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Saturday, October 31, 2026

Bolsonarismo promove perseguição. Imagina se tivesse vencido?

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Mas o rótulo descolou nos debates. Na Band e, principalmente, na Globo, o eleitor viu um candidato agressivo, que fez piada com o dedo que Lula perdeu num acidente de trabalho como metalúrgico e zombou da forma de falar de um octogenário. Capacitismo e etarismo em horário nobre, para milhões de famílias que têm uma pessoa idosa ou com deficiência em casa.

E viu Flávio diante de Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, menina de cinco anos morta por um tiro de fuzil em Niterói, em 2021. Defensor do policial acusado do crime, o senador dirigiu-se a ela chamando-a pelo nome da filha. A resposta, vinda da plateia, ecoou mais que qualquer propaganda: "Ela morreu".

Com a eleição perdida, o senador resolveu tirar de vez a fantasia. Não reconheceu o resultado, pediu a anulação da eleição e, diante do pedido de apreensão de passaporte devido à investigação criminal que enfrenta em nada relacionado à eleição, fugiu para os Estados Unidos e, de lá, declarou-se o verdadeiro presidente eleito. Posteriormente, com um pito do governo Trump, corrigiu-se.

Não admira que parte dos aliados e seguidores simplesmente por aqui também ficasse nua. Não há mais por que fingir. E pelados, o que sobrou foi intolerância.

Isso significa que todos os que votaram em Flávio Bolsonaro são intolerantes? Longe disso. Milhões de brasileiros escolheram o candidato do PL porque estão insatisfeitos com o governo Lula, com o custo de vida, com a violência. Esse voto crítico é legítimo e merece respeito. E Lula, se for esperto, vai ouvir o recado das urnas em vez de tratar a vitória como cheque em branco.

Mas há uma parte, sobretudo do núcleo duro do bolsonarismo, que quer guerra, esmagando quem pensa diferente. Que fala o tempo todo em liberdade de expressão, mas a quer apenas para si.

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