'Seis por meia dúzia e menos pior': quem os indecisos acham que ganhou o debate da Globo
RESUMO +
Uma pesquisa qualitativa da Alfa Inteligência com eleitores indecisos apontou Flávio Bolsonaro como o candidato de melhor desempenho no debate presidencial da TV Globo, realizado em 23 de outubro. Na tabulação divulgada pelo instituto, ele recebeu 21 menções, contra 18 de Lula. Apesar disso, a maior parte dos registros de intenção de voto apresentados no levantamento continuou na indecisão. Segurança pública favoreceu Flávio, enquanto programas sociais e a experiência de Lula receberam avaliações positivas.
Flávio Bolsonaro foi mais citado do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o candidato de melhor desempenho no debate presidencial da TV Globo, realizado na sexta-feira, 23 de outubro. Mas a vantagem na avaliação não foi suficiente para transformar a percepção sobre o confronto em uma decisão de voto.
A pesquisa qualitativa da Alfa Inteligência apontou 21 menções favoráveis a Flávio, contra 18 a Lula, enquanto a indecisão permaneceu como a resposta mais frequente sobre a intenção de voto após o debate.
No resultado final apresentado pelo instituto, 19 eleitores continuaram indecisos, enquanto 12 indicaram voto em Flávio Bolsonaro e 10 em Lula. Os números refletem as respostas dos participantes dos grupos de discussão e não representam percentuais ou estimativas de intenção de voto da população brasileira.
O levantamento acompanhou as reações de eleitores indecisos ao debate entre os dois candidatos. Foram organizados seis grupos de discussão, com participantes de 30 a 50 anos, da classe C, de diferentes regiões do país. O objetivo foi identificar quais argumentos tiveram maior aceitação, quais provocaram rejeição e se o confronto ajudou a definir o voto.
A conclusão do levantamento foi que o debate deixou uma parcela expressiva dos participantes com as mesmas dúvidas que tinham antes. Alguns descreveram o confronto como "seis por meia dúzia", enquanto outros relataram que poderiam escolher o candidato considerado "menos pior" ou até anular o voto.
A avaliação, porém, não foi uniforme durante todo o programa. Flávio conseguiu melhorar sua recepção ao tratar de segurança pública, sobretudo no terceiro bloco. Lula teve momentos de avaliação positiva ao abordar programas sociais, educação e a condução da pandemia de Covid-19 pelo governo Jair Bolsonaro (PL).
Segurança pública fez Flávio ganhar apoio até de eleitores que o criticavam
O terceiro bloco foi o momento de maior destaque para Flávio Bolsonaro na avaliação da pesquisa. A discussão sobre segurança pública, educação e endividamento permitiu que o candidato apresentasse propostas que receberam avaliações positivas dos participantes.
Segundo o relatório, Flávio foi apontado como o vencedor do terceiro bloco pela maioria dos participantes, especialmente nos grupos do Nordeste, Norte e Centro-Oeste.
As propostas de acabar com as chamadas "saidinhas" de presos, ampliar o trabalho prisional e endurecer as penas relacionadas às facções criminosas tiveram boa recepção.
No Nordeste, a resposta foi especialmente favorável. Segundo a Alfa, a firmeza do discurso sobre criminalidade conquistou apoio até de participantes que haviam feito críticas ao candidato em outros momentos do debate.
Também receberam avaliações positivas propostas de formalização de trabalhadores, educação em tempo integral e a utilização da Caixa Econômica Federal como um "Banco da Prosperidade" para renegociação de dívidas.
Nas regiões Norte e Centro-Oeste, Flávio foi elogiado por apresentar ideias relacionadas ao ensino técnico, ao contraturno escolar e ao empreendedorismo. Mesmo entre os que aprovaram essas propostas, porém, houve dúvidas sobre sua viabilidade.
O desempenho também teve pontos de rejeição. Participantes do Sul e Sudeste questionaram informações apresentadas pelo candidato sobre auxílios ao Rio Grande do Sul. A defesa feita por Flávio de um policial envolvido na morte de uma criança também provocou críticas.
De acordo com a pesquisa, a segurança pública foi o principal fator para a definição do voto entre os participantes que deixaram a indecisão e passaram a apoiar Flávio.
Lula foi melhor avaliado no início e manteve apoio por programas sociais
O desempenho de Lula teve uma dinâmica diferente. No primeiro bloco, o presidente recebeu avaliações mais favoráveis nos grupos do Nordeste, Norte e Centro-Oeste.
Os participantes destacaram o histórico de programas e investimentos voltados para essas regiões, além das respostas sobre saúde e políticas sociais.
No Sul e Sudeste, a avaliação foi mais dividida. Parte dos eleitores aprovou as referências de Lula ao aumento real do salário mínimo e à isenção do Imposto de Renda. Outros consideraram que medidas anunciadas ou defendidas perto da eleição deveriam ter sido adotadas anteriormente.
O segundo bloco, dedicado a políticas sociais, dívida pública e saúde, também produziu reações distintas.
A retomada do histórico da pandemia de Covid-19, incluindo a crise de falta de oxigênio em Manaus, foi considerada pertinente por participantes do Norte e Centro-Oeste.
Outros, porém, criticaram o tempo dedicado às referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Uma das avaliações registradas no relatório resumiu essa insatisfação com a expressão "tudo é Bolsonaro pai". Para esses participantes, Lula concentrou esforços em criticar o governo anterior, sem apresentar explicações suficientes sobre o que faria nos próximos quatro anos.
Flávio, por sua vez, recebeu avaliações positivas nesse bloco ao defender a expansão da chamada "Tabela SUS Paulista" para outras regiões do país. A proposta foi considerada prática por parte dos participantes do Norte e Centro-Oeste.
Na educação, Lula teve boa recepção ao mencionar o Pé-de-Meia e iniciativas de expansão do acesso ao ensino superior. Essas políticas, segundo o estudo, ajudaram a preservar sua aceitação entre eleitores que valorizam a experiência administrativa do presidente.
Entre os participantes que deixaram a indecisão e passaram a indicar voto em Lula, os programas sociais foram identificados como o principal motivo para a escolha.
Ainda assim, o relatório ressalta que, tanto no caso de Lula quanto no de Flávio, os fatores que ajudaram a definir votos dos eleitores foram vistos mais como critérios de desempate do que como motivos de entusiasmo com os candidatos.
Últimos oito minutos foram o pior momento do debate
Se os três primeiros blocos produziram avaliações favoráveis a propostas específicas, o último teve uma reação praticamente oposta.
Segundo a Alfa, o bloco de tema livre, com oito minutos de confronto, foi o momento mais mal avaliado de toda a transmissão.
Sem a obrigação de seguir um tema determinado, os candidatos passaram a trocar acusações pessoais e referências a episódios envolvendo familiares e pessoas próximas.
Lula recebeu críticas por dedicar parte do tempo a associações de Flávio Bolsonaro com controvérsias envolvendo o Banco Master e outros episódios pessoais. Os participantes consideraram que o presidente perdeu a oportunidade de apresentar propostas para a população.
Flávio também foi reprovado por responder com acusações sobre o patrimônio de Lula e seus familiares, além de referências à vida pessoal do adversário.
As discussões foram descritas pelos participantes como "lavagem de roupa suja", "total infantilidade" e "imaturidade".
O relatório aponta que a troca de acusações nos últimos oito minutos comprometeu a avaliação positiva de propostas apresentadas anteriormente e reforçou a indecisão de parte dos eleitores.
A rejeição ao bloco de tema livre apareceu nos diferentes grupos regionais. Alguns participantes relataram que o confronto aumentou sua disposição de votar nulo.
Para a Alfa, a diferença de recepção entre os blocos estruturados e o momento de discussão livre indica que os candidatos conseguiram apresentar propostas mais bem avaliadas quando precisaram responder a temas específicos.
Por que os eleitores continuaram indecisos?
A pesquisa identificou que a permanência da indecisão não estava relacionada apenas ao desempenho individual dos candidatos.
Um dos principais problemas apontados pelos participantes foi a dificuldade de entender como as propostas seriam colocadas em prática e financiadas.
O custo de vida, a inflação nos supermercados, a qualidade do atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), a violência e o endividamento foram citados como preocupações que deveriam ter recebido mais atenção.
Nos grupos do Sul e Sudeste, por exemplo, o debate sobre apostas online, como as chamadas bets, e os problemas estruturais de saúde e segurança provocou críticas às gestões atual e anterior.
No Nordeste, houve cobrança por políticas voltadas aos trabalhadores que enfrentam dificuldades para pagar despesas básicas, mas não têm acesso a benefícios sociais.
O estudo também registrou desconfiança em relação às promessas eleitorais, insatisfação com compromissos considerados não cumpridos pelo governo atual e incerteza sobre o desempenho de uma eventual nova gestão.
Outro ponto foi a dificuldade dos participantes para verificar informações que circulam nas redes sociais, em meio a acusações e versões conflitantes sobre os candidatos.
A Alfa identificou ainda comportamentos distintos entre os indecisos. Eleitores que já demonstravam alguma inclinação por Lula ou Flávio tenderam a manter essa preferência depois do debate. Já aqueles que não tinham inclinação por nenhum dos dois permaneceram com dificuldades para escolher.
A percepção recorrente foi de falta de alternativas políticas. Parte dos participantes afirmou não se identificar com nenhum dos candidatos e demonstrou frustração com a ausência de outras opções no segundo turno.
A pesquisa da Alfa Inteligência acompanhou ao vivo o debate presidencial da TV Globo de 23 de outubro de 2026.
O estudo foi organizado em seis grupos de discussão, com previsão de oito a dez participantes por grupo, todos eleitores indecisos, entre 30 e 50 anos e pertencentes à classe C. A composição incluiu homens e mulheres.
A distribuição informada pelo instituto foi de um grupo no Nordeste, um no Norte, um no Sul, um no Sudeste, um no Centro-Oeste e um grupo de controle com eleitores de todas as regiões.
A metodologia utilizou o acompanhamento das reações ao debate, incluindo manifestações durante a transmissão e discussões sobre o desempenho dos candidatos.
Por se tratar de um estudo qualitativo, os resultados não têm margem de erro estatística nem podem ser extrapolados para o conjunto do eleitorado brasileiro. A pesquisa permite compreender argumentos, percepções e reações dos participantes, mas não estabelecer quem venceu o debate na opinião da população geral.
Perguntas frequentes
Quem venceu o debate da Globo segundo a pesquisa da Alfa? +
Flávio Bolsonaro foi mais citado como candidato de melhor desempenho, com 21 registros, contra 18 para Lula, segundo a tabulação divulgada pelo instituto. O resultado não representa uma avaliação estatística dos eleitores brasileiros.
O debate ajudou os indecisos a escolher um candidato? +
Para uma parcela expressiva dos participantes, não. Na tabulação de intenção de voto após o debate, 19 registros permaneceram indecisos, contra 12 para Flávio e 10 para Lula.
Qual foi o melhor momento de Flávio Bolsonaro? +
O terceiro bloco, principalmente na discussão sobre segurança pública. O endurecimento de penas, o combate às facções e propostas para a área econômica receberam avaliações positivas.
O que os eleitores mais aprovaram no desempenho de Lula? +
Os participantes destacaram a experiência administrativa, os programas sociais, as políticas de educação e as referências à gestão da pandemia de Covid-19.
Qual foi o bloco mais criticado do debate? +
O quarto bloco, de tema livre, foi o mais rejeitado. Os participantes criticaram a troca de acusações pessoais e a ausência de propostas concretas.
A pesquisa qualitativa da Alfa tem margem de erro? +
Não há margem de erro estatística aplicável aos resultados apresentados. O estudo utilizou grupos de discussão com eleitores indecisos e não uma amostra probabilística representativa da população.
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