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Monday, October 26, 2026

Minas Gerais: o barómetro que decide o Brasil

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Minas Gerais está debaixo de olho na segunda volta das eleições presidenciais no Brasil. O estado tem coincidido com o vencedor nacional em todas as eleições presidenciais desde 1989, pelo que é considerado um barómetro eleitoral. Na primeira volta, a 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente de Lula da Silva (PT). O atual Presidente precisa agora de recuperar esta diferença se quiser contrariar a vantagem do adversário no estado.

Com mais de 16,3 milhões de eleitores, o equivalente a 10,32% do eleitorado brasileiro, Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, a seguir a São Paulo. A dimensão, a diversidade social e económica e a divisão entre esquerda e direita fazem do estado um território decisivo para os dois candidatos. O portal G1 refere que Minas Gerais é também conhecido como um “estado-pêndulo“, por oscilar entre as diferentes forças políticas, e como um “espelho” do Brasil, por reunir características semelhantes às de várias regiões do país.

A primeira volta confirmou a divisão do eleitorado mineiro. Flávio Bolsonaro obteve 48,24% dos votos, contra 43,33% de Lula, uma vantagem de cerca de 589 mil votos. Apesar disso, o Presidente brasileiro venceu em mais municípios: conquistou 452 das 853 cidades do estado, enquanto o candidato do PL ficou à frente em 401. A diferença entre os dois resultados mostra como a distribuição geográfica do voto não corresponde necessariamente ao peso eleitoral de cada região.

Entre as dez cidades mineiras com mais eleitores, Flávio Bolsonaro venceu em nove, incluindo Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Betim, Montes Claros e Ipatinga. Lula ganhou apenas em Juiz de Fora. O candidato do PL teve também vantagem no Sul de Minas, no Triângulo Mineiro, no Alto Paranaíba e na Região Central.

Eleitos no estado de Minas Gerais desde o fim da Ditadura Militar (1989)

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Desde o fim da ditadura militar, quem ganhou em Minas Gerais acabou por conquistar a Presidência da República.

1989: Fernando Collor (PRN)

1994: Fernando Henrique Cardoso (PSDB)

1998: Fernando Henrique Cardoso (PSDB)

2002: Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

2006: Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

2010: Dilma Rousseff (PT)

2014: Dilma Rousseff (PT)

2018: Jair Bolsonaro (PSL)

2022: Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

O problema da abstenção e intensificação da campanha

A abstenção é outro fator a acompanhar nesta segunda volta — que até ao momento tem oscilado: ora Lula ocupa o primeiro lugar, ora Bolsonaro passa para número um. No dia 4 de outubro, 3,7 milhões de eleitores mineiros não votaram, o que equivale a 22,8% do eleitorado, acima dos 21,08% registados a nível nacional. A mobilização destes eleitores poderá influenciar o resultado final num estado onde os dois candidatos mantêm bases eleitorais expressivas.

As escolhas dos locais da campanha também revelam as estratégias de Lula e Flávio para conquistar votos. A 16 de outubro, o Presidente visitou Juiz de Fora, a única das dez maiores cidades mineiras onde tinha vencido, e Ipatinga, onde o adversário conseguiu uma vantagem de 29 pontos percentuais na primeira volta. Na quarta-feira, voltou a mobilizar apoiantes numa caminhada pelo centro de Belo Horizonte, acompanhado por aliados políticos, entre os quais o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e a senadora eleita Marília Campos.

Flávio Bolsonaro escolheu, por seu turno, Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, para a primeira visita ao estado durante a campanha para a segunda volta, a 15 de outubro. A cidade foi uma das poucas da região onde conseguiu superar Lula na primeira votação. Este sábado, véspera das eleições, o candidato do PL deslocou-se a Belo Horizonte, acompanhado por aliados como o deputado federal reeleito Nikolas Ferreira.

A divisão política que é apanágio neste estado

A divisão política do estado também ficou patente nas legislativas. Nas eleições para o Senado, Minas Gerais elegeu dois representantes de partidos opostos: Domingos Sávio, apoiado por Flávio Bolsonaro, e Marília Campos, apoiada por Lula.

Na Câmara dos Deputados, o PL, partido de Flávio Bolsonaro, elegeu 21 dos 53 deputados do estado, enquanto o PT, partido de Lula, elegeu 13, em conjunto com outros partidos da mesma coligação. Nikolas Ferreira, aliado de Flávio Bolsonaro, foi o deputado mais votado do Brasil, com mais de 3,1 milhões de votos.

A mesma tendência verificou-se na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde o PL elegeu 21 deputados e o PT ficou com 15.

Já na eleição para governador, Cleitinho Azevedo, do Republicanos, venceu logo na primeira volta, com 55,40% dos votos. Apesar de apoiar Flávio Bolsonaro na segunda volta presidencial, discordou do candidato sobre o fim da escala de trabalho de seis dias seguidos por um de descanso (6×1).

Desde 1989, o candidato mais votado em Minas Gerais coincidiu sempre com o vencedor das presidenciais brasileiras, uma tendência que reforça a importância do resultado deste domingo. Na primeira volta nacional, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos, enquanto Lula conseguiu 45,16%.

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