Quais são os próximos gatilhos da bolsa após disparada com 1º turno da eleição?
A forte reação da bolsa brasileira ao resultado do 1º turno das eleições pode ter sido apenas a primeira etapa de um movimento maior, pois, depois de o Ibovespa disparar na sessão seguinte à votação, o mercado agora deve voltar as atenções para as pesquisas do 2º turno, a formação de um eventual novo governo e, principalmente, os sinais sobre a política fiscal e a trajetória dos juros.
É o que aponta o BTG Pactual, do mesmo grupo controlador da EXAME, em relatório divulgado nesta quarta-feira, 7. O salto ocorreu depois de o candidato Flávio Bolsonaro (PL) terminar o 1º turno 2 pontos percentuais à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma diferença de 2,2 milhões de votos.
O resultado deixou Bolsonaro como "claro favorito" na disputa presidencial e provocou uma rápida reprecificação dos ativos brasileiros, segundo o banco. Ainda assim, os estrategistas Carlos Sequeira, Osni Carfi e Bruno Ferreira avaliam que há espaço para novas altas.
Mesmo após a valorização, as ações brasileiras, excluindo Petrobras e Vale, passaram a negociar a 11,1 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, múltiplo ainda cerca de 7% abaixo da média histórica.
Em um cenário mais otimista, "há espaço para mais", disseram. Com queda dos juros longos e expansão dos múltiplos, o BTG estima que o potencial de valorização do Ibovespa poderia chegar a, aproximadamente, 30%.
Pesquisas do segundo turno entram no radar
No curto prazo, porém, o banco acredita que o avanço do Ibovespa tende a ficar mais gradual. A eleição ainda não está decidida e Lula continua competitivo, especialmente pela possibilidade de atrair parte dos cerca de 33 milhões de eleitores que não votaram no primeiro turno.
"Esperamos que o principal gatilho para o Ibovespa nas próximas semanas sejam as pesquisas do segundo turno."Relatório do BTG Pactual
Para o banco, se Bolsonaro aparecer com uma vantagem entre 4 e 5 pontos percentuais, "a forte performance do índice deve continuar", e os primeiros testes para essa tese chegam rapidamente.
Datafolha e PoderData têm divulgação prevista para quinta-feira, 8, seguidos por AtlasIntel e Vox Brasil na sexta-feira, 9, e pelo Ipespe no sábado, 10.
Depois da eleição, o foco muda para o fiscal
Na avaliação do BTG, uma reprecificação estrutural das ações brasileiras dependerá da qualidade da equipe econômica do próximo governo e da força de um eventual pacote de ajuste fiscal. Até a publicação do relatório, o banco observava que nenhuma medida concreta havia sido anunciada.
"Uma reprecificação sustentável das ações brasileiras dependerá da qualidade do gabinete da nova administração e da força do pacote fiscal", diz o relatório, em tradução livre.
Na segunda-feira seguinte ao primeiro turno, isto é, no último dia 5, esses juros recuaram cerca de 1 ponto percentual e terminaram em 6,9%, conforme o BTG. Apesar da queda, permaneciam acima da média histórica de 5,9%.
O banco lembra ainda que, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a taxa real de longo prazo ficou em média próxima de 4,5%. Caso os juros retornem a níveis semelhantes, a expectativa dos analistas é de uma valorização expressiva das ações brasileiras.
Juros menores podem abrir uma segunda frente de alta
Uma melhora fiscal também poderia facilitar o trabalho do Banco Central (BC). Com expectativas de inflação mais comportadas e juros longos em queda, o BTG acredita que a instituição brasileira teria espaço para acelerar o ciclo de flexibilização monetária iniciado meses antes.
No momento do relatório, os juros de curto prazo estavam em 13,75% e a pesquisa Focus apontava para Selic de 12% no fim de 2027. Em um cenário mais benigno, no entanto, o BTG considera possível que a taxa fique entre 10% e 11% no mesmo período.
"Juros de curto prazo menores e maior atividade econômica poderiam impulsionar a expansão dos lucros no fim de 2027 e em 2028, o que poderia prolongar o rali", escreveu o banco.
Até onde o Ibovespa pode chegar
Os cenários traçados pelo banco ajudam a dimensionar o potencial de valorização e, em uma hipótese de juro real de longo prazo em 4,5% e crescimento real da economia de 3%, o BTG calcula que o Ibovespa poderia negociar a 13,3 vezes o lucro esperado e alcançar aproximadamente 247 mil pontos.
Esse nível representaria potencial de alta de cerca de 20% em relação à referência utilizada no estudo.
Para que o índice chegasse a um múltiplo equivalente a um desvio padrão acima da média histórica, de 14,5 vezes o lucro projetado, o BTG calcula que os juros reais precisariam cair para 4,2%, com crescimento real da economia em 3%.
Nessa hipótese, um Ibovespa em, aproximadamente, 268 mil pontos e potencial de valorização próximo de 30%.
O movimento, entretanto, não depende apenas do Brasil. Um dos principais riscos destacados pelo banco está nos Estados Unidos. Os juros reais americanos de longo prazo estavam em 2,9% e haviam subido cerca de 1 ponto percentual no ano, o que pode limitar a magnitude da queda dos juros brasileiros.
Historicamente, o Brasil paga um prêmio de cerca de 5 pontos percentuais sobre os juros reais americanos, enquanto esse diferencial estava perto de 4 pontos no momento do relatório. O BTG avalia que um ajuste fiscal relevante poderia comprimir esse prêmio em mais cerca de 1 ponto percentual.
Quais ações ainda podem se beneficiar
Mesmo depois da disparada das ações mais sensíveis ao ciclo econômico, o BTG afirma continuar enxergando oportunidades em empresas consideradas de alta qualidade. No varejo, o banco destaca Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Assaí (ASAI3).
Entre concessões, aparece Motiva (MOTV3), enquanto Cyrela (CYRE3) e Allos (ALOS3) são os nomes citados no setor imobiliário.
Localiza (RENT3) é a escolha em aluguel de veículos, Rede D'Or (RDOR3) aparece em saúde e Equatorial (EQTL3), Energisa (ENGI11) e Sabesp (SBSP3) são os destaques em utilities.
Petrobras (PETR4; PETR3) e Eneva (ENEV3) também são apontadas pelo banco como ações que “se encaixam bem em qualquer portfólio”, em tradução livre.
A lista inclui também EcoRodovias (ECOR3), Dexco (DXCO3), Copasa (CSMG3), Eztec (EZTC3), Yduqs (YDUQ3), Cogna (COGN3) e Inter (INBR32)
O banco também chama atenção para empresas mais alavancadas. "Empresas com mais alavancagem também tendem a superar o mercado", pontua o relatório.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.