'O Bope fazia parte dele', diz ex-mulher de subtenente morto em tiroteio entre PMs

Glaucio deixa três filhos e completaria 26 anos na Polícia Militar em dezembro. A maior parte da carreira foi dedicada ao Bope, unidade da qual, segundo a ex-mulher, ele era apaixonado.
"O Gláucio era um apaixonado pelo trabalho dele. Ele falava que aquilo ali fazia parte dele. Não é que ele fazia parte do Bope. o Bope fazia parte dele.", disse ela.
A morte ocorreu na madrugada de domingo (11), na Rua Guilherme Moreira, conhecida como Beco do Saci, um dos acessos à comunidade da Gardênia Azul.
Segundo a Polícia Militar, agentes do Bope que estavam fardados e em uma viatura caracterizada abordavam o motorista de um carro quando foram confundidos com criminosos por policiais do Batalhão de Jacarepaguá, que atiraram contra eles.
Agente do Bope morto perdeu irmão há 1 ano no Rio — Foto: Reprodução
20 minutos de tiros
Moradores da região relataram uma intensa troca de tiros durante a madrugada. Uma câmera de segurança de um condomínio próximo registrou o barulho dos disparos.
Uma pessoa que mora na região há 43 anos contou que acordou assustada com o tiroteio e procurou abrigo dentro de casa.
"A gente tava dormindo, normal, meio da madrugada. Começou um tiroteio assustador, a gente acordou com o barulho. Eu moro aqui há quarenta e três anos, nunca passei por isso dessa magnitude assim, foram vinte minutos incessantes", disse o morador.
A testemunha disse que foi para o corredor da casa para tentar se proteger dos tiros.
"Eu tive que sair da minha cama e ir pro corredor (...) como eu não sabia da onde vinha, tentar me proteger mais, ter mais paredes pra um tiro desse tipo atravessar. Eu fiquei ali meia hora esperando que a coisa acalmasse", completou.
Tiroteio deixa um PM do Bope morto e outros quatro agentes feridos na Gardênia Azul — Foto: Reprodução
Outros policiais ficaram feridos
Além de Glaucio, outros policiais foram atingidos durante o tiroteio. Dois deles tiveram alta e compareceram ao enterro, ainda com curativos em uma das mãos e em uma perna. Eles não quiseram gravar entrevista.
Três policiais continuavam internados no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, segundo as informações da reportagem.
A Polícia Militar afirmou que a confusão ocorreu por causa da baixa luminosidade no local. Moradores também relataram que a rua é muito escura.
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) fez perícia no local e recolheu cápsulas que estavam espalhadas pelo chão e em veículos da Polícia Militar. Os agentes envolvidos na ação já foram ouvidos.
A ex-mulher de Glaucio afirmou que a família quer entender como a informação sobre a presença dos policiais do Bope foi transmitida aos agentes do outro batalhão.
"A gente quer entender exatamente o que aconteceu porque de primeira mão foi passado pra nós que não houve uma comunicação e nós já sabemos que foi feita uma comunicação"
"A gente quer entender quem foi comunicado, essa pessoa passou a comunicação pra todo o batalhão ou porque, se sabiam que estava naquela área, porque que aconteceu isso tudo?", questionou.
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