São Paulo tem o inverno mais chuvoso já registrado; nível do Cantareira sobe
Nunca houve um inverno mais chuvoso do que o deste ano na cidade de São Paulo, desde que o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) da prefeitura iniciou a série histórica, em 1995.
Das 5h24 do dia 20 de junho até 21h05 da última terça-feira (22), o órgão municipal registrou 417,1 mm de precipitação, cerca de 3,19 vezes mais (219,6%) do que o esperado para o período, de 130,5 mm. Como comparação, no inverno de 2025 choveu 87 mm.
Ainda segundo o CGE, apenas julho fechou com chuva abaixo da média. O restante dos meses que compõem a estação registrou precipitação acima do esperado.
Setembro foi o grande destaque, com um acumulado de 294,3 mm até o dia 22, último dia de inverno. Esse volume tornou o mês o setembro mais chuvoso da série histórica.
"A estação mais fria do ano permaneceu sob a influência do fenômeno El Niño, que esquenta as águas do oceano Pacífico Equatorial. No entanto, diferentemente de outros anos de El Niño, cuja principal característica é o tempo seco e mais quente nessa época, este ano, o inverno foi mais chuvoso e úmido devido a outros fatores, como a presença de águas mais frias que o normal no Atlântico Sul próximo à foz do Rio da Prata, costa do Uruguai e Rio Grande do Sul, que impulsionou uma frequência maior de passagem de frentes frias", explica o meteorologista do CGE Thomaz Garcia.
Outro fator que auxiliou o excesso de precipitação foi a presença da umidade vinda da amazônia, que se juntou às instabilidades provocadas pelas frentes frias, aumentando a força das tempestades.
"O El Niño traz massas mais quentes para as regiões Norte e Nordeste. E essas massas mais quentes estão ali concentradas, favorecendo a elevação nas temperaturas e fazendo com que as instabilidades fiquem mais presas aqui em áreas do estado de São Paulo, também no Sul do Brasil", diz Guilherme Borges, meteorologista da startup de monitoramento climático FieldPro.
Esse volume pluviométrico acima do esperado foi primordial para a recuperação do nível dos mananciais de água que abastecem a região metropolitana de São Paulo. Desde o ano 2000, quando a Sabesp iniciou os registros dos níveis dos reservatórios, apenas em 2004 e este ano o sistema Cantareira terminou o inverno com um maior volume do que começou.
No dia 20 de junho, no início da estação, o nível estava em 39,1% do volume útil total, e terminou com 40,6%. A diferença é pouca, mas, se levarmos em conta que o nível atingiu 33% no dia 31 de agosto, a recuperação total foi de 7,6 pontos percentuais. Esse número é o equivalente a 74,58 bilhões de litros de água que entraram no sistema em 22 dias.
Dos reservatórios que compõem o SIM (Sistema Integrado Metropolitano), apenas o de Rio Claro, no interior paulista, apresentou queda no nível, passando de 64,5% para 51,8%. Todos os demais tiveram elevação.
Todo o SIM passou de 50,7% para 55%, o que representa 231,86 bilhões de litros de água recuperados.
Thomaz Garcia afirma que, com mais dias chuvosos e volumes pluviométricos acima do esperado, a umidade do ar ficou mais elevada na cidade, o que fez com que as temperaturas se mantivessem mais baixas que o normal.
As chuvas muito acima do esperado em junho deixaram as temperaturas abaixo da média no mês. A mínima média foi de 12,2°C, enquanto que a histórica é de 13,4°C. E a máxima média registrada foi de 21,4°C, contra 23°C da série.
Em julho, a média mínima esperada foi praticamente igual à registrada: 12,6°C e 12,5°C, respectivamente. Na máxima média, porém, a registrada superou a histórica: 23,6°C contra 22,9°C.
Em agosto, os dados reais superaram os históricos. A média mínima registrada foi de 14,8°C, contra 13,3°C. E a máxima foi de 25,6°C, contra 24,3°C da série.
Com o excesso de chuva, as temperaturas despencaram em setembro. A média mínima histórica na cidade é de 15,2°C, mas o valor registrado foi de 13,7°C. E a média máxima esperada de 26°C passou para 21°C.
A previsão dos climatologistas é de que a primavera continue sob a influência do El Niño, ou seja, com chuva acima da média e termômetros em elevação.
"A primavera não costuma registrar baixos índices de umidade relativa do ar na capital paulista, já que os valores médios costumam oscilar acima dos 50%", diz Thomaz Garcia. "Ainda assim, podemos ter episódios de baixa umidade do ar e calor intenso, pois os dias tendem a ser mais longos e a chuva ainda é irregular."
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.