Homem é condenado a 24 anos de prisão por matar cientista social
A Justiça do Rio de Janeiro condenou nesta quinta-feira (20) um homem de 24 anos de prisão pelo assassinato da cientista social Bárbara Vergetti Martins de Souza, mulher trans de 34 anos. Ela foi morta em outubro de 2024, após sair de casa, em Copacabana, para encontrar o criminoso.
Vitor Teodoro Cossich foi condenado pelo 2º Tribunal do Júri da Capital, em regime fechado, por homicídio duplamente qualificado, meio cruel e motivo torpe. Na confissão, ele disse que o crime ocorreu devido a um desentendimento financeiro.
Ele terá de pagar R$ 30 mil de indenização aos familiares da vítima para reparação de danos morais. O julgamento foi presidido pelo juiz Renan de Freitas Ongaratto.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o homem agrediu e estrangulou Bárbara até a morte. Para conter a vítima, ele usou um simulacro de arma de fogo, um fio e um pano.
Bárbara saiu de casa no dia 29 de setembro de 2024 e seu desaparecimento foi registrado no dia seguinte, na 12ª Delegacia de Polícia de Copacabana.
O corpo foi encontrado dois dias depois em um imóvel alugado por Cossich no Cachambi, na zona norte do Rio, coberto por um colchão. Ele foi preso em seguida pela Polícia Civil.
Formada em Ciências Sociais pela UFF (Universidade Federal Fluminense), a vítima era pesquisadora, ativista e filiada ao PT. Ela lutou pelo reconhecimento do nome social dos estudantes na universidade.
O advogado Rodrigo Mondego, especialista em direitos humanos e amigo de Bárbara, afirmou que a condenação tem o significado de uma resposta da Justiça à violência contra a população trans. "A vida de uma mulher trans importa", disse.
TRANSFOBIA
Os registros de homofobia ou transfobia cresceram 35,6% no Brasil de 2024 a 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23).
São considerados para o levantamento os boletins de ocorrência registrados com os delitos, enquadrados na Lei do Racismo.
O levantamento também mostra alta de 1,9% nos casos de estupro contra pessoas LGBTQIA+ no mesmo período, enquanto os homicídios dolosos (intencionais) dessa população caíram 14,2% —queda que os pesquisadores dizem não representar necessariamente uma melhora do cenário.
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