Joe Salgado virou à direita no 11 de setembro e sobreviveu

Maik Alexandre começou por ir no carro da polícia, a fazer de batedor, para que as ambulâncias chegassem o mais rapidamente possível a um dos cinco hospitais que existiam em Newark na altura. “Fiz esse percurso mais de 60 vezes, para trás e para a frente”. Em 2001 tinha apenas 25 anos, mas lembra-se bem do nevoeiro de cinza no Ground Zero: “Não conseguia ver quase nada. O ar estava cheio de pó e vidro.” Depois, o que recorda melhor é do cheiro. “Era o cheiro de um corpo queimado, mas não era um… Eram milhares”.
As recordações vão surgindo à medida que conversa com a Rádio Observador. “Lembro-me dos apitos dos rádios dos bombeiros que tinham falecido. Alguns eram altos, significa que estavam por cima dos escombros. Outros baixinhos. Estavam enterrados e as baterias estavam a descarregar. Por isso, começavam a apitar”. Passados dias, ainda se ouviam esses apitos por entre os escombros.
Nesta emissão especial da Rádio Observador, em Nova Iorque, falámos com muitos portugueses e luso-descendentes. Em três horas de emissão em direto, foram onze as entrevistas que podem acompanhar aqui.
Nova Iorque continua a ser a grande metrópole, uma cidade imensa, inundada de luz, cores, odores, mas tem uma ferida por sarar. Na zona de impacto daquele dia, abre-se um buraco para onde escorre água de forma ruidosa. Os nomes de 2.983 vítimas estão gravados em painéis de bronze do memorial dos atentados de 11 de setembro, onde os discursos estão proibidos. Entre essas quase 3 mil vítimas estão 9 portugueses: António Rocha, Raymond Rocha, Manuel da Mota, Christopher Mello, António Rodrigues, João Aguiar Jr., Dennis Gomes, Carlos da Costa e Mark Jardim.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.