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Wednesday, October 14, 2026

Metro de Lisboa:"Greve desta quarta-feira é desproporcional"

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Temos conosco Cristina Tomé, a presidente do Metropolitano de Lisboa. Está neste momento a decorrer uma greve total dos trabalhadores do Metro de Lisboa, sem recurso a serviços mínimos. Os sindicatos acusam o Metro de Lisboa de não estar a cumprir o acordo que foi feito. O que tem a dizer sobre isto?

Este acordo, que foi feito em abril, resulta de uma reivindicação que os sindicatos têm desde 2019. E finalmente, este conselho de administração conseguiu atender àquilo que eram as reivindicações, nomeadamente de reposição de postos de trabalho com trabalhadores que terão que ser formados e recrutados para esse efeito. É isso que a empresa está a fazer, e está a fazer desde abril. Nós consideramos que, de facto, não há motivos, razões para que esta greve ocorra, porque aconteceu também que fizemos uma revisão do acordo da empresa, que vai durar até 2030, e que decorreu tudo com a maior das urbanidades, maior da serenidade, o diálogo entre as partes. E consideramos que a empresa está a cumprir o acordo que foi feito em abril para repor postos de trabalho na área do posto de comando central, coisa que vinha sendo reivindicada pelos sindicatos desde 2019. E por isso consideramos que esta greve é desproporcional.

Considera então que o Metropolitano de Lisboa não está em incumprimento do acordo, é isso?

O Metropolitano de Lisboa não está em incumprimento do acordo. Nós até apresentamos datas concretas de quando é que este recrutamento vai estar finalizado das diferentes funções do posto de comando e controle. Isso é muito claro para os sindicatos. Estamos a falar de formação que leva tempo, estamos a falar de recrutamentos que levam tempo, que não aconteceram de 2019 a 2026 e que estão a acontecer de abril de 2026, e contamos que estejam finalizados em meados de dezembro deste ano. A totalidade, porque grande parte vai estar finalizada até novembro 2026.

Outro dos problemas identificados pela federação dos trabalhadores é também a falta de efetivos no PCC e na tração, trabalho suplementar excessivo e turnos prolongados e ainda o excesso de burocracia na organização do trabalho. Considera que estes são problemas que ainda não conseguiram reduzir ou abordar de todo?

Relativamente ao recrutamento e à falta de trabalhadores, foi isso que eu lhe acabei de referir. Ou seja, essa falta de trabalhadores que existe desde 2019, está a ser reposta desde abril de 2026 e finaliza em dezembro de 2026. É algo que está a acontecer e demora o seu tempo, porque os trabalhadores têm que ser recrutados e formados. É uma formação específica do Metro. Essa questão está a ser acautelada, é do conhecimento dos sindicatos e dos trabalhadores. Sobre essa matéria, já fui muito clara. Está a acontecer desde abril de 2026. Relativamente à burocracia, não há burocracia. Quer dizer, há a burocracia que sempre houve. Ou seja, há uma regra, que é: há uma marcação de horários que têm que ser validadas pelas chefias. Não reconhecemos que haja burocracia nenhuma nessa matéria. Relativamente ao trabalho extraordinário, dou-lhe nota que de abril até setembro deste ano, houve uma redução de mais de dois terços do trabalho extraordinário que tinha acontecido em 2024 e 2025 para o mesmo período. Não compreendemos como é que há um recurso a trabalho extraordinário excessivo, quando em 2026 a redução do trabalho extraordinário foi efetivamente acentuada para mais de dois terços daquilo que acontecia em 24 e 25, entre abril e setembro desses anos.

Falou aqui também que a finalização da formação vai estar concluída em dezembro de 2026, mas grande parte ainda em novembro. Outro dos problemas apontados pela federação é a ausência de medidas concretas e prazos verificáveis. A federação foi informada deste prazo?

Sim, a empresa entregou, para ficar mais claro, um quadro no dia 7 de outubro com todas as datas de início de formação e de fim de formação. E o fim da informação representa a entrada em funções destes novos trabalhadores que têm estas novas funções. Esta formação iniciou-se em agosto e vai terminar, como eu lhe disse, grande parte da formação termina em meados de novembro e a parte final terminará em meados de dezembro. Esse quadro foi apresentado às organizações sindicais no passado dia 7 de outubro.

E em relação à greve de hoje, não foram indicados serviços mínimos. O Metropolitano de Lisboa planeia fazer alguma coisa em relação a esses serviços mínimos? Vai mesmo continuar encerrado o dia inteiro e vai efetivamente abrir amanhã ou ainda não há certezas?

Relativamente aos serviços mínimos, a empresa cumpriu a lei, seguiu todos os procedimentos legais que estão ao seu alcance para requerer os serviços mínimos. Infelizmente, mais uma vez, esses serviços mínimos não foram considerados pelo tribunal arbitral e estamos nesta situação em que, por causa de 100 trabalhadores do Metro, 600 mil pessoas são afetadas. São os passageiros que frequentemente ou diariamente utilizam o Metro. Esta greve foi decretada das 05:00 de hoje até às 05:00 da manhã de amanhã. Amanhã o Metro irá funcionar. Acrescento que ontem, por volta das 23h, a empresa recebeu um novo pré-aviso greve das mesmas organizações sindicais com as mesmas reivindicações para dia 28 e dia 30 de outubro. Agora são greves parciais das 05:00 às 10:00. Vamos novamente seguir todos os procedimentos legais que estão ao alcance da empresa para requerer os serviços mínimos e, ao mesmo tempo, continuar o processo todo de formação, de recrutamento, para suprir a necessidade de postos de trabalhos que já existiam desde 2019 e que em 2026, o Conselho de Administração está a ir ao encontro das reivindicações dos sindicatos.

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