Noel gosta de ensaiar, Liam nem tanto — e mais 5 revelações do documentário do Oasis

Início » Música » Noel gosta de ensaiar, Liam nem tanto — e mais 5 revelações do documentário do Oasis
Os irmãos Gallagher abriram as portas para os fãs em ‘Don’t Look Back in Anger’, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta (10): ‘Eu tinha me esquecido de como ele era engraçado’, diz Noel sobre Liam
Rolling Stone
Antes dos lendários shows em Knebworth, das sessões de gravação caríssimas, das brigas regadas a metanfetamina, da “Batalha do Britpop” e da baderna generalizada, Liam e Noel Gallagher, do Oasis, eram apenas dois irmãos tentando se tornar os próximos Beatles. Trinta e cinco anos após a fundação da banda, a ascensão dos irmãos Gallagher — de rapazes da classe trabalhadora a deuses do rock britânico com o Oasis — tornou-se uma lenda. Mas, embora tenham lançado álbuns que definiram uma geração — Definitely Maybe (1994) e (What’s the Story) Morning Glory? (1995) —, foi a relação conflituosa entre os irmãos que acabou marcando a identidade da banda. Seus sonhos de estrelato no rock’n’roll pareciam estar sempre à beira do colapso.
Nos melhores momentos, as provocações e o jogo de gato e rato entre os Gallaghers rendiam histórias divertidas para contar aos amigos no pub (lembra quando Noel chamou Liam de “um homem com um garfo num mundo de sopa”?). Mas, nos piores momentos, desavenças imaturas transformavam-se em brigas ferozes e cheias de rancor. As provocações, tanto no palco quanto fora dele, acabaram por separá-los, levando ao fim da banda em 2009.
Os caminhos dos Gallaghers se separaram, e eles se dedicaram a projetos solo e colaborações ao longo dos anos; Noel fez as pazes com Damon Albarn, vocalista do Blur, ao participar de uma faixa do Gorillaz em 2017, enquanto Liam se uniu a John Squire (ex-Stone Roses) para um álbum em 2024.
Dizem que os irmãos passaram cerca de 15 anos sem sequer dividir o mesmo ambiente. Por isso, quando o Oasis anunciou, dois anos atrás, que se reuniria para uma turnê mundial, a empolgação veio acompanhada de certa apreensão. Dado o histórico de turnês que costumavam trazer à tona o pior lado dos Gallaghers, como eles conseguiriam fazer isso dar certo? Mesmo quando o show de abertura da turnê, no País de Gales, estava prestes a começar, pairava o receio de que eles não conseguissem deixar para trás as antigas mágoas.
E então aconteceu. Eles arrasaram em palcos ao redor do mundo, com fãs de longa data e admiradores mais jovens lotando seus shows gigantescos. Com o clima de harmonia reinando, surgiram muitos rumores sobre um documentário e músicas inéditas; Os irmãos repetidamente negaram e brincaram sobre os rumores, mas acabaram confirmando a notícia com o lançamento de Oasis: Don’t Look Back in Anger, documentário oficial que registra o retorno da banda. O filme, dirigido por Will Lovelace e Dylan Southern, imortaliza a celebração que uniu diferentes gerações no verão passado, ao mesmo tempo em que explora a nova admiração que um irmão passou a sentir pelo outro. Aqui estão seis coisas que aprendemos com o filme.
1. Noel gosta de ensaiar; Liam, (talvez) nem tanto
Don’t Look Back in Anger começa mostrando um Noel barbudo chegando para o primeiro dia de um período de seis semanas de ensaios do Oasis. Conforme os ensaios avançam, Noel comenta em narração que pretende trabalhar duro para aperfeiçoar o repertório durante essas semanas, para que possam ficar mais à vontade e aproveitar a turnê. Ele rapidamente ajusta o arranjo de “Columbia” com a postura de um professor de música rigoroso, porém bem-intencionado, e mais tarde aparece tocando violão enquanto acompanha “Half the World Away“.
Enquanto isso acontece, Liam ainda não apareceu na tela. No dia em que finalmente chega, ele entra com firmeza e faz o seu trabalho, mas há pouca conversa entre os irmãos, e a edição do documentário transmite a impressão de uma tensão persistente entre a dupla. Noel lhe dá uma orientação sobre como cantar o final de “Slide Away” (Liam ri da observação, mas acaba aplicando a dica durante a turnê); em outra cena, Liam canta o verso final de “Champagne Supernova” — a música que encerra o show —, pega sua bolsa esportiva da Adidas e sai da sala de ensaio antes mesmo de as últimas notas soarem. Em qualquer outra banda, isso seria considerado uma atitude inaceitável. Mas todos levam na brincadeira, e Noel diz mais tarde que respeita a postura despreocupada de Liam.
2. Os irmãos Gallagher não acreditavam no público ao redor do mundo, especialmente na América
Ao longo de Don’t Look Back in Anger, os Gallaghers sempre voltam a um ponto específico: eles não conseguem nem descrever a euforia que emanava da multidão em cada cidade (com um chefe de polícia galês descrevendo o comportamento dos fãs como uma “mentalidade de manada semelhante à de uma torcida de futebol”). Noel conta que teve um “apagão” e não se lembra dos primeiros 40 minutos da noite de estreia em Cardiff, no País de Gales. Embora já estivessem impressionados com o fervor religioso que vivenciaram na Inglaterra, no País de Gales, na Escócia e na Irlanda, suas próximas apresentações os levariam à América do Norte, onde tiveram uma recepção, digamos, “morna” (nas palavras dos próprios Gallaghers). Mas isso mudou: as imagens do filme mostram a festa continuando até que Liam declara: “Finalmente despertamos a América”.
3. A herança irlandesa e a criação em Manchester são fundamentais para a identidade do Oasis…
Para quem não sabe, Liam e Noel foram criados por imigrantes irlandeses da classe trabalhadora em Manchester, na Inglaterra, e fazem questão de exibir essa origem. Os irmãos Gallagher apontam que algumas de suas músicas — como “Some Might Say“, um dos destaques do álbum (What’s the Story) Morning Glory? — misturam melancolia e otimismo para refletir sua identidade irlandesa. Reza a lenda que a imagem de classe trabalhadora do Oasis não ressoou apenas entre os moradores de Manchester que frequentavam os mesmos lugares que eles, mas também entre fãs de todo o mundo que encontraram esperança em suas músicas. Um fã coreano que aparece no documentário coloca de forma tocante: “O Oasis cai com você.”
4. …Assim como o guitarrista Bonehead
O guitarrista base Paul “Bonehead” Arthurs voltou a fazer turnê com o Oasis após deixar a banda em 1999. Embora ele faça muitas piadas ao longo do documentário para manter o astral do grupo elevado, Noel afirma que o Oasis deve muito a Bonehead: “Ele é a porra do som do Oasis”, diz. Após a saída de Bonehead, Noel buscou replicar a sonoridade do guitarrista durante a última década da trajetória original do Oasis.
5. Noel reconhece que fãs mais jovens lotaram seus shows
Don’t Look Back in Anger é, em partes iguais, um filme-concerto e um retrato em vídeo dos fanáticos pelo Oasis que aguardavam há muito tempo pelo retorno da banda. A mentalidade de “viva cada dia como se fosse o último” cultivou uma base de fãs jovem e despreocupada nos anos 90; em uma narração em off, Noel reconhece que o público da turnê Live ’25 ainda era majoritariamente jovem — algo que ele atribui ao fato de os pais dessas gerações mais novas terem passado adiante o amor pelo Oasis. As músicas têm um significado diferente para Noel agora, após a turnê de 2025, e os fãs não conseguem deixar de se perguntar se eles planejam continuar com uma turnê em 2027.
6. Os irmãos respeitam um ao outro, com todos os seus defeitos
“Não é [mais] uma disputa de poder”, diz Liam perto do final de Don’t Look Back in Anger. Pequenas desavenças relacionadas à personalidade de cada um dos Gallaghers teriam inviabilizado uma turnê 30 anos atrás, mas agora eles respeitam as diferenças um do outro enquanto reconhecem sua própria arrogância. Em uma cena, Noel relembra como o single “Supersonic” começa com a letra cheia de atitude “Preciso ser eu mesmo / Não posso ser mais ninguém”, e como Liam passou a vida inteira vivendo de acordo com essa postura desinibida. O próprio Liam diz: “é preciso se importar muito para não dar a mínima”.
Noel também elogia o estilo descolado de Liam (parka da Stone Island, óculos escuros grandes, pandeiro usado como acessório de cabeça) e a forma como sua persona de frontman ressoou com fãs ao redor do mundo. Liam descreve a reconciliação como um enorme peso sendo retirado de seus ombros: “Tudo foi perdoado sem que uma palavra fosse dita”, diz, mostrando-se radiante por finalmente estarem tocando músicas do Oasis juntos novamente, como sempre deveria ter sido.
Ao longo do documentário, Liam e Noel aparecem em suas primeiras entrevistas conjuntas em 20 anos e contam como os bons momentos continuam também fora do palco, inclusive com conversas por mensagem de texto: “As brigas acabaram”, diz Noel. Para outras famílias, isso é algo natural, mas para os Gallaghers é um grande marco; eles brincam sobre compartilhar posts engraçados nas redes sociais, enquanto seus respectivos filhos (incluindo Gene, Anaïs, Lennon e Donovan) se tornaram melhores amigos. “Eu tinha esquecido o quanto ele é engraçado”, diz Noel, rindo ao falar de Liam.
Oasis: Don’t Look Back In Anger estreou nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 10 de setembro. Confira o trailer:
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.