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Thursday, November 5, 2026

Unapec quer discutir reforma tributária e rastreabilidade na pecuária

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A Unapec (União Nacional da Pecuária de Corte) quer ampliar a participação dos produtores rurais nas discussões que envolvem o futuro da pecuária brasileira. Criada a partir de uma articulação entre entidades estaduais, a associação pretende atuar na defesa de interesses comuns do setor e colocar em pauta temas como reforma tributária, rastreabilidade, sanidade animal e barreiras comerciais internacionais.

Segundo o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) e da Unapec, Guilherme Bumlai, a entidade já reúne representantes de oito estados brasileiros, que, juntos, concentram aproximadamente 65% do rebanho nacional e mais de 83% da carne exportada pelo país.

A proposta é construir uma representação nacional capaz de levar a posição dos pecuaristas às discussões sobre políticas públicas, mercado e exigências internacionais. Para Bumlai, o setor precisa ampliar a comunicação para além do próprio ambiente da produção rural e garantir que a visão dos produtores também seja considerada nos debates sobre a cadeia da carne.

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Um dos exemplos citados pelo dirigente foi a reação do mercado ao anúncio das tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Segundo ele, no mesmo dia em que a medida foi anunciada, a arroba do boi gordo recuou entre R$ 25 e R$ 30. Na avaliação de Bumlai, parte dos frigoríficos aproveitou o cenário para pressionar os preços, mesmo diante da expectativa de que os efeitos sobre o mercado seriam passageiros.

O presidente da Unapec afirmou que a entidade pretende dar mais espaço à perspectiva do produtor nas situações de instabilidade comercial, especialmente quando decisões internacionais provocam reflexos sobre os preços pagos ao pecuarista.

Reforma tributária no radar

Entre as prioridades da associação está a discussão dos efeitos da reforma tributária sobre a produção rural. Bumlai demonstrou preocupação com a incidência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) para produtores com faturamento anual superior a R$ 3,6 milhões.

De acordo com o dirigente, a alíquota estimada mencionada nas discussões é de aproximadamente 4,53%. Ele afirma que muitos pecuaristas ainda não têm clareza sobre as mudanças e os impactos que podem ocorrer a partir de 1º de janeiro.

A Unapec pretende aprofundar os estudos sobre a cobrança e buscar alternativas para evitar que o aumento da carga tributária recaia diretamente sobre o produtor rural. Uma das possibilidades citadas por Bumlai é discutir mecanismos de diferimento do recolhimento da CBS ao longo da cadeia produtiva.

Rastreabilidade e exigências internacionais

Outro tema que a associação pretende colocar em debate é a rastreabilidade individual dos animais. Embora reconheça a importância das exigências relacionadas à identificação e ao acompanhamento dos rebanhos, Bumlai defende que a implementação seja discutida com o setor produtivo.

A entidade também questiona a obrigatoriedade prevista para 2032 e quer aprofundar o debate sobre os prazos, os custos e os efeitos da medida para os pecuaristas.

A preocupação está relacionada também ao crescimento das exportações brasileiras de carne bovina. Na avaliação do dirigente, a posição do Brasil como maior exportador mundial amplia a exposição do país a exigências de mercados compradores, que podem utilizar argumentos sanitários e ambientais como barreiras comerciais.

Nesse cenário, a Unapec pretende atuar na defesa da pecuária brasileira, apresentando informações sobre os avanços ambientais e sanitários da atividade e buscando fortalecer a posição do setor diante de exigências internacionais.

A associação também quer reunir entidades estaduais para discutir outros assuntos de interesse da pecuária de corte, com o objetivo de construir posicionamentos conjuntos e ampliar a representatividade dos produtores nas decisões que afetam a atividade.

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