Maior supermercado do RS começou com 12 filhos no balcão e hoje é um império de R$ 8,8 bilhões
O varejo alimentar brasileiro faturou 1,1 trilhão de reais em 2025 e continua dividido por fronteiras estaduais.
Nenhum grupo nacional domina o país inteiro, e em vários estados quem manda é uma rede de capital familiar que nunca abriu ações em bolsa.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, a liderança tem o mesmo sobrenome há 91 anos.
A Companhia Zaffari faturou 8,83 bilhões de reais em 2025 e é a 15ª maior empresa do varejo alimentar do país pelo Ranking ABRAS 2026, da Associação Brasileira de Supermercados. De acordo com o ranking Top 300 da IRTT, a empresa é a 34ª maior varejista brasileira.
São 45 lojas, entre elas 14 shoppings centers, e 12.998 funcionários.
O grupo começou com um armazém de secos e molhados montado por Francisco José Zaffari e Santina de Carli Zaffari, filhos de imigrantes italianos, na frente da própria casa, na Vila Sete de Setembro, interior de Erechim, em 6 de janeiro de 1935.
A rede chega ao Dia do Gaúcho, neste domingo, 20, crescendo tanto no Rio Grande do Sul como expandindo também por São Paulo. Na capital paulista, a empresa assume o espaço do antigo hipermercado Carrefour no Shopping Center Norte, com abertura prevista para o primeiro semestre de 2027.
Em Porto Alegre, vai abrir no Shopping Praia de Belas, no ponto que pertenceu à bandeira Nacional, que era do Carrefour, até janeiro.
O que vem pela frente concentra dinheiro em São Paulo e no Rio Grande do Sul ao mesmo tempo. O grupo montou um centro logístico em Embu das Artes entre o fim de 2025 e o começo de 2026, prepara um empreendimento de uso misto ao lado do Bourbon Pompeia e mantém no Rio Grande do Sul um bairro planejado em Novo Hamburgo com capacidade para 25.000 pessoas.
Quais são os 10 maiores supermercados do Rio Grande do Sul
- Companhia Zaffari: faturamento de 8,8 bilhões de reais
- Comercial Zaffari: faturamento de 6,8 bilhões de reais
- Unidasul: faturamento de 3,1 bilhões de reais
- Imec: faturamento de 1,8 bilhão de reais
- Asun: faturamento de 1,5 bilhão de reais
- Master ATS: faturamento de 1,4 bilhão de reais
- Peruzzo Supermercado: faturamento de 1,3 bilhão de reais
- Libraga Brandão: faturamento de 1,3 bilhão de reais
- Guanabara: faturamento de 1 bilhão de reais
- Osmar Nicolini: faturamento de 974 milhões de reais
Qual é a história do Zaffari
O Grupo Zaffari foi fundado em 1935 por Francisco José Zaffari e Santina de Carli Zaffari como um armazém de secos e molhados na Vila Sete de Setembro, em Erechim (RS). Em 1947, a família mudou-se para Erval Grande, onde estruturou melhor o negócio.
Nessa fase, passou a operar também com distribuição de combustíveis. Ao longo dos anos 1950, abriu filiais em localidades vizinhas. O casal teve 12 filhos. Todos trabalhavam no balcão.
Em 1960, a família se transferiu para Porto Alegre e abriu um atacado na Avenida Protásio Alves. O varejo veio cinco anos depois.
Em 1965, os filhos mais velhos inauguraram o primeiro supermercado do grupo, do outro lado da mesma avenida, no térreo do Edifício Santa Cecília. Tinha 120 metros quadrados. A ideia do autosserviço — o cliente pega o produto na prateleira em vez de pedir ao balconista — foi copiada dos mercados que eles tinham visto em São Paulo. Era um formato novo em Porto Alegre.

Zaffari, mercado Zaffari em Porto Alegre (Leandro Fonseca/Exame)
A loja funcionou por oito anos. A segunda abriu em 1967, na mesma Protásio Alves, e a partir dali a rede se espalhou pelos bairros da capital.
O primeiro hipermercado veio em 1979, em Canoas, na região metropolitana. Anos depois, passou a operar com a marca Bourbon.
Quando o supermercado virou shopping
A decisão que mudou o tamanho do grupo foi tomada em 1991. Naquele dezembro, o Zaffari inaugurou o Bourbon Shopping Assis Brasil, em Porto Alegre, com um hipermercado da própria rede como loja âncora.
O desenho se repetiu. O shopping seguinte abriu em Passo Fundo no ano seguinte. Em 2001 veio o Bourbon Country, e a partir dali o grupo passou a construir empreendimentos em que o próprio supermercado puxa o fluxo de gente que sustenta as demais lojas.
Hoje são 14 shopping centers: 12 com a bandeira Bourbon, sendo 11 no Rio Grande do Sul e um em São Paulo, mais o Moinhos Shopping e o Shopping CenterLar, ambos na capital gaúcha.
O Bourbon Shopping São Paulo tem 44,6 mil metros quadrados de área bruta locável, cerca de 200 lojas e fluxo médio de 1,2 milhão de pessoas por mês.
Qual foi a estratégia do atacarejo
O Zaffari entrou no formato que move o setor brasileiro atualmente, o atacarejo, anos depois dos concorrentes. A bandeira Cestto foi criada em 2023, com a primeira loja em Gravataí e investimento de 100 milhões de reais.
Em agosto de 2026, a quinta unidade da bandeira abriu em Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo. Foi a primeira fora do Rio Grande do Sul. O investimento na obra foi de 95 milhões de reais, sem contar o terreno. A loja tem 6.443 metros quadrados de área de vendas, mais de 10.000 itens, 485 vagas de estacionamento e uma galeria com 17 lojas.
O formato tenta atender dois públicos no mesmo prédio: restaurantes, escolas e fábricas compram por volume, enquanto o consumidor doméstico encontra padaria, rotisseria, açougue e adega, seções mais associadas ao supermercado tradicional.
Antes de abrir a loja, o grupo montou a estrutura de distribuição. O centro logístico de Embu das Artes, perto do Rodoanel, concentra produtos não perecíveis e fica a cerca de 15 minutos da loja do Morumbi.
O que mais vem por aí
O maior projeto do grupo não é uma loja. Em Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre, o Zaffari prepara um bairro planejado com capacidade para receber 25.000 pessoas. A primeira fase abrange cerca de 700.000 metros quadrados.
Em São Paulo, além do hipermercado do Center Norte, a companhia quer erguer um complexo comercial e residencial na esquina da Rua Palestra Itália com a Avenida Pompeia, ligado ao Bourbon por uma passarela. A intenção é começar as obras em 2027.
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