Vinhedo de brasileiro na Argentina vira condomínio com lotes de até US$ 150 mil
RESUMO +
O ecossistema empresarial Next Group apresentará, em novembro de 2026, o Wine Ecosystem Mendoza, projeto no Vale do Uco com 100 lotes de US$ 100 mil a US$ 150 mil, vinhedos e comunidade de negócios. A primeira fase ocupa 37 hectares, 30 deles com vinhedos em produção, e tem potencial de vendas de US$ 10 milhões a US$ 15 milhões.
O projeto começa com uma viagem que não tinha relação com imóveis. O empresário Cláudio Amorim, fundador da Next Group, estava em Mendoza com amigos quando decidiu pegar um carro e percorrer a zona rural da região em busca de uma propriedade para comprar.
O passeio acabou dando origem a um projeto imobiliário que combina casas de alto padrão, produção de vinho e networking empresarial. No Vale do Uco, uma das principais regiões vitivinícolas de Mendoza, Amorim e seus sócios encontraram uma propriedade de 37 hectares (o equivalente a 370 mil metros quadrados), dos quais 30 hectares já são ocupados por vinhedos em produção.
“A gente já olhou uns 30 terrenos para chegar nesse”, afirma.
A primeira etapa do Wine Ecosystem Mendoza prevê a comercialização de 100 lotes residenciais, com preços entre US$ 100 mil e US$ 150 mil. Considerando o valor das unidades, o potencial bruto de vendas da fase varia de US$ 10 milhões a US$ 15 milhões.
A proposta, porém, não é apenas vender terrenos. Os compradores poderão adquirir diferentes combinações de produtos, incluindo o lote com participação na produção de vinho, uma participação na vinícola sem a compra do terreno ou apenas acesso ao clube de experiências e negócios.
A propriedade escolhida pelos sócios não era originalmente um empreendimento imobiliário. Era uma fazenda, e a negociação seguiu uma lógica diferente da incorporação tradicional brasileira.
Segundo Amorim, o grupo chegou a avaliar a possibilidade de fazer uma parceria com o proprietário do terreno, mas encontrou uma diferença cultural no mercado local.
“A gente queria muito fazer a incorporação, pegar um terreno lá e fazer isso com o dono do terreno. Só que lá eles não têm essa cultura de incorporar, porque são regiões rurais e a gente está falando como se a gente estivesse comprando uma fazenda na cabeça deles”, afirma.
A solução foi comprar diretamente a propriedade. “A gente já pagou sinal, agora está na fase documental, porque era uma fazenda, precisa desmembrar das outras. É por isso que a gente só está pegando esses 37 hectares”, explica.
O grupo ainda está regularizando a documentação da área e negociando a aquisição de outras propriedades vizinhas pertencentes à mesma família. A intenção é criar uma esteira de expansão para o projeto.

O valor estimado para transformar a uva colhida no produto final e entregar a garrafa pronta na mão do proprietário é entre US$ 6 e US$ 8 (Next Group/Reprodução)
O vinho é parte do imóvel — e do negócio
Dos 37 hectares adquiridos na primeira etapa, 30 hectares são de vinhedos em produção. As uvas cultivadas na propriedade já são comercializadas para vinícolas conhecidas da região, como Catena Zapata e Zuccardi.
A proposta do projeto é transformar essa produção em parte da experiência do empreendimento. Quem comprar um lote poderá optar também por uma participação na sociedade da vinícola. A gestão agrícola e a produção do vinho serão administradas pelo condomínio. O proprietário poderá ainda ter acesso ao Wine Club, com degustações, eventos gastronômicos e encontros empresariais.
Segundo o projeto, o custo estimado do condomínio ficará entre R$ 800 e R$ 900 por mês. O valor financia desde o manejo diário das videiras, poda e irrigação por água de degelo até o acompanhamento técnico e a colheita das uvas, administrados centralmente pela gestão do condomínio. Com isso, o investidor não precisa se preocupar em contratar mão de obra ou gerenciar a lavoura.
O valor estimado para transformar a uva colhida no produto final e entregar a garrafa pronta na mão do proprietário é entre US$ 6 e US$ 8, considerando custos de importação, frete e tributos. A ideia é que o vinho também possa ser utilizado como ferramenta de relacionamento. O proprietário poderá comercializar as garrafas ou produzir rótulos próprios para uso em eventos e presentes corporativos.
"Vinhos premium desse mesmo padrão e terroir no Vale do Uco não são vendidos no varejo brasileiro por menos de R$ 200, podendo atingir de R$ 250 a R$ 500 em restaurantes e cartas especializadas", afirma.
A escolha do Vale do Uco combina a tese imobiliária com a produção de vinho. A região tem irrigação proveniente do degelo dos Andes, amplitude térmica e elevada incidência solar, características que favorecem o cultivo de variedades como Malbec e Cabernet.
Para a Next Group, porém, o vinho é apenas uma parte da tese. Mendoza também funciona como destino turístico e espaço para encontros empresariais.
Amorim vê a região como um ambiente em que negócios, gastronomia e relacionamento podem se misturar. Grandes empresas já utilizam vinícolas locais para encontros de executivos e programas de liderança.
Nesse modelo, o imóvel deixa de ser apenas uma segunda residência. A proposta é que o comprador também tenha acesso a uma comunidade de empresários e investidores.
A próxima etapa é criar uma comunidade de negócios
A Next Group é um ecossistema formado por 22 empresas, com atuação em internacionalização, investimentos, aceleração de startups e educação corporativa. O grupo mantém operações no Brasil, Portugal, Irlanda, Estados Unidos e Cabo Verde.
No projeto de Mendoza, a companhia se associou ao empresário Solano Melo, do mercado imobiliário de alto padrão no Nordeste, e a um sócio argentino.
A primeira fase é apenas o início da estratégia. O grupo já mapeou e negocia a aquisição de mais dois ou três terrenos vizinhos, pertencentes à mesma família.
O cronograma prevê a apresentação institucional do projeto em novembro de 2026, o lançamento da marca e a pedra fundamental da vinícola em dezembro e as primeiras rodadas fechadas com investidores a partir de janeiro de 2027.
Entre março e abril, durante a vendimia, a temporada de colheita das uvas em Mendoza, a empresa pretende receber os primeiros investidores na região.
Perguntas frequentes
O que é o Wine Ecosystem Mendoza? +
O Wine Ecosystem Mendoza é um projeto da Next Group que combina casas de alto padrão, produção de vinho e uma comunidade de empresários e investidores no Vale do Uco, em Mendoza. A primeira fase prevê 100 lotes residenciais em uma área de 37 hectares.
Quanto custarão os lotes do Wine Ecosystem Mendoza? +
Os lotes custarão entre US$ 100 mil e US$ 150 mil. Com 100 unidades previstas, a primeira fase tem potencial bruto de vendas entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões.
Quais opções estarão disponíveis para os compradores? +
Os compradores poderão adquirir um lote com participação na produção de vinho, uma participação na vinícola sem comprar terreno ou apenas acesso ao clube de experiências e negócios. O Wine Club oferecerá degustações, eventos gastronômicos e encontros empresariais.
Quanto custará o condomínio do empreendimento? +
Segundo o projeto, o condomínio custará entre R$ 800 e R$ 900 por mês. O valor cobrirá o manejo das videiras, poda, irrigação, acompanhamento técnico e colheita das uvas.
Quanto custará produzir cada garrafa de vinho? +
O custo estimado para transformar a uva em vinho e entregar a garrafa ao proprietário varia de US$ 6 a US$ 8, com importação, frete e tributos. O proprietário poderá comercializar as garrafas ou criar rótulos para eventos e presentes corporativos.
Quando o Wine Ecosystem Mendoza será lançado? +
A apresentação institucional está prevista para novembro de 2026, seguida pelo lançamento da marca e pela pedra fundamental da vinícola em dezembro. As primeiras rodadas fechadas com investidores devem começar em janeiro de 2027.
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