Análise: empate com lanterna joga holofote em crise técnica do Náutico

Teria que ser assim para não derrotar um adversário tão fragilizado e que entrou em campo acumulando 15 jogos sem vitórias, cheio de problemas para montar o time, em crise financeira e virtualmente rebaixado. Mesmo fora de casa, a obrigação de vencer era dos alvirrubros, que deixaram pelo caminho dois pontos que não se recuperam.
E que joga ainda mais luz na crise técnica que vive a equipe sob o comando dos técnicos Hélio e Guilherme dos Anjos.
Time do Náutico deixando o campo após empate com a Ponte Preta — Foto: CNC/Divulgação
Afinal, no recorte dos últimos 12 jogos, o Náutico tem apenas uma vitória (2 a 1 sobre o Londrina debaixo de muita chuva nos Aflitos). No mais, são cinco empates e seis derrotas. Um aproveitamento no período de 22,2%, digno de zona de rebaixamento.
Vale lembrar que o jogo contra a Ponte Preta abriu a 22ª rodada da Série B. Ou seja, esse recorte negativo do Náutico já representa a maior parte da campanha do time na competição.
Ponte Preta x Náutico; Série B — Foto: Marcos Ribolli
E a crítica ao trabalho da dupla "dos Anjos" no Náutico sempre terá peso dois.
É o ônus de um planejamento em que pai e filho, além de comandarem os trabalhos de campo, também tocaram toda a montagem do atual elenco alvirrubro, com algumas contratações que ainda não podem ser tratadas como "reforços". Na verdade, a impressão que dá (e os números reforçam) é que a qualidade do elenco piorou ao invés de melhorar.
Em entrevistas recentes, Hélio e Guilherme usaram como escudo a questão orçamentária e de infraestrutura do clube, com o Náutico figurando entre as mais modestas nos dois quesitos em comparação a outros clubes da Série B. Mas isso se aplica à Ponte Preta, afundada em uma crise sem precedentes na história do clube?
Ponte Preta x Náutico; Série B 2026 — Foto: Marcos Ribolli
A verdade é que até o trabalho dentro de campo de Hélio e Guilherme já passou a ser alvo frequente de críticas, graças a algumas escolhas contestáveis, tanto em escalações, e principalmente na gestão do grupo, com o afastamento de alguns atletas que poderiam ajudar ao longo de uma competição desgastante como a Série B.
Contra a Ponte Preta, o Náutico teve, pelo segundo jogo seguido, um banco de reservas recheado de pratas da casa sem bagagem ainda para serem opções em um Campeonato Brasileiro. Fora improvisações que a dupla de treinadores foi obrigada a fazer.
Sem qualquer perspectiva no horizonte de algo maior do que apenas lutar para permanecer na Série B, ainda há uma "gordura" para a zona de rebaixamento. Mas é necessário um freio de arrumação. O empate contra uma enfraquecida Ponte Preta pode ter sido o último sinal de alerta.
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