RTP DesportoSeleção portuguesa feminina derrotada na final do torneio GoldenCat de hóqueiESPN DeportesErling Haaland brinda calma al CityInquirerButuan’s water supply recovers, but some taps remain dryThe Jerusalem PostBehind NAZA: How AI is used to assess, reduce collateral damage in IDF - interviewESPNMLB playoff tracker: Postseason odds, current bracket and who can clinch nextDaily MaverickLOCAL ELECTIONS 2026: ‘Anger and apathy won’t fix NMB’ — New movement urges residents to votePunchTinubu mandates Shettima to lead Nigeria’s delegation to UNGAוואלהצה"ל ושב"כ: חוסלו שני מחבלים שפשטו ב-7 באוקטובר ומפקד נוח'בהSky TG24MotoGp, in Austria vittoria di Acosta davanti a Martin e BezzecchiAntara NewsIndonesia, China set to sign new deal on drug and food safetySDP EspectáculosAlejandra Guzmán reaparece desde el hospital tras lesionarse la cadera en conciertoObservador Desporto"PS dificilmente conseguiria hoje garantir governabilidade"
The Daily Newsstand · Free, Always
Sunday, September 20, 2026

Morcego-vampiro suga sangue de homem no Rio de Janeiro; caso raro vira estudo

Translate

Um caso raro de ataque de morcego-vampiro a um homem em Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro, virou objeto de estudo científico. O episódio ocorreu em março de 2024, quando um morador de 33 anos teve sangue sugado por um morcego hematófago enquanto estava na Praia do Mangue, em Angra dos Reis.

O caso foi analisado por pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em um artigo científico disponível na plataforma SciELO. O trabalho discute os riscos relacionados à transmissão da raiva e os desafios para a vigilância e a prevenção da doença no Brasil.

Homem percebeu sangue, mas não sentiu a mordida

Segundo o relato analisado pelos pesquisadores, o ataque ocorreu em 17 de março de 2024. O morcego provocou um ferimento em um dos dedos do pé do homem e realizou a chamada espoliação sanguínea, comportamento no qual o animal se alimenta do sangue da vítima.

O morador afirmou que não sentiu dor durante o episódio e só percebeu o que havia acontecido após notar uma quantidade de sangue no chão. Ele não chegou a ver o animal, mas pessoas que estavam no local levantaram a possibilidade de o ferimento ter sido provocado por um morcego hematófago.

Após o episódio, o homem procurou atendimento no posto de saúde da ilha e posteriormente foi encaminhado a uma unidade no continente, em Angra dos Reis. Segundo o estudo, ele recebeu a profilaxia antirrábica indicada para situações de exposição ao vírus.

Morcegos-vampiros atacam humanos?

Entre as mais de 1.470 espécies de morcegos conhecidas, apenas três espécies atuais se alimentam exclusivamente de sangue: Desmodus rotundus, Diaemus youngii e Diphylla ecaudata. Esses morcegos hematófagos estão distribuídos desde o norte da Argentina até o norte do México.

Durante muito tempo, acreditava-se que apenas o morcego-vampiro-comum (Desmodus rotundus) utilizava mamíferos como fonte de alimento. Pesquisas mais recentes, porém, indicam que as outras duas espécies, tradicionalmente associadas ao consumo de sangue de aves, também podem se alimentar de mamíferos, incluindo seres humanos.

Apesar disso, ataques a pessoas são considerados raros. No Brasil, registros desse comportamento aparecem com maior frequência nas regiões Norte e Nordeste, sobretudo em comunidades indígenas e ribeirinhas.

Segundo os pesquisadores, mudanças ambientais e desequilíbrios ecológicos podem aumentar o contato desses animais com seres humanos e animais domésticos, ampliando os desafios para a vigilância da raiva.

Ilha Grande abriga dezenas de espécies de morcegos

A região de Ilha Grande possui 37 espécies de morcegos registradas e está entre as áreas do estado do Rio de Janeiro com maior diversidade desses animais. Antes do episódio envolvendo o morador, já haviam sido relatados ataques a cães e galinhas na Vila Dois Rios, também em Ilha Grande, em 2015 e 2017.

De acordo com o estudo, seres humanos podem se tornar uma fonte alternativa de alimento para morcegos hematófagos, embora esse comportamento permaneça incomum.

Os cães aparecem com maior frequência entre os animais atacados no município do Rio de Janeiro e em Ilha Grande. Ferimentos próximos aos pés estão entre os padrões observados nesses episódios.

Pesquisadores capturaram morcegos após o ataque

Em 1º de abril de 2024, pesquisadores realizaram uma operação para capturar morcegos na região por meio de redes de neblina. Os animais capturados foram examinados e identificados. A maior parte foi devolvida à natureza após receber marcação individual.

Um morcego hematófago foi encaminhado para análise laboratorial. Uma amostra do encéfalo do animal foi enviada ao Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, onde foi realizado o teste de imunofluorescência direta para investigar a presença do vírus da raiva. O material fornecido não informa o resultado desse exame.

Raiva transmitida por morcegos exige atenção

A transmissão da raiva de morcegos para seres humanos é rara, mas representa um problema de saúde pública porque a doença é grave e exige atendimento rápido após uma possível exposição.

No Brasil, a vigilância da raiva animal é coordenada pelo Ministério da Saúde, e a profilaxia humana é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A vacinação pré e pós-exposição está disponível na rede pública, enquanto o soro antirrábico e a imunoglobulina podem ser administrados em hospitais conforme a indicação médica.

Segundo os dados citados no estudo, o Ministério da Agricultura e Pecuária registrou 174 casos de raiva em animais no estado do Rio de Janeiro entre 2014 e 2023, principalmente em bovinos. Em Angra dos Reis, foram registrados três casos em morcegos e um em bovino entre 2021 e 2023.

View the original on Exame

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.