Tropas britânicas treinam para invasão argentina às Malvinas, diz jornal
Tropas britânicas vêm treinando para retomar as Ilhas Malvinas em caso de uma invasão argentina. Mais de 100 soldados britânicos se juntaram a reservistas locais para realizar um exercício de seis dias na região no início deste mês, segundo o jornal The Times.
O treinamento reproduziu acontecimentos da invasão argentina de 1982 e incluiu uma caminhada noturna de 32 quilômetros e um ataque anfíbio.
O comandante da companhia, major Nunkoosing, disse ao The Times que o treinamento deu aos soldados “a oportunidade de seguir os passos de nossos antepassados e ter uma pequena ideia do que eles enfrentaram para alcançar a vitória em 1982”.
O exercício ocorre em meio à deterioração das relações entre o Reino Unido e a Argentina, após o presidente argentino, Javier Milei, colocar a disputa pelo território no centro do debate ao anunciar sanções contra empresas envolvidas na extração de petróleo nas proximidades das ilhas.
Na ONU, Milei classificou a exploração de combustíveis fósseis na região como “ilegal e ilegítima” e descreveu os moradores das Malvinas como uma população “implantada pela potência ocupante em um território cuja soberania é disputada”.
Leia Mais
Milei apresenta projeto para ampliar sanções contra atividades nas Malvinas Argentina anuncia acusação criminal contra petroleira que atua nas Malvinas Entenda a disputa pelas Ilhas Malvinas que levou Milei a anunciar sanções
O que são as Ilhas Malvinas?
As Malvinas são um arquipélago no Oceano Atlântico Sul, situado cerca de 500 km a leste do território continental argentino e a aproximadamente 13 mil km do Reino Unido. Elas consistem em duas ilhas principais — Malvina Oriental e Malvina Ocidental — e 778 ilhas menores.
O primeiro desembarque registrado nas ilhas ocorreu em 1690, realizado pelo capitão naval inglês John Strong. A Grã-Bretanha assumiu a posse formal da Malvina Ocidental em 1765 e, embora a França e a Espanha tenham mantido assentamentos nas ilhas em diferentes momentos, os britânicos reafirmaram seu controle em 1833 e as administram desde então.
As Malvinas, com uma população de cerca de 3.660 habitantes, possuem sua própria assembleia legislativa eleita para gerir assuntos internos. A maioria dos moradores é de origem britânica, embora a população também inclua pessoas de Santa Helena, do Chile e das Filipinas.
Por que a Grã-Bretanha e a Argentina entraram em guerra pelas Malvinas?
A Argentina reivindica soberania sobre as ilhas argumentando que herdou o território da Espanha após a independência em 1816 e que a Grã-Bretanha assumiu o controle em 1833 por meio de um ato colonial ilegal.
O Reino Unido sustenta que os habitantes das ilhas têm o direito de decidir seu próprio futuro.
Em abril de 1982, o governo militar argentino, liderado por Leopoldo Galtieri, ordenou a invasão das ilhas, acreditando que a Grã-Bretanha não responderia com força militar.
No entanto, a então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, enviou uma força-tarefa naval e recuperou o controle após 74 dias de combates. A Argentina rendeu-se em junho de 1982, e a derrota acelerou a queda da junta militar argentina.
Ao todo, 649 argentinos morreram nos combates, assim como 255 militares britânicos e três habitantes das Ilhas Malvinas.
O conflito foi um momento decisivo para Thatcher, que enfrentava dificuldades no governo antes da guerra. A vitória foi celebrada com entusiasmo pela imprensa britânica e reforçou a confiança nas forças armadas, após um período em que seu poderio global havia sido amplamente questionado.
O conflito — e a reivindicação contínua do Reino Unido sobre as ilhas — gerou um profundo ressentimento na Argentina, que persiste até hoje.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.