13h. Papa Leão XIV vai ser operado na próxima semana
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Vamos às notícias. Miguel, começamos este jornal com a notícia de que o Papa Leão XIV vai ser operado. Nos próximos dias vai remover um nódulo num pulmão.
O anúncio foi feito esta manhã pelo próprio líder da Igreja Católica durante a oração do Angelus. O Vaticano adianta que a cirurgia está agendada para o início da semana, sem especificar o dia em concreto. O tempo previsto de recuperação é de uma semana. O Papa Leão XIV explica que o nódulo foi detetado recentemente pela equipa médica que o segue.
Durante alguns exames de rotina, os médicos encontraram um nódulo circunscrito no meu pulmão. Foi detetado numa fase muito inicial e está bem localizado. Os médicos acreditam que é apropriado operar e, portanto, seguindo o conselho deles, decidi fazer uma cirurgia para o remover. A cirurgia está agendada para os próximos dias. Agradeço-vos e confio-me às vossas orações.
O Papa Leão XIV, na Praça de São Pedro, no Vaticano. Não foi revelado se a operação obriga a alterações de agenda. O Papa Leão XIV tem prevista uma viagem entre 16 e 17 de novembro à América Latina. A cirurgia vai ser realizada no Hospital Gemelli, a unidade de Roma que acolhe habitualmente os líderes da Igreja Católica. É nosso convidado desta edição da "Uma da Tarde", o médico pneumologista Carlos Rubal Cordeiro, diretor do Serviço de Pneumologia da Unidade Local de Saúde de Coimbra desde 2016, entre muitas outras coisas, que tornaria demasiado extensa esta apresentação. Bem-vindo, senhor doutor. Obrigado pela sua disponibilidade. É um problema grave? O fato do nódulo ter sido detetado numa fase inicial minimiza os riscos?
Boa tarde e muito obrigado pelo convite. Eu não tenho todas as informações, como calculo, e, portanto, devemos sempre ter alguma cautela na emissão destas palavras ou de decisões que se possam aqui, de alguma maneira, comentar. Mas, por um lado, parece haver dois motivos de satisfação e de alguma tranquilidade. Por um lado, o próprio Papa disse na homilia que foi um exame de rotina que detetou o nódulo. E isso muitas vezes acontece. Estes achados incidentais, casuais, são muitas vezes relacionados com nódulos benignos, portanto, relacionados com cicatrizes antigas, infecções anteriores, enfim, processos que não têm malignidade. Pode ser também, naturalmente, uma situação com caráter de malignidade. Eu não tenho essa informação, mas eventualmente, ainda relativamente limitado, tanto que vai avançar para cirurgia e portanto, seguramente, será esse o entendimento, porque deverá ser um nódulo que não tenha outras ramificações, nem mais nenhuma localização em outro lado. Também boa notícia, eu tive a oportunidade entretanto já de conversar com o meu colega diretor do Serviço de Pneumologia do Hospital Gemelli, no Vaticano, que naturalmente, com toda a reserva, não passa as informações, mas sempre foi dizendo que estavam bastante satisfeitos com a possibilidade de que a cirurgia possa resolver o problema. Portanto, são duas boas notícias e muito provavelmente não passará disto. O nódulo pulmonar, seja benigno, seja eventualmente não benigno, mas limitado, para as duas situações, a cirurgia pode eventualmente resolver o problema.
O fato de o Papa ser sujeito a uma cirurgia não nos fornece qualquer indício sobre a natureza deste nódulo, se é maligno ou benigno. Seria sempre sujeito a esta operação, independentemente de ser benigno ou maligno?
Sim, eu não sei. Portanto, provavelmente não houve abordagem do nódulo para se fazer biópsia, para se saber, de facto, a origem e a sua benignidade ou malignidade. Não deve ter havido, no cálculo, e a decisão é avançar já para uma cirurgia, porque provavelmente tem uma pequena dimensão. Só os nódulos de grande dimensão é que podem, com segurança, ser avaliados por biópsia. E, portanto, eu não tenho outras informações sobre o tamanho do nódulo, as características morfológicas, a sua localização, que também, apesar de tudo, dão informação que pode ser relevante na perspetiva do maior risco de malignidade. Mas seja como for, esta é a decisão que tem que ser tomada a partir do momento em que se identifica o nódulo de pequenas dimensões, isolado, como poderá ser o caso. Esta é a decisão e o mais rápido possível. De facto, é o que vai acontecer, pelos vistos, já no princípio da semana. E portanto, tenhamos esperança de que, na realidade, tendo sido casual o achado, digamos, por um check-up ou uma radiografia de rotina, não faço a mínima ideia, e havendo também esta informação de que a equipa médica considera que muito provavelmente esta cirurgia vai resolver a situação, é animador.
Senhor professor, já que sublinhamos este fato, a intervenção vai acontecer no início da próxima semana. Tendo em conta o tempo de recuperação, estará o Papa em condições de cumprir a viagem à América Latina, agendada para os dias entre 6 e 17 de novembro? Qual é o tempo de recuperação de uma intervenção deste gênero?
É rápido, porque hoje as cirurgias são menos invasivas. A abordagem é muito limitada, não são cirurgias tão pesadas como antigamente se fazia e, portanto, julgo que muitas das vezes, uma semana é um tempo bom de recuperação para fazer viagem mais uma ou outra semana. Estamos a quatro semanas, se não me engano, dessa deslocação, portanto, julgo perfeitamente realizável.
Professor, imagino que fumar seja um fator de risco para o aparecimento de nódulos. Não há indicação, pelo menos fizemos aqui uma pesquisa maturada pela internet para tentar perceber se o Papa Leão XIV era ou não fumador. Não há indicação de que o seja. Fumar deve ser um fator de risco. Há outros que podem influenciar o aparecimento destes nódulos?
Isso evidentemente que é um fator de risco. O tabaco, também a existência da doença maligna em familiares diretos ou no próprio. E depois as características do nódulo. As características são muito importantes, a sua morfologia, a sua densidade, mas de facto o tabagismo e histórico de doença oncológica pessoal ou familiar são também fatores de riscos muito significativos.
Professor.
Estamos a falar no escuro, não é?
Claro, sem termos todas as informações e o perfil clínico do Papa Leão XIV. Aconselhava fazer rastreio ao cancro do pulmão? Sim, a partir de que idade e com que frequência?
Isso é uma excelente possibilidade que me deixa, porque isto também prova essa necessidade de que as pessoas com mais de 50 anos, fumadores, com uma carga tabágica já importante, que tenham fumado, enfim, pelo menos durante 25 anos, um maço de tabaco por dia, ou seja, com uma carga tabágica superior a 25 unidades maço/ano, com mais de 50 anos, são obviamente candidatos a rastreio do cancro do pulmão. E aqui está uma prova de facto de que isso é importante.
Professor, muito obrigado pela sua presença. Sei que está ausente do país. Muito obrigado pela disponibilidade que manifestou para nos dar estas explicações, que julgo que têm também um caráter pedagógico para quem nos ouve, a pretexto desta notícia dada pelo próprio Papa Leão XIV. Foi detetado um nódulo no sumo pontífice, vai ser sujeito a uma intervenção cirúrgica no início da próxima semana.
Está marcado para amanhã um debate dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia sobre a escalada da tensão na região do Médio Oriente.
Anúncio feito pela chefe da diplomacia dos 27 Estados-membros, na sequência do ataque do movimento Huti ao aeroporto de Riad, na Arábia Saudita, numa publicação na rede social X. Kaja Kallas descreve o ataque como um focante ato de terrorismo. Diz que não há justificação para ataques indiscriminados contra civis e infraestruturas civis. Pelo menos 12 pessoas morreram, mais de 300 ficaram feridas.
Há também uma reação da presidente da Comissão Europeia. Alerta que o ataque dos Hutis no aeroporto de Riad marca uma escalada perigosa na guerra do Médio Oriente.
Ursula von der Leyen manifesta solidariedade com o povo saudita. Na rede social X, alerta que os ataques levados a cabo por aliados do Irão estão a conduzir a região do Médio Oriente a uma espiral de violência. Na análise, a especialista em Relações Internacionais, convidada do Gabinete de Guerra desta manhã, Liliana Reis, fala numa possível nova frente de guerra para os Estados Unidos, tendo em conta a aliança histórica de Washington com a Arábia.
Vai impelir, naturalmente, os Estados Unidos a intervir para a proteção do seu aliado, da Arábia Saudita. O que nós podemos ter aqui é uma frente, e deve merecer a preocupação dos europeus, que pode também comprometer, do ponto de vista da segurança marítima, o Estreito de Bab-el-Mandeb, e também a navegação no Mar Vermelho. Se nós já temos o Estreito de Ormuz bloqueado e que nos tem provocado, do ponto de vista económico, os constrangimentos que tem provocado, se porventura o Estreito de Bab-el-Mandeb também ficar condicionado, naturalmente que sairão daqui problemas adicionais.
Há receio de uma escalada do preço dos combustíveis, sendo que esta manhã o barril de Brent, que serve de referência para Portugal e também para a Europa, estava a ser negociado a $104. A Arábia Saudita anunciou, entretanto, uma operação militar em grande escala contra os Hutis, uma resposta a este ataque. Trump admite juntar-se a esta intervenção militar.
Vamos a outras notícias em destaque a esta hora, Miguel.
Já foi retomada a circulação automóvel na A1, na zona de Aveiro. Esteve cortada na sequência de um acidente de um camião. O trânsito foi, entretanto, reaberto nos dois sentidos. Informação confirmada à Rádio Observador por fonte oficial da Brisa. Na sequência do acidente, não há registo de feridos. O presidente da Ucrânia exige o fim dos ataques da Rússia, condição para cessarem os ataques de Kiev a refinarias de petróleo. Este foi um pedido do presidente dos Estados Unidos, sendo que Donald Trump sugeriu também que a Ucrânia devia ter um novo presidente. Na reação, Zelensky disse que primeiro tem de ser a Rússia a parar a ofensiva. Miguel Oliveira ficou em quarto na corrida Superpole deste domingo, no Estoril, na 11ª e penúltima etapa do Mundial de Superbikes. O piloto de 31 anos da BMW esteve na terceira posição durante quase toda a corrida, mas falhou o pódio ao deixar-se ultrapassar pelo italiano Alberto Surra na última das nove voltas. E já está em marcha o Grande Prêmio de Singapura em Fórmula 1, cumpridas as primeiras cinco de 62 voltas. Max Verstappen, que saiu da primeira linha da grelha, por lá se mantém.
Com Charles Leclerc no segundo lugar e Hamilton em terceiro. Foi assim que arrancou a corrida, é assim que está a decorrer nesta quinta volta ao traçado citadino de Singapura. Há mais notícias na Rádio Observador à 13h30.
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