Com anilha desde 1956, ave mais velha conhecida na natureza ainda retorna ao mesmo lugar quase 70 anos depois
Uma pequena anilha colocada na pata de uma ave em 1956 permitiu acompanhar uma história que atravessaria quase sete décadas. Wisdom, uma albatroz-de-laysan, continua retornando ao atol de Midway, no Pacífico, e hoje é reconhecida como a ave selvagem conhecida mais velha do mundo.
A fêmea tem aproximadamente 75 anos, segundo o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos. Ela foi vista novamente em Midway em novembro de 2025 e continuou fazendo aparições no atol ao longo da temporada seguinte.
A idade exata não é conhecida. Quando Wisdom foi anilhada pelo ornitólogo Chandler Robbins, em dezembro de 1956, ela já havia colocado um ovo. Como albatrozes-de-laysan não costumam se reproduzir antes dos cinco anos, pesquisadores conseguiram estabelecer uma idade mínima para a ave.
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De uma anilha em 1956 a dezenas de filhotes
Wisdom passou grande parte de sua longa vida sobre o oceano, mas seus retornos a Midway permitiram que pesquisadores continuassem identificando a mesma ave ao longo das décadas.
Nesse período, estima-se que ela tenha produzido entre 50 e 60 ovos e cerca de 30 filhotes que chegaram à fase de voo. Um dos episódios mais recentes ocorreu na temporada de 2024/2025, quando Wisdom voltou a colocar um ovo. O filhote nasceu no início de 2025.
Na temporada seguinte, ela retornou novamente a Midway, mas não colocou outro ovo. Isso não significa, necessariamente, que Wisdom tenha deixado de se reproduzir. Albatrozes-de-laysan podem passar temporadas sem colocar ovos, e criar um filhote exige meses de investimento dos adultos.
O próprio histórico de Wisdom chama atenção quando comparado aos demais animais monitorados em Midway. Em 2024, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos informou que o segundo albatroz mais velho conhecido no atol tinha pouco mais de 45 anos, apesar de milhares dessas aves terem sido anilhadas na região desde a década de 1960.
Por que acompanhar Wisdom por tanto tempo importa?
A história de Wisdom só pode ser reconstruída porque a ave continuou sendo identificada ao longo dos anos. O anilhamento permite reconhecer indivíduos e reunir informações sobre sobrevivência, deslocamentos e reprodução, mesmo quando os animais passam longos períodos longe de áreas habitadas.
O caso também ajuda a dimensionar quanto tempo um albatroz pode permanecer vivo na natureza. Essas aves passam grande parte da existência no mar e retornam a áreas específicas para reprodução, o que possibilita reencontrar indivíduos identificados anos ou até décadas antes.
Midway tem papel central nesse acompanhamento. O atol abriga uma das maiores concentrações de albatrozes do planeta e registrou 589.623 ninhos de albatrozes-de-laysan na temporada de 2025/2026, segundo o serviço norte-americano.
Entre centenas de milhares de aves, uma pequena identificação continua distinguindo Wisdom. A anilha colocada em 1956 permitiu que pesquisadores reconhecessem a mesma albatroz quase sete décadas depois, transformando uma ave que poderia passar despercebida entre tantas outras em um dos registros de longevidade mais conhecidos da vida selvagem.
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