Cabo Delgado. Ucrânia reafirma apoiar combate ao terrorismo

O embaixador da Ucrânia em Moçambique reafirmou esta quarta-feira a disponibilidade do seu país para apoiar os esforços de combate ao terrorismo em Cabo Delgado, região norte, dependendo esse apoio das necessidades identificadas pelo Governo moçambicano.
“Da nossa parte, da parte dos parceiros europeus, há toda a disponibilidade de providenciar a nossa experiência, o nosso apoio e tudo de melhor que a Ucrânia tem para combater o terrorismo”, declarou durante uma visita à província de Cabo Delgado o embaixador da Ucrânia em Moçambique, Rostyslav Tronenko, citado pela comunicação social.
Cabo Delgado, província rica em gás natural no norte de Moçambique, é palco de uma insurgência armada desde 2017, conflito que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,3 milhão de deslocados ao longo de nove anos, segundo dados de organizações internacionais.
“Nós não nos podemos intrometer nos assuntos internos. Cabe ao Presidente [moçambicano, Daniel Chapo] e ao Governo de Moçambique decidir que tipo de ajuda eles querem de nós”, afirmou Rostyslav Tronenko, acrescentando que a Ucrânia está disponível para prestar o apoio solicitado pelas autoridades moçambicanas.
As declarações surgem no mesmo dia em que o Governo moçambicano confirmou uma nova vaga de ataques, raptos e homicídios atribuídos a grupos extremistas em aldeias do distrito de Muidumbe, na província de Cabo Delgado.
Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), pelo menos 1.235 pessoas abandonaram as suas residências por receio de ataques insurgentes em quatro distritos de Cabo Delgado durante as duas últimas semanas de outubro.
De acordo com o mais recente relatório do mecanismo de monitorização de deslocações de emergência (ETT) da OIM, os movimentos envolveram 1.235 pessoas, correspondentes a 316 agregados familiares, nos distritos de Mocímboa da Praia, Macomia, Muidumbe e Meluco, entre 14 e 27 de outubro.
Os incidentes associados ao conflito na província aumentaram 10% no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o relatório “Moçambique: O custo da inação”, divulgado em setembro pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), que registou mais de 400 incidentes de conflito nos primeiros seis meses do ano.
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