Análise: Sport chega ao momento decisivo da Série B sem conseguir jogar como candidato ao acesso

Travado na criação e sem conseguir construir uma pressão consistente no fim, o Sport deixou escapar mais uma oportunidade na luta pelo acesso.

Botafogo-SP 1 x 1 Sport | Melhores momentos | 36 ª rodada | Série B 2026
O problema não foi apenas deixar dois pontos pelo caminho, mas a forma como o Sport os deixou. Na reta final da Série B e precisando vencer para entrar no G-6, o Leão jogou sem a imposição esperada de um candidato ao acesso (já havia sido assim na vitória contra o Criciúma, na última rodada). Faltaram criação, protagonismo das principais peças e, sobretudo, capacidade de pressionar o Botafogo-SP quando a vitória era indispensável.
A sensação foi de um Sport ainda procurando soluções em pleno fim de campeonato - um sentimento que se arrastou ao longo de toda temporada na Ilha do Retiro.
O time teve dificuldades para manter a posse, sofreu para criar e precisou mudar de formação ainda no primeiro tempo, deixando o 4-3-3 para um 3-5-2, espelhando o esquema do adversário. Nem as alterações foram suficientes para fazer a equipe assumir o controle de uma partida determinante para suas pretensões.
O primeiro tempo expôs esses problemas. Embora equilibrado, teve maior presença ofensiva do Botafogo-SP (o time paulista teve, por exemplo, 10 escanteios contra zero do Leão na etapa inicial). Aos 38 minutos, Hygor abriu o placar em jogada construída pelo frágil lado esquerdo do Sport. O empate só apareceu aos 45, quando Fernando Sobral finalizou de fora da área, Victor Souza rebateu e Perotti aproveitou a sobra.
Botafogo-SP x Sport — Foto: Rainier Moura / Sport Club do Recife
O gol ao fim da etapa deu a oportunidade do Sport recomeçar "do zero". Ao fim do primeiro tempo era evidente que o problema não era apenas tático. Faltava produção coletiva e individual, de jogadores dos quais se esperava protagonismo. Mas pouco mudou.
Patrick de Paula teve pouca participação, mostrou baixa intensidade e falhou no acompanhamento da jogada que terminou no gol adversário. Chrystian Barletta, principal destaque do time na temporada, ficou apagado, mesmo sendo deslocado da direita para a esquerda no segundo tempo.
Diego Hernández produziu pouco e saiu no intervalo. Mais tarde, as entradas de Marlon Douglas e Juan Alano também não mudaram o cenário: ambos são atletas que, no Sport, apresentam baixíssima capacidade de decisão.
Patrick de Paula, volante do Sport — Foto: Rainier Moura / Sport Club do Recife
O desempenho coletivo acompanhou os problemas individuais. Mesmo quando passou a trocar mais passes no segundo tempo, o Sport não conseguiu transformar a posse em domínio.
É aí que o empate pesa ainda mais. Não simplesmente pelos dois pontos deixados para trás, mas pela dificuldade de o time se comportar como quem precisava deles desesperadamente.
A falta de urgência virou, inclusive, tema da entrevista de Mariano Soso. O treinador discordou do diagnóstico, mas a própria resposta aumentou o peso da cobrança sobre a equipe.
"Urgência, não. Tem que ter mais vontade e tem que sustentar mais ações de ataque. Mas eles vêm fazendo um esforço muito grande, muito grande. Também, as cobranças e análises que fazemos são da porta para dentro."
Botafogo-SP x Sport — Foto: Rainier Moura / Sport Club do Recife
A essa altura da Série B, porém, já não há quase espaço para jogos nos quais o Sport apenas compete. É preciso vencer. E foi justamente essa imposição que faltou diante do Botafogo-SP.
O resultado deixou o Rubro-Negro com 55 pontos, na sétima colocação. O CRB também soma 55 e ainda joga na rodada, enquanto Atlético-GO e Goiás podem ultrapassar o Sport.
Restam duas partidas. O Sport precisa vencer Operário-PR, fora de casa, e Goiás, na Ilha do Retiro, além de depender de tropeços dos concorrentes. Antes de entrar em campo neste sábado, a chance de classificação era de 27,18%, segundo o Gato Mestre, do ge - número que tende a ser menor ao fim desta 36ª rodada.
A matemática ainda permite esperança. O desempenho, porém, deixa outra impressão. Quando mais precisava mostrar imposição e capacidade para decidir, o Sport voltou a se arrastar. E, com apenas duas rodadas pela frente, já não há tempo a perder.
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