Quem era Gustavo Munis, jovem morto pela PM com 27 tiros após celular ser confundido com arma em SP

Familiares contaram aos investigadores que Gustavo lutava contra a dependência química e tomava antidepressivos desde o ano passado. No dia da ocorrência, os policiais foram acionados para atender um chamado envolvendo um "homem que estaria transtornado e ameaçava tirar a própria vida", segundo o B.O.
“É um moleque bom, gente boa, sempre que precisava ele arrumava bicicleta da minha filha”, disse o técnico de refrigeração Eguinaldo Ferreira à TV Globo.
Gustavo Munis de Santana foi morto com 27 tiros disparado por policiais militares em SP. — Foto: Reprodução
'Ele não me responde mais'
A mãe de Gustavo esteve no local da morte durante a manhã deste sábado. Em um áudio enviado a um vizinho da família, ela relatou que estava ao lado do filho, já morto.
“Meu filho tá morto aqui na rua. Eu tô aqui sentada no meio da rua do lado dele, conversando com ele. Mas ele tá morto, ele não me responde mais. Ele não me responde”, disse.
Segundo reportagem da TV Globo, a família permaneceu no local durante a manhã e estava muito abalada. Os parentes não quiseram conceder entrevista.
O corpo de Gustavo foi liberado para o Instituto Médico Legal (IML) às 11h04, de acordo com o boletim de ocorrência. O corpo permaneceu na rua por mais de 10 horas.
Eguinaldo Ferreira afirmou à TV Globo que conhecia Gustavo desde a infância. Ele também contou que o jovem costumava ajudá-lo com pequenos consertos. Segundo ele, Gustavo também cuidava de cachorros e trabalhava em um hospital.

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Celular foi confundido com arma
A Polícia Militar foi acionada pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) por volta das 2h35 para atender a uma ocorrência envolvendo um homem que estaria transtornado e ameaçava tirar a própria vida.
Segundo o boletim de ocorrência, quando os policiais chegaram à região da Avenida Moreira Guimarães, Gustavo correu por uma passarela em direção à Alameda dos Guaramomis e tentou se esconder no recuo de um imóvel comercial.
Os policiais relataram que o jovem saiu de uma área escura e estendeu os braços na direção deles enquanto segurava um objeto escuro. Os agentes disseram ter interpretado o movimento como uma ameaça com arma de fogo e atiraram.
A perícia encontrou ao lado do corpo um celular Samsung. O aparelho foi apreendido e será periciado.
Quatro PMs dispararam 45 vezes
A perícia constatou pelo menos 27 ferimentos provocados por tiros no corpo de Gustavo. As lesões atingiram diversas regiões, incluindo cabeça, pescoço, tórax, braços, mãos, pelve e pernas.
O laudo definitivo das lesões ainda será elaborado pelo IML.
Caso é investigado
As polícias Civil e Militar investigam a morte de Gustavo. O caso foi registrado no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) como resistência e morte decorrente de intervenção policial.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a conduta dos policiais será analisada por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM). As armas dos agentes, o celular da vítima e as imagens das câmeras corporais que registraram a ação foram apreendidos e serão periciados.
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