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Wednesday, October 7, 2026

Plano&Plano aposta na formação de mão de obra própria para desenvolver seus futuros líderes

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A falta de profissionais qualificados virou um dos principais gargalos da construção civil. Na Plano&Plano, a resposta foi olhar para dentro da própria operação: há mais de dez anos, a companhia mantém uma estrutura dedicada a formar profissionais para atuar em suas obras.

A Escola de Engenharia combina experiência prática, treinamento e uma trilha de desenvolvimento dentro da operação. Ao longo desse período, cerca de 500 profissionais passaram pelos programas de capacitação da empresa.

O programa ganhou peso à medida que a construtora ampliou o volume de projetos. Segundo Wilson Muniz, gerente de Controladoria de Obras da Plano&Plano, a estrutura de Engenharia cresceu 38% de 2024 para 2025, e a expectativa da companhia é avançar mais de 30% em 2026.

Hoje, a operação reúne quase 70 canteiros, mais de 7000 profissionais diretos e indiretos ligados às obras e mais de 45 mil unidades habitacionais dos empreendimentos em construção.

Uma operação desse tamanho exige uma oferta constante de engenheiros, gestores e trabalhadores especializados. O problema é que a disponibilidade desses profissionais nem sempre acompanha a demanda.

A dificuldade levou a empresa a atuar em duas frentes: mudar a forma de construir e antecipar a formação de profissionais.

Formação começa ainda na faculdade

A Escola de Engenharia nasceu de uma necessidade da própria operação. Em vez de esperar que os profissionais chegassem prontos ao mercado, a companhia passou a participar mais cedo da formação de quem pretende seguir carreira na construção.

O profissional pode entrar como estagiário e passar aproximadamente dois anos em um plano de desenvolvimento. Nesse período, participa da rotina das obras, recebe treinamento e é acompanhado pelos gestores da área.

Depois do estágio, os participantes podem ser efetivados como assistentes de Engenharia e avançar para posições de analista. A sequência inclui a preparação para funções de gestão, como gerente de obra, gerente geral, superintendente e diretor.

Os resultados dessa estratégia também aparecem na liderança atual da companhia. Gustavo Augusto Trombelli, diretor de Engenharia da Plano&Plano, começou sua trajetória na empresa como estagiário, em 1999, e passou por diferentes posições até chegar à diretoria. Filipe Gilmore é outro exemplo desse modelo de desenvolvimento: iniciou como estagiário de Engenharia Civil, em 2010, e avançou por cargos de engenheiro civil, gerente de obra e gerente geral de obra — função que ocupa atualmente. Hérica Silva também construiu sua carreira dentro da companhia. Contratada como estagiária em 2015, passou por diferentes etapas de desenvolvimento até assumir a posição de gerente de obra.

Para Muniz, o desenvolvimento interno ajuda a reduzir o período de adaptação de quem assume novas responsabilidades. O profissional já conhece os processos, os padrões de qualidade e a maneira como a empresa organiza suas obras.

“É muito mais fácil a gente formar um profissional internamente do que, muitas vezes, trazer alguém de outra companhia até ele se adaptar aos processos”, afirma.

À medida que novas obras são iniciadas, o modelo também cria uma sequência de sucessão. Quando um profissional avança para uma posição de liderança, abre espaço para que alguém em início de carreira assuma novas responsabilidades.

A formação, portanto, passa a responder a uma questão diretamente ligada ao negócio: como ampliar a capacidade de execução em um mercado no qual encontrar profissionais está cada vez mais difícil.

Tecnologia muda a forma de construir

A falta de mão de obra qualificada já influencia as escolhas construtivas da empresa. De acordo com Muniz, boa parte dos empreendimentos é executada em alvenaria estrutural, sistema em que os blocos assumem função estrutural no edifício. A técnica demanda equipes especializadas para assegurar a qualidade da execução e o cumprimento dos prazos da obra.

Diante da dificuldade crescente para contratar profissionais qualificados, a empresa criou uma área de Inovação em Engenharia voltada à pesquisa e adoção de novos métodos construtivos, tecnologias, materiais e processos. A estratégia busca elevar a produtividade dos canteiros, reduzir desperdícios e aumentar a eficiência das obras, mantendo os padrões de qualidade e segurança exigidos pela companhia.

A adoção dessas ferramentas, porém, não elimina a dependência de profissionais qualificados. De acordo com Muniz, mesmo os processos mais industrializados exigem equipes preparadas para operar, fiscalizar e coordenar as atividades em obra. Por isso, a modernização dos sistemas construtivos tem sido acompanhada por iniciativas voltadas à capacitação da força de trabalho.

Formação se espalha pelo canteiro

O modelo começou na Engenharia, mas deixou de ficar restrito aos engenheiros. A Plano&Plano passou a desenvolver também mestres de obras, encarregados e profissionais das áreas administrativa, elétrica e hidráulica. A ideia é permitir que trabalhadores que entram em posições operacionais também possam assumir funções de maior responsabilidade ao longo da carreira.

Outra frente é ampliar a presença de mulheres em áreas historicamente masculinas da construção. Segundo Muniz, aproximadamente 40% dos cargos de liderança da Engenharia são ocupados por mulheres. A companhia também mantém iniciativas de formação para atividades como elétrica, hidráulica e almoxarifado.

No fim, a questão para a construtora é menos sobre encontrar uma solução única para a falta de mão de obra e mais sobre reduzir a dependência de um mercado que não consegue repor profissionais na mesma velocidade em que as obras avançam.

Para uma empresa em expansão, formar dentro de casa deixa de ser apenas uma iniciativa de desenvolvimento de carreira e passa a fazer parte da própria estratégia para colocar novas obras de pé.

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