'Decisão do Gilmar sobre Renan é boa, mas em momento ruim', diz professor

O professor afirma que a discussão sobre os critérios usados pelas emissoras - e aceitos pela Justiça Eleitoral até aqui - é legítima, mas lembra que pedidos semelhantes de partidos menores já foram rejeitados em série em eleições anteriores.
Isso nunca foi aceito até então pela Justiça Eleitoral. Não foi um, não foram cinco, não foram cinquenta casos em que pessoas de partidos menores que não tinham direito a participar tentaram na Justiça uma liminar e não conseguiram.
Fernando Neisser
Na avaliação de Neisser, o problema não ficou restrito ao mérito. Ele diz que a estratégia de levar o tema ao Judiciário "em cima da hora" ajudou a produzir um efeito disruptivo às vésperas da eleição.
Essa construção ser feita só agora é o que acho que causa, talvez, um dos eventos de maior impacto que a gente viu em vésperas de eleições nos últimos anos no Brasil. O cancelamento do último debate é um evento disruptivo e acho que se deve menos à interpretação que foi dada pelo ministro e mais pela forma, pela estratégia, como isso foi levado ao Judiciário com o intuito de criar exatamente esse evento.
Fernando Neisser
O professor também aponta que decisões do Supremo contrariando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o processo eleitoral são mais raras e avalia que o episódio expõe uma crise interna no STF, com grupos "explicitamente definidos" em disputa.
O Supremo Tribunal Federal dar decisões contrárias ao TSE no meio do processo eleitoral é algo mais raro. O que a gente vê é essa crise do Supremo, porque a crise não está entre os membros do TSE que não são ministros do Supremo. Ela está entre os membros do TSE que são ministros do Supremo e os outros membros do Supremo.
Fernando Neisser
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