Mais de 1,5 mil milhões de pessoas afetadas por calor forte

Mais de 1,5 mil milhões de pessoas passaram pelo menos um mês de calor perigoso nos últimos três meses, devido às alterações climáticas, segundo uma análise divulgada esta quarta-feira.
Entre junho e agosto, quase nove em cada 10 europeus enfrentaram um mês de calor perigoso e a Ásia teve o maior número de pessoas afetadas pelas altas temperaturas, segundo a análise da Climate Central, uma organização de cientistas com sede nos Estados Unidos, que analisa e divulga informações sobre ciência climática.
As ondas de calor em todo o mundo e os dias perigosamente quentes tornaram-se “significativamente mais prováveis devido às alterações climáticas”, provocadas sobretudo pela queima de combustíveis fósseis, diz a organização num comunicado.
Os cientistas concluem também que praticamente em todo o mundo os cidadãos enfrentaram dias com uma forte influência das alterações climáticas e destacam que 54 países tiveram o período de junho a agosto mais quente desde 1970, incluindo França, Itália e Reino Unido. Sete dos 10 países mais excecionalmente quentes estavam na Europa.
Com milhões de pessoas expostas a pelo menos 30 dias de calor intenso na Ásia, 117 milhões só na Índia, as condições meteorológicas tiveram impactos nas regiões afetadas, com incêndios florestais recorde, secas generalizadas e aumento da pressão sobre os serviços de emergência e de saúde.
“A nossa análise revela um padrão global alarmante: seja com nove em cada dez europeus a enfrentar calor intenso, centenas de milhões de pessoas impactadas na Ásia e em África, ou temperaturas recorde implacáveis na América do Norte, o aquecimento global causado pela ação humana está a levar as comunidades além dos limites físicos seguros”, disse Kristina Dahl, vice-presidente de Ciência da “Climate Central”.
“Estes últimos três meses são um sinal de alerta que não podemos ignorar – os custos humanos e económicos dos combustíveis fósseis estão a manifestar-se em tempo real, e a urgência de os abandonar nunca foi tão evidente”, acrescentou.
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Segundo a análise, as alterações climáticas acrescentaram 23 dias de calor intenso e perigoso para o residente médio dos Estados Unidos e 17 dias para o residente médio do Canadá.
A Europa foi o lugar mais excecionalmente quente do planeta, com 89% da população a sofrer um mês inteiro de calor intenso e perigoso, que contribuiu para um elevado número de mortes. E em África pelo menos seis países sofreram temperaturas fortemente influenciadas pelas alterações climáticas.
Citado no comunicado, Simon Stiell, secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, afirmou que “mais de mil milhões de pessoas a enfrentar um mês extra de calor prejudicial à saúde demonstra, mais uma vez, os custos crescentes da crise climática, causados pela dependência da humanidade da queima de carvão, petróleo e gás”.
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