Brasil registra 59 encalhes de baleias-jubarte até outubro de 2026; taxa bruta de natalidade é abaixo da média histórica
A temporada de baleias-jubarte no Brasil, que se estende de junho a novembro, com o período de maior intensidade entre julho e outubro, apresenta números mais baixos em relação a anos anteriores, com redução no número de animais avistados e, principalmente, na quantidade de filhotes. O cenário e o balanço, até o momento, foram feitos pelo Projeto Baleia Jubarte, que monitora a espécie.
Até setembro de 2026, a taxa bruta de natalidade das baleias-jubarte no Brasil era de 3,35%, considerando a proporção de filhotes em relação ao total de baleias avistadas. A média histórica para o mesmo período é de 9,89%. Em algumas temporadas anteriores, a taxa chegou a 15% e 16%, enquanto, neste ano, o índice está próximo de 3%.
A diminuição no número de filhotes não é observada apenas no Brasil. De acordo com o monitoramento realizado pelo Projeto Baleia Jubarte, em parceria com pesquisadores da Austrália, do Equador e de outros países, outras populações de baleias-jubarte do Hemisfério Sul também apresentaram redução nos nascimentos nesta temporada.
Ainda não há uma explicação definitiva para o fenômeno. Entre as hipóteses consideradas pelos pesquisadores estão alterações na disponibilidade de alimento, o derretimento do gelo e o aumento das temperaturas associado ao El Niño.
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Avistamentos de baleias também diminuem
Segundo o monitoramento de avistamentos da espécie, em 2026, a taxa foi de 4,199 baleias por hora, contra 6,8207 no mesmo período do ano anterior, uma redução de aproximadamente 38%.
A comparação considera a quantidade de baleias avistadas por hora de observação, indicador que permite avaliar a presença dos animais independentemente do tempo dedicado ao monitoramento.
O levantamento é realizado a partir de uma embarcação que percorre o litoral entre Belmonte, na Bahia, e o Espírito Santo, acompanhando a região do Banco dos Abrolhos
O monitoramento continuará até o final de novembro, quando finaliza o período das jubartes no país.
Além desse trabalho, foi realizado um sobrevoo entre o Rio Grande do Norte e o litoral de São Paulo para estimar o tamanho da população de baleias-jubarte. O último levantamento desse tipo havia sido feito em 2022, quando a população brasileira foi estimada em aproximadamente 34.500 animais. No sobrevoo deste ano, os pesquisadores observaram menos baleias e filhotes, mas o cálculo populacional ainda está em andamento.
Encalhes e mortalidade de baleias-jubarte
Até outubro de 2026, foram registrados 59 encalhes de baleias-jubarte no Brasil. Mais de 90% dos casos correspondem a animais já sem vida que são levados pelas correntes até a praia.
Os dados mensais informados pelo Projeto Baleia Jubarte são: três encalhes em janeiro, um em fevereiro, dois em março, um em abril, sete em maio, 14 em junho, dez em julho, 16 em agosto, três em setembro e dois em outubro.
Em relação aos estados, Santa Catarina registrou o maior número de encalhes, com 13 ocorrências, seguida por São Paulo, com 12, e Espírito Santo, com 11. O Rio de Janeiro e a Bahia tiveram nove registros cada. Também foram contabilizados dois encalhes no Rio Grande do Sul e um no Paraná, em Pernambuco e no Ceará.
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