Romero Britto revela em autobiografia que tratou câncer de próstata em segredo: 'Poucas pessoas sabem'

O artista plástico Romero Britto, de 63 anos, expôs um fato até então desconhecido de sua vida: ele foi diagnosticado com um câncer de próstata em 2020 e manteve a doença em segredo desde então. A história é contada pela primeira vez abertamente na autobiografia A Arte da Felicidade, publicada pela Citadel Editora. Segundo ele, poucas pessoas souberam do episódio, que não chegou a ser divulgado na imprensa ou redes sociais.
"É a primeira vez que falo abertamente sobre esse episódio marcante, e não é por acaso que escolhi encerrar o livro com ele", escreve o artista no relato. Britto explicou que a decisão de preservar a intimidade durante o tratamento foi uma escolha consciente. Ele contou que preferiu concentrar suas energias na recuperação, mantendo a rotina de trabalho, a fé e o pensamento positivo, em vez de transformar a doença em uma "batalha pública".
Britto disse que o diagnóstico veio durante um check-up anual, em meio à pandemia de Covid-19. Um exame de PSA chamou a atenção de Lucas, médico por formação e companheiro do artista. Após repetir o teste três vezes, todos com o mesmo resultado, eles decidiram partir para uma biópsia. Dias depois, Britto recebeu a ligação que mudaria sua rotina.
"Ainda me lembro da voz embargada do médico: 'Romero, você tem câncer'. 'Oh, my God!', foi tudo o que consegui dizer", recorda ele no livro. Apesar do impacto da notícia, o artista disse que procurou não se entregar ao desespero. "Decidi, então, não travar uma luta contra o câncer, e sim viver como se ele não existisse. Não me entenda mal, eu não ignorei o problema. Segui o tratamento, cumpri cada orientação médica, mas procurei manter a serenidade", afirma.
Britto passou por uma cirurgia para a retirada da próstata e precisou ficar algumas semanas em repouso. Mesmo durante a recuperação, encontrou na pintura uma forma de manter a disposição. "Eu queria pintar, pois fazer arte é o que me move", conta, explicando que a arte, a positividade, o otimismo e a fé foram importantes durante o período, ao lado do tratamento médico e do apoio das pessoas próximas.
Cinco anos depois da cirurgia, o câncer não voltou a dar sinais. O artista afirmou que é considerado curado há dois anos e disse se sentir mais saudável do que nunca. No livro, fez questão de agradecer aos médicos, enfermeiros, amigos, à equipe e a quem esteve ao seu lado durante todo o processo.
Na obra, Britto revisita desde a infância humilde no Recife até a consagração internacional. Antes de se tornar um dos artistas brasileiros mais conhecidos no exterior, ele enfrentou a fome, chegou a desmaiar na escola por falta de alimentação e acompanhou a mãe e os irmãos em pescarias na praia para ajudar a colocar comida em casa.
Em A Arte da Felicidade, o pernambucano também relembra os primeiros passos na arte, a mudança para Miami, as parcerias com grandes marcas e os encontros com personalidades como Michael Jackson e Muhammad Ali.
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