Tornados, temporais em sequência e enchentes: como o RS vive os efeitos de um El Niño histórico que já deixou 9 mortos

Entre enchentes, granizo, ventos intensos e tornados, o estado enfrenta os efeitos combinados das mudanças climáticas e de um El Niño que pode figurar entre os mais impactantes já registrados.
🔥 O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre em intervalos irregulares, geralmente a cada 2 a 7 anos. Ele é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5ºC das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e a distribuição de calor e umidade ao redor do globo, impactando os padrões de clima em diversas partes do mundo.
Desde o começo do segundo semestre, a chuva acima da média vem provocando estragos em diferentes regiões gaúchas. A sequência de temporais começou ainda nos primeiros dias de julho, inicialmente no Norte do estado, mas rapidamente atingiu outras áreas.
A casa teria sido levada pela enxurrada durante a manhã na Linha Alcântara, em Bento Gonçalves. — Foto: Adriana Glanert
Tornado deixa feridos no Noroeste do Rio Grande do Sul — Foto: Redes sociais
Tornado atinge RS pela segunda semana consecutiva — Foto: Paulo Cesar Maciel Andrade/Imagens cedidas
Para o climatologista Francisco Eliseu Aquino, a tendência é que esses fenômenos se tornem cada vez mais frequentes.
“É preciso se acostumar à presença dos eventos extremos e ao aumento da quantidade deles. Os tornados são um belo exemplo”, afirma.
Segundo ele, os sistemas atmosféricos vêm se mostrando mais intensos na última década, o que pode resultar tanto em mais ocorrências quanto em eventos mais severos.
Em agosto, três pessoas morreram em ocorrências relacionadas ao mau tempo. Já em setembro, o mês mais letal do período, foram registradas seis mortes, incluindo vítimas de enxurradas, choque elétrico provocado por fios rompidos e veículos arrastados pela água.
Além dos tornados, sucessivos episódios de chuva acompanhada de granizo deixaram um rastro de danos em diversas cidades.
Os impactos avançaram pelos meses seguintes. Em setembro e outubro, novas tempestades atingiram regiões que já haviam sofrido anteriormente, desta vez com maior abrangência e intensidade.
Aquino destaca que os efeitos observados no estado estão relacionados a um El Niño excepcionalmente forte.
Na avaliação do climatologista, o fenômeno deve figurar entre os dois ou três mais impactantes para a humanidade, considerando consequências como mortes provocadas por ondas de calor, enchentes e outros eventos extremos, além de prejuízos econômicos, sociais e ambientais.
A meteorologia já vinha alertando para os efeitos do chamado super El Niño, que indicava volumes elevados de chuva para o segundo semestre do ano no Rio Grande do Sul.
E não há perspectiva de trégua imediata. De acordo com o especialista, as condições atmosféricas devem permanecer durante a primavera e o verão, favorecendo a continuidade das chuvas acima da média e temperaturas mais altas.
"As mesmas condições são esperadas pelas características ditadas por um El Niño, que, aparentemente, até esse momento, mostra a sua repetição. Então, chuva acima da média para toda a estação de primavera e verão, e em especial temperaturas bem mais elevadas", destaca o climatologista Aquino.
Com isso, a expectativa é de que os eventos extremos continuem fazendo parte da rotina dos gaúchos pelo menos até o início do próximo ano.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.