Waack: Bagunça judicial afeta a disputa eleitoral
O cancelamento pela TV Globo do tradicional debate dos candidatos à presidência foi justificado como resultado de sucessivas decisões judiciais em poucas horas. Na verdade, é o resultado de caos judicial.
Formalmente falando, as intervenções judiciais que levaram ao cancelamento se deram em torno de regras, tais como exibir ou não uma cadeira deixada vazia pela desistência de um candidato, ou de quais regras valem para garantir ou não a participação de candidatos que se julgavam injustamente colocados do lado de fora.
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Mas o que importa é a percepção de quais fatos políticos são associados às interferências do Judiciário, que incluiu, como já é praxe, um ministro de um tribunal passando por cima de decisão de ministro de outro tribunal.
Foi feito uso de recursos como reclamações em matérias não necessariamente conectadas com o assunto imediato em questão, que garantem que sejam apreciadas por um juiz escolhido a dedo, prática que se tornou comum nas últimas duas semanas, causando enorme desmoralização dos tribunais superiores.
Pois, afinal, trata-se de esperar justiça ou de conseguir decisões de cunho claramente político eleitoral travestidas de aplicação de justiça?
Essa pergunta não é retórica, e a resposta é um sonoro sim.
A judicialização das eleições está em pleno curso e aparentemente não há controle ou limites. A bagunça processual, evidente nesta noite (1), é ao mesmo tempo causa e consequência da politização no topo do Judiciário.
No lugar do debate a TV Globo está exibindo um capítulo inédito da novela "Quem Ama Cuida". Uma história de injustiça e vingança. Estou falando da novela.
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