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Wednesday, October 21, 2026

Estiagem prolongada no Amazonas faz mais de 40 cidades decretarem situação de emergência

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Em um dos principais pontos de ancoragem de embarcações de Parintins, no interior do estado, um braço do Rio Amazonas secou antes do esperado. Desde o fim de setembro, só é possível acessar a região a pé. Quem trabalha oferecendo travessia sente o impacto da seca.

“A nossa renda é aqui. Então, se não tiver canoa, não tiver barco para vigiar, onde vai entrar o dinheiro? Ano passado, em novembro, ainda tinha água aqui. Bem pouco, mas ainda tinha água. Outubro, e já está assim, nesse estado”, conta a autônoma Debora Valente.

Parintins está entre os 41 municípios que decretaram emergência com a estiagem. Outras 16 cidades estão em alerta. Mais de 102 mil famílias foram afetadas pela seca.

Estiagem prolongada no Amazonas faz mais de 40 cidades decretarem situação de emergência — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Em Manaus, na orla da cidade, as embarcações que transportam mercadorias e passageiros para o interior estão longe da margem. O Rio Negro está com 17,12 m – 2,79 m abaixo da marca registrada no mesmo período de 2025.

Em um bairro banhado por lagos, a água que geralmente chega perto das árvores está recuando dia a dia. Com o canal mais estreito, apenas pequenas embarcações ainda conseguem passar. Este é o principal acesso a 30 comunidades ribeirinhas. Abel Aparecido, presidente da comunidade Santa Luzia, vive na região. Ele explica que os moradores dependem do rio para tudo:

“Tem mais de 3 mil pessoas aqui dentro que acabam ficando isoladas, com grande dificuldade de ajuda humanitária, de água”.

A Defesa Civil do Amazonas informou que faz entregas contínuas de suprimentos à comunidades vulneráveis. A superintendente regional do Serviço Geológico Brasileiro explica que o fenômeno El Niño deve prolongar a redução dos rios:

“Há um processo de vazante ainda em andamento e com tendência a continuar nas próximas semanas. A região como um todo está sendo afetada pelo fenômeno climático do El Niño e que, neste ano, tem uma característica de se estender um pouco mais, por exemplo, até o início de novembro”, afirma Jussara Cury, superintendente regional do Serviço Geológico Brasileiro.

Além da vazante, só em outubro, o Amazonas registrou mais de 1,9 mil focos de queimadas. Já são 13 dias de fumaça sobre Manaus e cidades da Região Metropolitana. Nesta terça-feira (20), a base da Força Nacional do SUS iniciou as atividades de apoio a emergências na capital. O número de presos suspeitos de colocar fogo em regiões de mata subiu para 16.

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