M. Dias Branco passa a atrelar pagamento de bônus a metas ESG de funcionários
RESUMO +
A fabricante de alimentos M. Dias Branco vinculou, em 2026, indicadores ESG à PLR de todos os colaboradores elegíveis. A política, prevista na Agenda Estratégica ESG 2030, amplia o modelo aplicado à alta liderança e associa a remuneração a metas de emissões, água, resíduos, diversidade e segurança.
A fabricante de alimentos M. Dias Branco passou a vincular indicadores ambientais, sociais e de governança à remuneração variável de todos os colaboradores elegíveis à Participação nos Lucros e Resultados (PLR) em 2026. A mudança amplia uma política que começou pela alta liderança e pretende incorporar os compromissos de sustentabilidade às metas de desempenho das diferentes áreas da companhia.
A decisão faz parte da Agenda Estratégica ESG 2030, que reúne compromissos públicos da empresa em temas como redução de emissões de gases de efeito estufa, consumo de água, gestão de resíduos, diversidade e segurança dos trabalhadores.
A inclusão desses indicadores na remuneração foi aprovada pelo Conselho de Administração em 2023, quando a companhia estabeleceu oito metas públicas de governança. Entre elas estava o compromisso de estender a vinculação entre sustentabilidade e remuneração variável a todos os funcionários elegíveis até 2026.
O modelo foi implementado inicialmente entre os principais executivos. Em 2025, o chamado Rating da Agenda Estratégica ESG, indicador que consolida o desempenho da companhia em relação aos compromissos de sustentabilidade, passou a representar 10% da PLR do presidente, diretores executivos, estatutários e gerentes executivos.
Neste ano, a política chegou aos demais profissionais contemplados pela remuneração variável de curto prazo. Para isso, a empresa analisou as atribuições e responsabilidades de cada área, buscando relacionar os indicadores de sustentabilidade aos resultados sobre os quais os funcionários podem exercer influência.
Como a sustentabilidade entrou no cálculo da remuneração
A integração dos indicadores à remuneração ocorre após um processo de estruturação da agenda de sustentabilidade da fabricante, iniciado há mais de uma década.
A empresa lançou sua Agenda Estratégica ESG em 2019, revisou os compromissos em 2021 e, dois anos depois, estabeleceu a meta de vincular esses indicadores à remuneração variável.
Segundo Andréa Nogueira, diretora executiva de Gente, Gestão e Sustentabilidade da M. Dias Branco que conversou com exclusividade com a EXAME, a decisão surgiu da avaliação de que os compromissos ambientais e sociais precisavam fazer parte dos mecanismos utilizados para medir o desempenho dos profissionais.
“Mais do que criar um incentivo financeiro, queríamos transformar uma agenda estratégica em compromisso de gestão. Quando uma prioridade entra nas metas e nos mecanismos de reconhecimento, ela deixa ainda mais claro o seu papel na forma como a organização toma decisões e gera valor”, afirma a executiva.
A implementação exigiu adaptações para diferentes funções. Enquanto os executivos possuem atribuições diretamente relacionadas às prioridades corporativas, a extensão da política para outras áreas demandou a identificação de resultados específicos que cada equipe poderia influenciar.
O desafio, segundo Nogueira, foi evitar a distribuição de metas sem relação direta com as atividades dos funcionários. “Na alta liderança, a conexão com os grandes objetivos estratégicos é mais evidente. Quando ampliamos essa lógica, precisamos ajudar cada área a compreender duas coisas: como ela contribui para os nossos compromissos de sustentabilidade e sobre quais resultados ela efetivamente pode influenciar”, diz.
Além da definição dos indicadores, a companhia realizou um trabalho de comunicação e alinhamento interno para explicar como as metas seriam incorporadas à avaliação de desempenho.
A estrutura adotada busca distribuir responsabilidades pelos compromissos ESG entre diferentes áreas, em vez de concentrar sua execução exclusivamente na equipe de sustentabilidade.
Exclusivo: Electrolux atrela bônus de executivos ao clima — e vê ESG virar lucro
Quais metas ESG estão no planejamento da M. Dias Branco até 2030?
A vinculação da remuneração aos indicadores ocorre em um momento em que a companhia trabalha para cumprir objetivos ambientais e sociais estabelecidos para o fim da década.
Entre os compromissos ambientais estão reduzir em 20% as emissões absolutas de gases de efeito estufa dos escopos 1 e 2, que abrangem, respectivamente, emissões diretas das operações e emissões indiretas associadas à energia adquirida.
Na gestão de recursos naturais, a fabricante pretende reduzir o consumo de água para 0,40 metro cúbico por tonelada produzida, alcançar 30% de utilização de água de reúso ou da chuva e atingir 90% de energia renovável no escopo 2.
A agenda também prevê zerar o envio de resíduos para aterros em todas as operações, alcançar 100% de embalagens plásticas recicláveis, compostáveis ou biodegradáveis e atingir 38% de recuperação de embalagens após o consumo.
No processo produtivo, os compromissos incluem limitar as perdas de insumos a 0,94% e reduzir em 50% o desperdício de produtos acabados.
Na dimensão social, uma das metas é alcançar 40% de mulheres em posições de liderança até 2030. A empresa também pretende atingir uma pontuação de 80 em satisfação dos colaboradores, medida por pesquisa externa, além de reduzir indicadores de acidentes de trabalho.
Outros objetivos envolvem alcançar 150 mil pessoas por meio de programas de empreendedorismo e profissionalização e impactar 10 milhões de pessoas com iniciativas de educação alimentar.
Na frente de governança e relacionamento com a cadeia de fornecimento, a M. Dias Branco estabeleceu a meta de realizar 80% das compras com fornecedores locais até 2030.
O que mudou após a inclusão das metas ESG na PLR dos executivos?
A M. Dias Branco afirma ter observado mudanças na forma como suas lideranças acompanham os compromissos de sustentabilidade desde que os indicadores passaram a integrar o cálculo da remuneração variável.
De acordo com Nogueira, a principal alteração foi o aumento da responsabilização dos executivos e da participação de diferentes áreas nas discussões sobre os resultados ESG.
“Quando os indicadores entram formalmente nos mecanismos de gestão e remuneração, eles ganham ainda mais presença nas discussões de desempenho, no acompanhamento das metas e na tomada de decisão”, afirma.
A executiva também aponta maior frequência no acompanhamento dos indicadores e mais clareza na definição das responsabilidades e dos planos de ação.
A expansão para todos os colaboradores elegíveis ocorre, portanto, com base na experiência inicial da liderança e na expectativa de que a distribuição de responsabilidades contribua para o cumprimento da agenda de longo prazo. Para Nogueira, o vínculo entre pagamento e indicadores não substitui outros mecanismos necessários à execução dos compromissos.
“Remuneração variável, sozinha, não transforma uma agenda de sustentabilidade. Ela funciona quando faz parte de um sistema maior, que envolve estratégia, governança, indicadores, acompanhamento, liderança e cultura”, afirma.
Com sede em Eusébio, no Ceará, a M. Dias Branco possui 22 unidades industriais e 25 filiais comerciais, além de atuar no mercado brasileiro e exportar para mais de 40 países. A companhia é líder nacional nos segmentos de biscoitos, massas e granolas e reúne marcas como Piraquê, Vitarella, Adria e Jasmine.
A fabricante também integra, pelo sexto ano consecutivo, a carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3), indicador do mercado de capitais brasileiro que reúne empresas selecionadas por critérios de sustentabilidade corporativa.
A nova política de remuneração passa a fazer parte dos mecanismos internos de acompanhamento da Agenda ESG 2030. Sua contribuição efetiva para o cumprimento dos compromissos dependerá dos resultados registrados nos indicadores ao longo dos próximos anos.
'Perguntas frequentes'
Como os indicadores ESG entram na PLR da M. Dias Branco? +
Os indicadores ESG passaram a integrar a PLR de todos os colaboradores elegíveis em 2026. A M. Dias Branco analisou as atribuições de cada área para associar a remuneração aos resultados de sustentabilidade sobre os quais os profissionais podem exercer influência.
Qual é o peso das metas ESG na remuneração variável? +
O Rating da Agenda Estratégica ESG representou 10% da PLR do presidente, diretores e gerentes executivos em 2025. A M. Dias Branco não informou o peso dos indicadores para os demais colaboradores nem quantos dos mais de 17 mil funcionários participam do modelo.
Quais são as principais metas ambientais da M. Dias Branco para 2030? +
A fabricante pretende reduzir em 20% as emissões dos escopos 1 e 2, atingir 90% de energia renovável no escopo 2 e zerar o envio de resíduos para aterros. A agenda também inclui metas para consumo e reúso de água, recuperação de embalagens e redução de perdas e desperdícios.
Quais metas sociais fazem parte da Agenda ESG 2030? +
A M. Dias Branco pretende alcançar 40% de mulheres em cargos de liderança, obter 80 pontos em satisfação dos colaboradores e reduzir os indicadores de acidentes de trabalho. A empresa também prevê beneficiar 150 mil pessoas com programas de empreendedorismo e profissionalização e alcançar 10 milhões com iniciativas de educação alimentar.
O que mudou após as metas ESG entrarem na PLR dos executivos? +
Segundo Andréa Nogueira, diretora executiva de Gente, Gestão e Sustentabilidade da M. Dias Branco, houve maior responsabilização das lideranças, acompanhamento mais frequente dos indicadores e participação de diferentes áreas. A companhia, porém, não apresentou dados quantitativos sobre o efeito da política nos resultados ambientais e sociais.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.