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Sunday, October 11, 2026

Torcida do Flamengo para autistas completa quatro anos, e fundador celebra mais inclusão nos estádios

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Domingo é dia de os torcedores do Flamengo matarem a saudade do time no Maracanã, depois de longos 21 dias de espera na Data Fifa. E lá no setor Leste Superior, empurrando o time na briga pelo título brasileiro, estarão mais uma vez membros da "Autistas Rubro-Negros", torcida do clube voltada para o público de PCDs (pessoas com deficiência) e que completou quatro anos na última terça-feira.

Se no início só Corinthians e Flamengo tinham torcidas inclusivas, atualmente o número já está na casa dos 40. Revelou o representante de vendas Marcos Felipe Leal, que é pai do autista Felipe, de 17 anos, e da Gabriela, de 19, e que criou o grupo em outubro de 2022.

Torcida "Autistas Rubro-Negros" no Maracanã — Foto: Arquivo Pessoal

— Para vocês terem uma ideia, os quatro times do Rio têm, os quatro de São Paulo, os dois principais de Minas, os dois do Paraná... Grêmio e Inter também têm, Bahia, Goiás, os três de Pernambuco, Paysandu, Criciúma, Bragantino... Se não me engano, já tem 40 torcidas inclusivas. A gente participa até de um grupo chamado "Arquibancada Autista", que reúne essas torcidas — contou o fundador.

A "Autistas Rubro-Negros" atua em parceria com os setores de Responsabilidade Social e Patrimônio Histórico do Flamengo. O grupo já realizou diversas visitas ao museu da Gávea, recebeu do clube uma doação de abafadores, palestrou em eventos na sede e vem marcando presença em vários jogos, não só do time principal, como também do feminino e basquete. Além de ajudar outros torcedores com seus direitos e benefícios.

Cristiane, atacante do Flamengo, tira foto com a "Autistas Rubro-Negros" — Foto: Arquivo Pessoal

— Já levamos nossos torcedores para jogos do futebol masculino, feminino e do basquete. Pretendemos levar para jogos de vôlei também e promover o Flamengo nas modalidades esportivas e em eventos culturais. A gente quer promover a possibilidade de ter esse acolhimento, esse pertencimento. Hoje são mais de 1.200 famílias nos nossos grupos de WhatsApp, além das nossas redes sociais, com 18 mil seguidores no Instagram e mais oito mil no Facebook.

— Temos pelo menos mais de 30 mil seguidores nas redes e procuramos dar informações de cidadania, como tirar um documento, uma CNH, como conseguir uma gratuidade... A gente tem uma causa muito ampla, e não só no Rio. Até porque a torcida do Flamengo é Brasil. Queremos expandi-la, quem sabe conseguir recursos para criar nosso CNPJ. Queremos ter esse movimento para poder gerar e ajudar cada vez mais pessoas. Inclusão é tudo, não só os autistas, mas todos os PCDs.

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E os estádios estão começando a se preparar melhor para esse público. No Rio de Janeiro, há um projeto de lei recente que determina que os locais tenham um espaço adaptado com acústica. O Maracanã, por exemplo, inaugurou no ano passado duas salas sensoriais, com capacidade para 16 pessoas cada uma (veja no vídeo acima).

— O autista tem uma questão sensorial, então dependendo do barulho ele desregula, entra em crise. Então a sala tem um ambiente mais adaptado para eles. Quem sabe já existe em outros estádios? Mas que todos os estádios do Brasil possam ter esse ambiente — desejou Marcos Felipe.

No dia 7 de novembro, a "Autistas Rubro-Negros" vai comemorar o aniversário em um evento gratuito no Caminho Niemeyer, em Niterói, com recreação e expectativa de mais de mil pessoas presentes.

Fundador da "Autistas Rubro-Negros", Marcos Felipe Leal com Luis Roberto e Junior — Foto: Arquivo Pessoal

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