Relação entre governos Lula e Zelensky saiu da terapia intensiva

A posição do Brasil sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia sempre causou mal estar em Kiev, onde predominou — e talvez continue predominando em alguns setores — a ideia de que o governo Lula é pró-russo. Mas esse sentimento, que era muito forte nos anos 2022, 2023 e 2024, parece ter começado a ser suavizado.
A decisão de apresentar o nome da nova embaixadora antes mesmo das eleições presidenciais brasileiras é uma prova de que a intenção de Zelensky é se reaproximar do Brasil, mesmo num cenário de nova reeleição do presidente Lula.
O governo Lula decidiu não conceder novos agréments até que seja definida a eleição presidencial e isso tem várias explicações. Uma delas é política: o conflito com os Estados Unidos pelo pedido de agrément de Daniel Perez, nome indicado pelo presidente Donald Trump para ser o novo embaixador no Brasil. A opção do governo de esperar as eleições irritou a Casa Branca, que respondeu revogando o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.
O governo Trump não cumpriu uma regra básica da diplomacia: não revelar o nome de uma pessoa indicada para o posto de embaixador enquanto o país de destino não confirmar o agrément. O Itamaraty tem esse elemento forte para atrasar sua resposta, mas a crise está instalada. E, nesse cenário, nenhum agrément será concedido até novembro, confirmaram fontes diplomáticas.
No caso da Ucrânia, o nome vazou na imprensa local, mas Zelensky ou funcionários do seu governo não fizeram qualquer comentário sobre o assunto. O nome de Inna Vasylivna Ohnivet provavelmente será aprovado, após as eleições. A diplomata já passou por postos em Portugal e Eslováquia, e sua indicação chegou num momento de distensão da relação bilateral.
O encontro entre Lula e Zelensky na última reunião do G7, em junho, na França, foi avaliado como positivo pelos dois lados. Em sua conta no X, o presidente brasileiro afirmou que "me encontrei hoje em Évian, à margem da reunião do G7, a seu pedido, com o presidente Volodymyr Zelensky. Por cerca de 40 minutos, ouvi suas avaliações sobre as situações atuais do conflito, das possibilidades de um cessar-fogo e a busca de uma solução diplomática. Expus minha expectativa de que o Conselho de Segurança da ONU possa atuar de forma mais efetiva para encerrar um conflito que já dura mais de quatro anos. Acordamos manter contato nas próximas semanas".
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