Eleições regionais na Alemanha são decisivas para o futuro do chanceler Friedrich Merz
Coube ao senador das Finanças de Berlim, Stefan Evers, assumir a candidatura da CDU e tentar reverter a perda de credibilidade do partido. A sigla registra uma queda significativa nas pesquisas, em relação à eleição de 2023, mas, com 20% das intenções de voto, trava uma disputa pela liderança com o partido de esquerda Die Linke. Mesmo que a CDU saia vitoriosa, seria muito difícil manter a prefeitura, uma vez que os partidos de esquerda tendem a privilegiar alianças entre si.
O Die Linke aposta em sua cabeça de chapa, Elif Eralp, e em um "efeito Mamdani". Assim como o prefeito de Nova York, a candidata de Berlim defende um programa de esquerda radical que prevê, entre outras medidas, a desapropriação de grandes empresas imobiliárias para combater o principal problema dos berlinenses: a crise habitacional e os altos custos da moradia.
A advogada de 45 anos também tem origem estrangeira, assim como o prefeito de Nova York. Seus pais, militantes contra o regime autoritário turco, fugiram do país pouco antes de seu nascimento.
O Die Linke, que multiplicou o número de filiados, rejuvenesceu profundamente, mas também se radicalizou. Declarações de diversos integrantes do partido suscitam acusações de antissemitismo. Caso o Die Linke saia vitorioso e negocie com os outros dois partidos de esquerda, os ecologistas e os social-democratas do SPD, a formação de uma coalizão - tema extremamente sensível na Alemanha - virá à tona.
As desapropriações propostas por Elif Eralp foram rejeitadas pelo candidato do SPD. Mas o partido, que atualmente governa Berlim em parceria com os conservadores, vem perdendo força.
Um chanceler sob pressão
A derrota acachapante prevista para a CDU em Mecklemburgo e a possível perda simbólica da capital alemã representariam dois fracassos graves para o chanceler. Friedrich Merz já convocou uma reunião das lideranças da CDU para o fim da tarde deste domingo, uma medida incomum. O presidente do partido democrata-cristão poderá pedir aos correligionários o apoio que os eleitores lhe negam, numa tentativa de consolidar seu poder.
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