Primeiro time indígena profissional do Brasil, Gavião Kyikatejê é campeão pela primeira vez

O Gavião Kyikatejê, primeiro time indígena profissional do Brasil, escreveu mais um capítulo importante em sua história de 17 anos nesta terça-feira, dia 27. Jogando em casa, no Estádio Lúcio Antunes, em Bom Jesus do Tocantins, a equipe empatou por 0 a 0 com o Tesla no tempo normal e, com uma vitória por 4 a 3 nas cobranças de pênaltis, sagrou-se campeã da terceira divisão do Campeonato Paraense.
Este é o primeiro título oficial da equipe desde que ingressou no futebol profissional.

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Como finalistas da competição, Gavião Kyikatejê e Tesla já haviam garantido o acesso para a Série A2 do Parazão. Por ter feito a melhor campanha geral do torneio, o time do sudeste paraense pôde decidir o título diante de sua torcida, no estádio que fica na área urbana do município que abriga a Aldeia Kyikatêjê, localizada na Terra Indígena Mãe Maria.
Gavião Kyikatejê é campeão do Campeonato Paraense Série A3 2026 — Foto: Jakukrei J Haraxare
Após um jogo tenso e muito equilibrado no tempo regulamentar, o goleiro Thassyo foi o grande herói da conquista ao defender duas cobranças na disputa de pênaltis. O elenco campeão é comandado pelo cacique Jakure Pepkrakte, conhecido como Zeca Gavião, que acumula as funções de técnico e presidente do clube.
Além de Zeca Gavião, o grupo conta com quatro atletas de origem indígena: os defensores Kritoi (Kryktyiti Jokakure), Amyn (Amiyarenti Japenpramti) e Krere (Jonkrepoipramre Andreia Joprikinire), além do meio-campista Kre (Krepramti Mpokinti).
Técnico Zeca Gavião comemora gol do time durante a campanha no Parazão Série A3 — Foto: Jakukrei J Haraxare
Com a filosofia de mesclar jogadores rodados no cenário local com jovens atletas indígenas, o clube disputava a terceira divisão desde 2024. Sob esse modelo de gestão, o Gavião alcançou a elite do futebol paraense pela primeira vez em 2014, onde permaneceu por uma temporada. A equipe retornou à Série A em 2021 após ser vice-campeã da Segundinha em 2020, mas acabou rebaixada no mesmo ano.
Origem do Gavião Kyikatejê
A história do clube começou em 2007, quando o povo Kyikatejê-Gavião adquiriu os direitos federativos do Castanheira Esporte Clube, agremiação amadora da vizinha Marabá. Já rebatizado como Gavião Kyikatejê, o time conquistou a Liga Marabaense em 2008 e deu início ao seu processo de profissionalização junto à Federação Paraense de Futebol no ano seguinte.
O eterno ídolo Aru
O maior símbolo da história do Gavião nos gramados foi o atacante Aru. Ele ficou conhecido nacionalmente ao marcar o primeiro gol do clube na elite do futebol do Pará jogando com pinturas indígenas no corpo. Em 2015, o atacante chegou a defender clubes tradicionais como São Raimundo-PA e Parauapebas. Fora do estado, teve passagens por Palmas e Tanabi (SP), onde foi companheiro do ex-astro paraguaio Salvador Cabañas.
Aru faleceu em 2018 em decorrência de um grave acidente de carro na rodovia BR-222, em Marabá. Em homenagem póstuma ao seu eterno ídolo, a diretoria do Gavião Kyikatejê decidiu aposentar a camisa de número 9 do clube.
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