7 destinos para viajar atrás de arte longe do circuito óbvio
Quem monta uma viagem em torno da arte costuma partir das mesmas capitais, com filas no Louvre e hotéis lotados durante a Bienal de Veneza. Existe, porém, um circuito paralelo formado por povoados, ilhas e cidades fora do eixo tradicional, onde museus ocupam antigos matadouros e hospitais e bienais transformam bairros inteiros em área expositiva. A seleção abaixo reúne sete desses endereços, com a programação atualizada para os próximos meses.
1. Ilha do Ferro, Brasil

Parede de bar no sertão alagoano reúne peças de artistas da Ilha do Ferro, placas antigas e objetos garimpados (Reprodução/Instagram/@_ilhadoferro)
A cerca de 266 quilômetros de Maceió, no sertão alagoano, o povoado do município de Pão de Açúcar fica à margem do Rio São Francisco, tem perto de 500 moradores e, apesar do nome, não é uma ilha. A fama veio com Fernando Rodrigues dos Santos (1928-2009), o Seu Fernando, que transformava troncos e raízes da caatinga em bancos e cadeiras, foi reconhecido como Patrimônio Vivo de Alagoas e ganhou em 2021 uma exposição na Galeria Estação, em São Paulo.
O legado segue com filhos e aprendizes que mantêm ateliês nos quintais de casa. Criado em 2017 pela Universidade Estadual de Alagoas, o Espaço de Memória Artesão Fernando Rodrigues dos Santos conta essa história, enquanto as bordadeiras da cooperativa Art-Ilha produzem desde 1998 o bordado boa-noite.
2. Bogotá, Colômbia

Bogotá: loja de artesanato em La Candelaria, bairro histórico onde fica o Museo Botero (Pexels)
A capital colombiana encerrou em setembro a 22ª edição da ARTBO, que reuniu 50 galerias de 20 cidades e 22 mil visitantes no centro de convenções Ágora Bogotá, com a próxima edição marcada para 23 a 26 de setembro de 2027. No bairro histórico de La Candelaria, o Museo Botero ocupa desde 2000 um casarão colonial e exibe as 208 obras doadas pelo artista ao Banco de la República, 123 de sua autoria e 85 de nomes como Picasso, Monet e Dalí. A entrada é gratuita.
3. Naoshima, Japão

Parte desde o fim dos anos 1980 do Benesse Art Site Naoshima, rede de museus espalhada por ilhas do Mar Interior de Seto, a ilha ganhou em 31 de maio de 2025 o Naoshima New Museum of Art, dedicado a artistas do Japão e de outros países asiáticos. O prédio é o décimo projeto de Tadao Ando para o complexo, e a mostra inaugural reuniu doze artistas e coletivos de países como China, Coreia do Sul e Indonésia.
O ingresso custa 1.700 ienes na bilheteria, cerca de R$ 55. Perto dali, o Chichu Art Museum, também de Ando, exibe obras de Claude Monet, James Turrell e Walter De Maria sob luz natural.
4. Dakar, Senegal

Dakar: o Monumento da Renascença Africana, inaugurado em 2010 numa colina da capital senegalesa (Wikimedia Commons)
A 16ª edição da Dak’Art, bienal de arte africana contemporânea realizada pela primeira vez em 1990 e apontada como o evento de arte de grande porte mais longevo do continente, acontece de 19 de novembro a 19 de dezembro. A direção artística está com o historiador da arte franco-iraniano Morad Montazami, e o tema “(Anti)fragilidade” gira em torno de reparação e resiliência. Em paralelo, o programa OFF espalha exposições por casas, galerias e espaços independentes da capital senegalesa.
5. Toulouse, França

Toulouse: a Pont Neuf sobre o Rio Garonne e os prédios de tijolo que deram à cidade o apelido de cidade rosa (Flickr )
O antigo matadouro da cidade, erguido entre 1828 e 1831, funciona desde 2000 como Les Abattoirs, museu de arte moderna e contemporânea. No subsolo, uma sala projetada especialmente para a obra guarda o pano de cena de 8,3 por 13,25 metros que Pablo Picasso criou em 1936 para a peça Le 14 Juillet, de Romain Rolland, e doou à cidade em 1965.
No bairro de Montaudran, a Halle de la Machine, aberta em 2018 pela companhia de teatro de rua La Machine, abriga criaturas mecânicas de madeira e aço, entre elas um minotauro de 14 metros que leva até 50 pessoas nas costas pela antiga pista da Aéropostale.
6. Menorca, Espanha

Menorca: Cales Fonts, em Es Castell, porto vizinho a Mahón, de onde partem os barcos para a Illa del Rei (Wikimedia Commons)
Desde julho de 2021, a galeria suíça Hauser & Wirth ocupa as construções de um hospital naval do século 18 na Illa del Rei, ilhota no porto de Mahón a cerca de 15 minutos de barco. O conjunto, restaurado pelo arquiteto argentino Luis Laplace, reúne oito galerias, um jardim do paisagista holandês Piet Oudolf e uma trilha de esculturas com obras de Louise Bourgeois, Joan Miró, Eduardo Chillida e Franz West. A entrada é gratuita, e o barco de ida e volta custa em torno de 10 euros, cerca de R$ 60.
7. Hydra, Grécia

Hydra: o porto da ilha grega, onde casarões de pedra sobem a encosta e só se circula a pé ou de burro (Wikimedia Commons)
Sem carros, a ilha grega é percorrida a pé ou com a ajuda de burros e atrai artistas desde 1960, quando o músico canadense Leonard Cohen se instalou por lá. Num antigo matadouro de pedra à beira-mar, cedido pela prefeitura à DESTE Foundation, do colecionador cipriota Dakis Joannou, acontece desde 2009 uma exposição por verão, que já recebeu Maurizio Cattelan, Kiki Smith e Jeff Koons.
A temporada atual traz Until That Day, instalação de Nari Ward inspirada no discurso do imperador etíope Haile Selassie na ONU em 1963, em cartaz com entrada gratuita até 31 de outubro.
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