Voz brasileira em Lisboa enfurece políticos e mobiliza protesto por moradia


Priscila Valadão foi "dar uma olhada" no movimento quando os ativistas decidiram fazer a primeira assembleia. Militante do PCP (Partido Comunista Português) e já integrante de outros movimentos ligados à habitação, como o Movimento Vida Justa, ela foi conversar com a organização e acabou convidada para ser "mestre de cerimônias" da mobilização.
Depois disso, falou com a imprensa portuguesa, participou de debates nas emissoras do país e representou o movimento no debate público. A voz da brasileira não agradou a todos.
Nuno Melo, ministro da Defesa, disse achar engraçados "os sotaques dos manifestantes" e relacionou a crise da habitação, que se agrava em Portugal, ao fluxo imigratório dos últimos anos. "Foi impressionante ver uma pessoa do governo soltando uma fala tão abertamente xenófoba como essa", diz ela.
Além de Nuno, o secretário de Estado adjunto e da Presidência e da Imigração, Rui Armindo Freitas, também não aprovou a participação de imigrantes nas manifestações. Na última terça-feira (3), em debate no parlamento, o político disse que os estrangeiros que participarem das manifestações pela habitação e que "colocarem em risco a ordem pública" podem ter as suas autorizações de residência canceladas.
Priscila recebe ameaças de agressão e até de morte diariamente nas redes sociais. "Ando escoltada por companheiros de luta para ir e voltar do trabalho, mas não tenho mais medo dessas pessoas. Elas se irritam porque consigo debater e pegá-los em sua hipocrisia", diz.
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