Governo Trump expulsa diplomata cubano dos EUA após bate-boca na ONU
O governo de Donald Trump expulsou um diplomata cubano dos Estados Unidos na quarta-feira (28), um dia após uma discussão entre o ministro das Relações Exteriores de Cuba e o embaixador dos EUA na ONU, Michael Waltz, na Assembleia Geral das Nações Unidas.
O Departamento de Estado informou que comunicou à missão de Cuba na ONU que seu primeiro secretário, Richard Tur de la Concepción, "não era bem-vindo" nos EUA depois que o cubano deu um tapa no celular de um funcionário americano que o filmava de perto no salão principal da ONU.
Em uma postagem nas redes sociais na quarta, Waltz acusou Concepción de "agredir" o americano. Mais tarde, ele disse à Fox News que o funcionário cubano "estaria em um voo de volta a Havana e fora deste país ainda hoje".
A rixa incomum no salão, normalmente sóbrio, ocorreu em um momento de renovada tensão entre Cuba e os EUA. O governo Trump está exercendo intensa pressão sobre o regime comunista de Cuba, na esperança de forçá-lo a realizar reformas drásticas e, possivelmente, até mesmo levá-lo ao colapso.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, recentemente exortou os cubanos a colaborarem com a CIA contra seu próprio governo. E o presidente Donald Trump disse aos eleitores, em um comício de campanha recente na Flórida, que as forças americanas poderiam "cuidar de Cuba" no caminho de volta do Irã.
Bruno Rodríguez Parrilla, ministro das Relações Exteriores de Cuba, demonstrou confiança, em entrevista esta semana, de que o governo do país sobreviverá a Trump. "Há 60 anos, a política dos EUA em relação a Cuba não tem funcionado", disse ele, "enquanto a política de Cuba de resistir e se adaptar a essa agressão tem funcionado".
O drama na ONU começou na terça (27), quando Waltz se manifestou contra uma resolução que exigia o fim do embargo econômico de longa data imposto pelos EUA à ilha.
Falando do pódio, Waltz acusou os líderes cubanos de repressão, corrupção e enriquecimento ilícito. Rodríguez e outros membros da delegação do país começaram a bater nas mesas e a exigir moções de ordem. Por fim, aproximaram-se da tribuna a poucos pés de Waltz, que interrompeu seu discurso para repreendê-los.
"Recuem! Recuem!", gritou Waltz. "Aqui não é Havana. Vocês não vão me intimidar. Entendem com quem estão lidando? Aqui é os Estados Unidos!"
Os cubanos logo voltaram às suas mesas depois que o presidente da sessão suspendeu os trabalhos. Rodríguez recebeu então tempo para responder a Waltz, a quem acusou de mentiroso. Em algum momento durante ou após essa sequência, Concepción teve uma discussão com um funcionário dos EUA que foi filmada e postada no X por Waltz.
O vídeo mostrava Concepción em pé ao lado da tribuna, afastando com um tapa o celular do funcionário americano. Quando um funcionário da ONU se aproximou, ouviu-se Concepción protestando que o americano estava "violando o espaço pessoal". O funcionário então acompanhou Concepción, que se mostrou cooperativo, para fora da área.
Waltz alegou no X que o cubano estava "tentando intimidar os funcionários da ONU" para que desligassem seu microfone "a fim de me silenciar depois que expus o regime para que o mundo visse".
Em uma carta ao gabinete do secretário-geral da ONU, o embaixador de Cuba na ONU protestou formalmente contra o episódio, insistindo que o americano que estava filmando havia assediado Concepción.
A resolução que pede o fim do embargo dos EUA tornou-se uma tradição anual nas Nações Unidas. Até mesmo muitos países críticos em relação a Cuba se opõem às sanções dos EUA contra a ilha, alegando que elas prejudicam indevidamente o povo cubano e pouco alcançaram ao longo de muitas décadas.
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O governo Trump fez um lobby agressivo contra a medida este ano, limitando-a a 130 votos a favor, contra 165 votos no ano anterior.
Esse total marcou o menor nível em 20 anos, de acordo com a assessoria de imprensa da ONU, que afirma que o apoio atingiu o pico de 191 votos em 2015 e 2017. Apenas 59 países apoiaram a resolução quando ela foi proposta pela primeira vez, em 1992.
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