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Wednesday, September 23, 2026

Iphan aprova tombamento de Capela do Cristo Operário, com obras de Volpi

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O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) aprovou o tombamento da Capela do Cristo Operário, que faz parte do acervo de bens móveis e edifícios remanescentes da antiga Fábrica Unilabor, no Alto do Ipiranga, zona sul de São Paulo.

A decisão foi tomada em reunião do conselho consultivo do Iphan realizada nesta terça-feira (22). A capela é tombada desde 2004 nas esferas municipal e estadual e agora ganha a proteção federal.

A capela foi construída em 1950 a partir da adaptação de um armazém industrial antigo e é apontada como o primeiro passo da modernidade na arte e na arquitetura religiosa brasileira.

A iniciativa foi do frei dominicano João Batista Pereira dos Santos, criador da Unilabor, uma fábrica de móveis que reunia operários em torno de um modelo de produção considerado igualitário, mesclando arte moderna, religião e ação política.

Segundo o Iphan, 46 itens fazem parte do inventário de bens móveis e integrados produzidos para o local. Entre eles estão afrescos e vitrais pintados por Alfredo Volpi; projeto paisagístico de Roberto Burle Marx; vitral da sacristia e peças de marcenaria desenhadas por Geraldo de Barros e fabricadas na Unilabor; e pia batismal, castiçais e seis luminária em cerâmica vitrificada criadas por Elizabeth Nobiling.

Há ainda a cena bíblica "No Caminho de Emaús", pintada por Yolanda Mohalyi, expoente do abstracionismo no Brasil, e que ficou escondida na sacristia sob camadas de tinta branca durante décadas. A obra foi redescoberta durante a restauração da capela, entre 2006 e 2008.

Pareceres técnicos usados como embasamento para o processo mostram que a capela funciona como elemento central em torno do estão localizadas as antigas oficinas da Unilabor, a casa do capelão (antiga residência do frei João Batista), edifícios de apoio à comunidade e os jardins.

"O tombamento é imperioso para que não apenas a comunidade possa praticar sua fé, mas também fomentar o convívio livre e resgatar o que este bem representa como perspectiva de país", disse o arquiteto Eduardo Pierrotti Rossetti, relator do processo de tombamento.

A conservação será feita em dois níveis: preservação integral da capela, muro, portão frontal e jardim, com recomendação de recuperação do desenho original de Burle Marx; e preservação da volumetria e das fachadas externas, galpões e casa do capelão, com possibilidade de adaptações internas dos edifícios.

Um estudo anexado ao dossiê técnico propõe limites para novas construções na vizinhança da capela, com o objetivo de evitar que prédios altos projetem sombra sobre a capela, o que pode comprometer a entrada de luz pelos vitrais e provocar problemas de umidade.

Outra restrição prevista é a proibição do uso de estacas cravadas por percussão em obras de fundação, tanto no próprio lote como em imóveis vizinhos —medida destinada a proteger a estrutura física frágil da capela.

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