Regresso ao Rossio com promessa de nova acampada

Esta quarta-feira, durante a tarde, foram organizadas oficinas de cerâmica para crianças e uma biblioteca infantil. Pelas 19h00 havia pelo Rossio várias crianças com os pais. Mais tarde, pelas 21h00, começaram os concertos que já tinham sido anunciados — e aí a atuação de Carolina Deslandes foi o ponto de maior destaque. No final da noite, pelas 1h00 da madrugada, a praça no Rossio estava quase vazia, apenas com um pequeno grupo de manifestantes a cantar em círculo num coro.
A presença policial foi muito discreta ao longo de toda a noite. Em cada lateral da Praça D. Pedro IV estiveram estacionados dois carros da PSP, cada um com dois agentes. Perto da meia-noite, chegou uma carrinha do corpo de intervenção, sem que qualquer agente tenha saído para o exterior — e acabando por desmobilizar pelas 1h30.
As promessas de voltar a acampar no Rossio e as ‘bocas’ aos socialistas que fizeram o OE passar
O momento em que Priscilla Valadão, porta-voz da Acampada de Lisboa, subiu ao palco para falar sobre a votação na generalidade do Orçamento do Estado para 2027 gerou o maior número de vaias e assobios da noite. Fez questão de notar que o “PS se absteve” na votação do documento orçamental, mesmo não havendo medidas para a habitação ali previstas. E fez questão de garantir: “O PS não nos representa.”
Na terça-feira, uma comitiva de deputados socialistas deslocou-se à manifestação que decorria em frente ao Parlamento. Ao Observador, a deputada Sofia Pereira garantiu que os deputados do PS têm estado entre os manifestantes e garantiu que estão ao lado do protesto, com a deputada Eva Cruzeiro a admitir a legitimidade dos manifestantes em acampar para se manifestar.
No Rossio, uma nova noite de acampada, mesmo após a intervenção policial de sábado passado, foi encarada como uma inevitabilidade. “Mais tarde ou mais cedo, vamos voltar a acampar nesta praça e temos de decidir como é que vamos reagir perante a polícia de choque”, afirmou um manifestante a intervir na Assembleia Popular da Acampada de Lisboa.
A maior parte da assembleia foi ocupada por testemunhos partilhados por muitos manifestantes. “A minha neta mais velha, de 25 anos, vive no Porto e tem de partilhar a casa com três pessoas para conseguir pagar a renda”, lamentou um manifestante de 73 anos.
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Durante a Assembleia Popular, a oficina de leitura para crianças ainda decorria. Tamara tem o filho de amigos às cavalitas e diz ao Observador que o que está a acontecer no Rossio nas últimas semanas não é “só uma ação de protesto”. “É também o momento de demonstrarmos como é que a cidade podia ser”, diz, apontando para as crianças a brincar e a modelar cerâmica em cima de uma manta.
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É espanhola e vive em Portugal há 12 anos. Em 2010, arrendou um T0 a 350 euros no centro da cidade e desde então que a renda se tem mantido inalterada. Tamara, que é produtora de cinema, tem noção da raridade da sua situação: “Este contrato pode acabar a qualquer momento e a questão é que não poderia viver nesta cidade com o ordenado português que tenho.”
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