Tenham esperança: um dia, alguém vai privatizar o metro

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O Bom, o Mau e o Vilão com Miguel Pinheiro, todas as manhãs na Rádio Observador. Muito bom dia, Miguel.
Bom dia.
Quem é o bom deste meio de semana?
O bom é a Iniciativa Liberal. Ontem o deputado Rui Rocha pediu ao governo que avance com urgência com uma auditoria extraordinária à gestão do SIRESP. Esta semana o secretário-geral do Ministério da Administração Interna foi exonerado, entre outras coisas, por ter posto em causa o pagamento de € 26 milhões anuais ao SIRESP. Ele chegou a afirmar que este sistema de comunicações de emergência se transformou num sorvedouro de dinheiros públicos e num intermediário burocrático de luxo. E eu ouvi o secretário-geral exonerado, ouvi o ministro da Administração Interna e ouvi ontem o homem que lidera o SIRESP, que esteve no Parlamento e sinceramente já não consigo perceber quem tem razão. Estou como Rui Rocha nesta fase, não consigo dar credibilidade absoluta a ninguém e quando se chega a este ponto, a única solução é fazermos uma auditoria completa que nos explique tintim por tintim o que se está a passar com o nosso dinheiro.
E mesmo assim é ser otimista, pensar que uma auditoria vai expor algumas coisas, agora resolvê-las é outra, não é?
Pelo menos ajudar a perceber o que se está a passar, para depois decidirmos como resolver os problemas, se é que há problemas, Paulo, porque eu estou convencidíssimo.
Pode ser uma vontade tua.
Eu acho que o mais provável é chegarmos ao fim e concluirmos que não há problema nenhum, mas enfim, é só para nos prevenirmos.
Nunca houve problemas no SIRESP.
Isso.
E o mau de hoje, Miguel, quem é?
É o LIVRE. Eu já tinha dito aqui que Rui Tavares arranjou uma inventona para tentar impedir que André Ventura presida à nova Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves, sendo que a tomada de posse é hoje. Segundo ele, o líder do Chega pode vir a ter de ser ouvido na CPI por ter relacionado o assalto ao gabinete do partido no Parlamento ao desaparecimento dos documentos relativos a Luís Neves. E além disso, acrescenta Rui Tavares, também se dá o caso de o alegado assalto estar a ser investigado pela PJ. E portanto, para ele, há aqui um conflito de interesses. André Ventura não pode ser...
Presidente da Comissão.
Presidente da Comissão. E imagino, já agora, que também não possa ser nenhum deputado do Chega, pois todos eles podem ser chamados à PJ para falarem sobre este assalto e sobre o que estava dentro dos gabinetes. Imagino eu, o melhor é passarmos já a presidência para Rui Tavares. Agora, José Pedro Aguiar Branco rejeitou a argumentação, considerou que não há fundamento para nada disto, mas Rui Tavares quer que a palavra final seja da Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados. Portanto, vai haver um recurso do recurso e são truques de magia atrás de truques de magia. Estamos lá a ver.
Isso ainda vai parar ao Tribunal Constitucional.
Eu acho que devia. Ao pleno, não é agora a uma secção qualquer. Não, ao pleno do Tribunal Constitucional.
Vamos ao vilão de hoje, quem é, Miguel?
Como muito bem compreenderão milhares de pessoas que nos estão a ouvir, o vilão de hoje são os Sindicatos do Metropolitano de Lisboa, que têm mais uma greve. Segundo li nos jornais, desta vez estão em causa supostos incumprimentos e falta de respostas concretas da administração em relação às reivindicações dos trabalhadores, que terão sido reconhecidas através de um acordo assinado em abril. Portanto, já sabemos, administrações do Estado não respeitam os sindicatos. Não vale a pena. As administrações de empresas privadas respeitam muito mais os sindicatos, pois se há mais greve no público do que no privado, só podemos concluir isto. Mas os sindicatos das empresas públicas, especialmente de transportes, entendem sempre que a greve não é o último recurso, o derradeiro, a derradeira arma das divergências laborais. Nada disso. É o primeiro recurso. No metro, sempre que alguém espirra, avança-se para uma greve. E além disso, claro, é raro serem decretados serviços mínimos. Na greve de hoje também não há serviços mínimos, porque existe sempre o argumento de que quem não tem metro pode usar autocarros. Pois com certeza. Vão lá arranjar um autocarro. Por isso, hoje temos 600 mil pessoas que vão ter de se safar sozinhas, porque no Metropolitano de Lisboa, lá está, os sindicatos e a administração não sabem falar uns com os outros, são incapazes, não sabem falar. E um dia algum governo vai perceber que é preciso fazer uma concessão da exploração do metro a privados, como acontece na Suécia. Não gostam todos muito da Suécia? A Suécia não é o sol da Terra? Então, copiem.
Pois, e assim lá vai a troca do transporte individual pelo transporte público. Essas metas ambientais.
Depois santo Deus que os portugueses ficam agarrados aos automóveis, ainda por cima automóveis antigos. Onde é que já se viu?
São uns ingratos.
Esta gentinha andar com automóveis antigos a poluir o nosso planeta? Pois, com certeza.
Vamos ao resumo. O bom de hoje, a Iniciativa Liberal, o mau, o LIVRE, o vilão, o Sindicato do Metropolitano de Lisboa. São estas as escolhas do Miguel Pinheiro num episódio que está quase a chegar às plataformas de streaming, podcast e também ao nosso site da Manhã Miguel.
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