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Wednesday, October 28, 2026

Dois proscritos a endireitar a realidade que se mantém torta

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Assobios, lenços brancos, uma contestação maior do que aquela que já se tinha feito sentir diante do Arouca. Com uma diferença, uma enorme diferença: aí, após o terceiro empate em sete encontros na Liga, Frederico Varandas encontrou um momento (que até foram dois) para sair em defesa de Rui Borges, com a garantia de que era o técnico do projeto e que nunca foi colocado em causa. Agora, havendo essa margem para voltar a falar perante a Assembleia Geral da Sporting SAD, o líder verde e branco optou por não falar. Quer isso dizer que algo mudou? Não necessariamente. Até pode ter sido uma forma de marcar posição num clube que quer continuar a ser dirigido de dentro para fora e não o contrário. Ainda assim, percebe-se que existem sinais de fim de linha à vista. Era também por isso que a receção ao Marítimo ganhava outro peso em Alvalade.

Sporting-Marítimo. Leões procuram chegar à Final Four da Taça da Liga após duas derrotas seguidas em Alvalade

Muito se tem falado do risco assumido pela SAD verde e branca quando, à luz de uma das piores derrotas da história recente do clube, decidiu remodelar por completo o plantel e abrir um novo ciclo sem figuras que se foram assumindo como nucleares durante os últimos anos como Morten Hjulmand, Francisco Trincão, Pedro Gonçalves, Ousmane Diomande ou Daniel Bragança (além de Morita, que saiu a custo zero). O investimento foi grande, o maior da história da sociedade acima dos 100 milhões de euros, algumas fragilidades que não são quantificáveis mantiveram-se como a falta de líderes no balneário. No entanto, e entre toda a revolução levada a cabo, houve a decisão paralela de manter Rui Borges no comando técnico, com a chegada ao top 8 da Liga dos Campeões pela primeira vez na história a pesar mais do que a falta de títulos em 2025/26.

SPORTING : vive-se o 3º pior desempenho defensivo da era Varandas ????

???? O descalabro defensivo do SCP de Rui Borges 26/27 apenas pede meças com o "despiste" de Rúben Amorim em 22/23 e com a primeira temporada realmente planeada na era Varandas, em 19/20

???? A separar estes dois… https://t.co/gktc5R8vSu pic.twitter.com/n532SauRbn

— GoalPoint (@_Goalpoint) October 27, 2026

Com outro dado: ciente da importância de ter tempo para construir uma nova base, houve um esforço extra para acelerar a chegada de quase todos os reforços, como aconteceu sobretudo em relação aos cinco médios que reforçaram o plantel. Problema? A pré-época foi positiva, o arranque oficial da Primeira Liga tornou-se ziguezagueante, a paragem para compromissos das seleções trouxe novas dinâmicas a um corredor central que nunca chegou a estabilizar por completo, as coisas não funcionaram melhor – pelo contrário. As receções ao LASK Linz e ao Ac. Viseu, que valeram as duas primeiras derrotas da temporada, foram pesadas não tanto pelos resultados (que foram maus e não podiam acontecer nesta fase) mas pela forma como surgiram. É aí que entronca o grande dilema atual do Sporting: terá Rui Borges capacidade para dar a volta à situação?

ESTAMOS PRONTOS ???? #SCPCSM pic.twitter.com/G8XlFHx4t3

— Sporting CP (@SportingCP) October 27, 2026

Para o técnico, um claro sim. Mostrando total compreensão pela insatisfação dos adeptos, ao mesmo tempo que recusou responder se os assobios eram justos ou não, Rui Borges não teve dúvidas em colocar-se do lado da solução e não do problema. Mais: mesmo percebendo que estava numa situação mais frágil sobretudo na sequência da derrota com os viriatos, em nenhum momento o treinador adotou um discurso que não fosse no sentido de trabalhar para encontrar a redenção a curto prazo. E essa redenção começava com a receção ao Marítimo para a Taça da Liga, com a vantagem de valer uma entrada automática na Final Four da prova em caso de triunfo e a desvantagem de surgir apenas 48 horas depois do encontro para o Campeonato.

Sporting a nove pontos à nona jornada? Cenário não é positivo ❌

Em 2026/27, a turma leonina está a nove pontos do FC Porto, decorridas nove jornadas.

Olhando ao histórico, este cenário nunca deu título e significou várias classificações modestas. pic.twitter.com/VVQhCZdjy5

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“O Sporting é o Sporting, o objetivo é vencer a competição. Todos querem dar uma resposta diferente, tem de haver uma reação forte, de compromisso e ambição. É natural que possa haver momentos de intranquilidade aqui e ali durante o jogo. Faz parte do nosso crescimento, termos de lidar com isso. Acredito que os jogadores querem dar uma grande resposta, vencer e disputar este troféu”, referiu Rui Borges na antevisão feita apenas ao canal do clube, antes de assumir que iria fazer várias alterações na equipa inicial neste jogo. “A maioria dos que estiveram frente ao Ac. Viseu provavelmente não estarão, não é fisicamente possível. Há portas abertas para os nossos jovens, que têm feito um bom início. Estão à espera de uma oportunidade. Sinto-me confortável e confiante naquilo que eles são capazes”, acrescentou o técnico. “Mesmo perante a insatisfação, que é natural, os adeptos acreditam que a equipa vai dar uma resposta diferente”, rematou.

Por um lugar na Final Four ⚔️???? Em frente, Leões! #SCPCSM pic.twitter.com/BLRkq4LAc2

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Aí está a Taça da Liga ????????#sporttvportugal #TAÇAnaSPORTTV #AllianzCup #SportingCP #CSMaritimo pic.twitter.com/BCkVB4sbu4

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Logo à partida, seria sempre complicado pela dificuldade de entrosamento de uma segunda linha que tinha de ser lançada a um encontro com um contexto complicado do qual não tinha propriamente “culpa” direta. Ainda assim, houve bons indicadores. Logo à cabeça, dois: Pedro Lima, que mais do que os dois golos foi um médio que mostrou características que têm faltado no Sporting, nomeadamente nos movimentos de rutura e no aparecimento do segundo médio em zonas de finalização, e Rui Silva, que saiu quase como uma espécie de bode expiatório da equipa depois do empate frente ao Arouca mas mostrou que ainda é o número 1 (como titular ou no banco). No entanto, e numa vitória que tinha tudo para fazer as “pazes”, um golo sofrido em cima do minuto 90 trouxe de novo fantasmas que tarde ou nunca irão sair de Alvalade nos próximos tempos. Esse é um grande problema. E quem conhece bem o clube consegue perceber todos esses sinais…

MVP GOALPOINT ⭐️
[ Sporting 2-1 Marítimo ]

???? Quem olhar a ficha de jogo esperaria ver Pedro Lima como MVP mas quem realmente evitou que a coisa complicasse novamente para o Sporting foi Rui Silva, a reagir muito bem à perda de titularidade e a mostrar qualidade na distribuição,… pic.twitter.com/VqRV42tF4o

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PEDRO LIMA ???????? meteu as unhas de fora e deixou Rui Borges (e adeptos) a pensar no porquê de ainda só llhe ter dado 6 minutos na Liga. E o seu rating só não é mais famoso porque o médio desperdiçou 3 ocasiões flagrantes (embora duas enquadradas e com boa reacção na terceira,… pic.twitter.com/VxGmm746Im

— GoalPoint (@_Goalpoint) October 27, 2026

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O médio do Sporting aproveitou a oportunidade concedida por Rui Borges e foi decisivo no triunfo dos leões. pic.twitter.com/fE0VOolTZU

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Ficha de jogo

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Sporting-Marítimo, 2-1

Quartos de final da Taça da Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Iancu Vasilica (AF Vila Real)

Sporting: Rui Silva; Vagiannidis, Eduardo Quaresma, Eduardo Felicíssimo, Zekri (Rodrigo Dias, 72′); Silas Andersen, Pedro Lima (Mauro Couto, 78′), João Simões (Samuel Justo, 85′); Geny Catamo, Jesse Derry (Paulo Cardoso, 72′) e Ioannidis (Rafael Nel, 85′)

Suplentes não utilizados: Diego Callai, Francisco Silva, Mateo Tanlongo, Blopa, Rodrigo Rodrigues e Lucas Taibo

Treinador: Rui Borges

Marítimo: Gonçalo Tabuaço; Rafael Fernandes, Szalai, Romain Correia; Igor Julião, Rodrigo Andrade (Alani, 72′), Raphael Guzzo (Ayuma, 84′), Paulo Henrique; Simo Bouzaidi (Samy Bamba, 84′), Bassouamina (Butzke, 59′) e Boakye (Martín Tejón, 59′)

Suplentes não utilizados: Alfonso, Vieites, Ogbeta, Nilton, Tomás Tavares e Limbombe

Treinador: Mitchell Van der Gaag

Golos: Pedro Lima (44′ e 71′) e Butzke (90′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Rafael Fernandes (39′), Eduardo Quaresma (56′)

Com Alvalade a registar a pior casa da época, como seria expectável até mesmo se a equipa estivesse num momento melhor, o Sporting até conseguiu criar uma boa situação logo a abrir mas o golo de Jesse Derry foi anulado por fora de jogo depois de um ressalto que veio de uma pressão alta de João Simões à saída da área do Marítimo (5′). O sinal de Rui Borges tinha sido deixado ao colocar todos os titulares no domingo fora do banco, o risco era 100% assumido pelo técnico, que “acreditava” nas segundas linhas do plantel para chegar a uma vantagem que pudesse esvaziar o balão de ansiedade e intranquilidade crescentes na sequência dos últimos resultados em Alvalade. No entanto, se a alguma distância os equipamentos das equipas tinham tendência a confundir-se, em campo a situação não era muito melhor. Se o movimento de rutura aparecesse, a bola não seguia; se a pressão avançava, o jogador seguinte não aparecia. Faltava sempre algo na definição.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Sporting-Marítimo em vídeo]

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