Nair fecha uma baliza, Portugal continua sem abrir a outra

Pode uma derrota terminar com mais ilações positivas do que pontos negativos? Não é muito habitual mas pode. Apesar do desaire inaugural frente à Coreia do Norte, campeã em título e grande potência no futebol feminino entre Sub-17 e Sub-20, Portugal teve uma boa estreia no primeiro encontro de sempre feito num Campeonato do Mundo Sub-20. Sofreu dois golos numa grande penalidade e numa desconcentração na zona da pequena área que foi uma exceção à regra, conseguiu chegar por duas vezes com perigo à baliza, saiu de cabeça erguida para as batalhas que se seguiam. Agora, começava “outro” campeonato. E o duelo frente à Colômbia, que em caso de vitória ou empate deixava a possibilidade de qualificação bem encaminhada.
“Fomos muito corajosa, fizemos um bom encontro. Para primeiro jogo e contra uma campeã do mundo, conseguimos ter alguma bola. Não conseguimos rematar o número de vezes que queríamos mas acreditamos que estamos no bom caminho e que vamos conseguir melhorar para os próximos dois jogos. Estamos preparados para uma Colômbia completamente diferente da Coreia do Norte e para uma Costa Rica com uma personalidade de jogo muito diferente. Teremos de apresentar outros argumentos mas também temos a equipa montada a pensar nesses dois encontros. Estamos confiantes de que vamos ter capacidade de resposta. Mesmo não tendo uma recuperação completa, porque são apenas dois dias, temos um plantel que dá garantias e temos de aproveitar ao máximo esse tempo para darmos uma resposta”, dizia Marisa Gomes.
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“As derrotas deixam sempre alguma debilidade, é óbvio que uma vitória traz sempre outra emoção e outra capacidade. No entanto, também sabemos que o adversário tinha um nível de jogo muito alto. Podíamos ter apresentado melhores dinâmicas num ou outro ponto e estamos a trabalhar para isso, para conseguirmos fazer melhorar frente à Colômbia. Já superámos este desafio, a Coreia já passou, estamos focadas na Colômbia. É uma equipa muito agressiva mas caracteriza-se, sobretudo, por ser uma equipa que está muito à vontade sem bola. Consegue manter-se posicionada, ser paciente e sabe pressionar nos momentos certos. Vai obrigar-nos a ser muito inteligentes. Vamos ter que ter bola, jogar sob pressão e vamos ter de impor o nosso jogo para conseguir chegar à baliza colombiana”, acrescentara a selecionadora antes da segunda jornada.
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Já depois da primeira goleada neste Mundial da Coreia do Norte, que bateu a Costa Rica por 4-0 e deixou a formação da América Central sem pontos com apenas um encontro por disputar (contra Portugal), chegava a altura do conjunto nacional lutar pelo próximo passo para a história numa fase final do Mundial Sub-20 com a possibilidade de chegar aos primeiros pontos de sempre que seriam um passo importante para seguir para a fase a eliminar da prova, tendo em conta que os quatro melhores terceiros classificados (em seis) conseguem seguir para os oitavos. Era aí que estava o foco da Seleção portuguesa em Lodz, na Polónia.
As miúdas de Portugal enfrentam a Colômbia pela #U20WWC ???????????????????? pic.twitter.com/11dWDBLLEJ
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Com três alterações no conjunto inicial, com as entradas de Iara Lobo, Diana Costa e Anna Marques para os lugares de Carolina Simões, Maísa Correia e Carolina Santiago (e tendo já Carolina Tristão no banco, depois de ter estado na Supertaça entre Benfica e FC Porto), Portugal foi globalmente melhor num primeiro tempo que confirmou essa capacidade de jogar à vontade sem bola da Colômbia entre a saída precoce de Joana Valente (entrou Rita Melo). Mafalda Mariano teve a primeira ameaça num livre direto em zona central que saiu por cima (8′), Rita Melo atirou também à figura de Luisa Agudelo e Neide Gomes, que tivera essa tentativa com mais perigo contra a Coreia do Norte, voltou a testar a meia distância para nova intervenção de Agudelo (28′). Só mesmo no final as cafeteras apareceram na frente, com Nair Pina a fazer duas grandes defesas a um desvio de cabeça de Valerin Loboa (44′) e a um remate cruzado de Maithe López (45+1′).
O ???????? ???????????????????????????? para defrontar a Colômbia no Mundial Sub-20 Feminino ???? #U20WWC | #COLPOR pic.twitter.com/xQL4j8im7h
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Depois desse período menos conseguido na primeira parte, Marisa Gomes mexeu ao intervalo, promovendo as entradas de Carolina Santiago e Carolina Tristão para as saídas de Mafalda Mariano e Diana Costa, mas nem por isso Portugal “ganhava” os últimos 20 metros que continuavam a faltar para criar oportunidades e chegar ao golo. Ainda assim, havia outro poder de fogo na frente, com Tristão a ganhar a bola à entrada da área numa jogada de insistência e a rematar de pé esquerdo com a bola a bater ainda no poste (57′). O jogo ia dando sinais de abrir um pouco mais, com a Colômbia a ter também outra oportunidade flagrante com Loboa a surgir isolada na área mas a ter novamente em Nair Pina uma oposição à altura, com a terceira grande defesa da guardiã que começava a despertar um “fenómeno Vozinha” (à sua escala) via LiveMode TV.
Os minutos iam passando, o risco também começava a diminuir perante o peso que um golo para cada lado podia trazer. Portugal nunca deixou de assumir a iniciativa do encontro, tentando pelos três corredores mas chocando sempre com uma muralha defensiva mais forte em termos físicos, mas a Colômbia recuava linhas para assegurar que pelo menos não sofria, o que em condições normais daria um dos dois primeiros lugares do grupo E do Mundial Sub-20 a não ser que a Seleção conseguisse anular a desvantagem entre os golos marcados e sofridos. Quando as sul-americanas iam à frente, sobretudo em esquemas táticos, Nair Pina continuava a encher a baliza, como voltou a acontecer com Sintia Cabezas (80′), que mais tarde teria a última chance flagrante com um remate de pé direito que bateu no poste (85′). O que faltava? Ter a mesma capacidade de encontrar a baliza contrária. E só isso ficou a faltar em mais uma exibição sólida que deixou tudo em aberto para a última jornada, em que um triunfo com a Costa Rica garante o apuramento.
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