da Defesa do Reino Unido para fornecer drones de vigilância em um contrato que pode valer até £400 milhões, cerca de US$ 532 milhões, ao longo de dez anos.
Quais são os planos de expansão da Tekever? +
Segundo o CEO Ricardo Mendes, a empresa pretende ampliar suas linhas de produto e infraestrutura em países como Reino Unido e França, além de usar sua operação existente como plataforma para lançar tecnologias e empresas que vier a adquirir.
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