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Tuesday, November 3, 2026

Harry Styles encerrou sua histórica temporada no Madison Square Garden — e esta música resumiu tudo

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A faixa “Season 2 Weight Loss”, marcada por um baixo intenso, tornou-se uma peça fundamental para a compreensão do cantor, especialmente ao longo de sua residência de 30 noites em Nova York

Rolling Stone

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Harry Styles
Harry Styles (Foto: JMEnternational/Getty Images)

Em cada uma das 30 noites de sua série de shows no Madison Square Garden, Harry Styles lançava a mesma sequência de perguntas ao público por meio de “Season 2 Weight Loss”, presente em seu quarto álbum, Kiss All the Time. Disco, Occasionally: “Vocês me amam agora? Amam? Amam? Será que decepciono vocês?”

A canção marca um dos momentos mais sombrios do repertório — e não apenas por suas indagações angustiadas: além de luzes estroboscópicas vermelhas e azuis, o palco permanece praticamente na escuridão durante seus quatro minutos de duração. É também o momento em que Styles se mostra fisicamente mais distante; ele passa quase toda a performance no centro do palco, longe das bordas que, no restante do show, ele utiliza como uma mistura de pista de dança, esteira e parquinho. E, ainda assim, é o trecho mais revelador da apresentação.

Styles acompanha a percussão pulsante da música com movimentos corporais intensos e vigorosos. Ele cambaleia freneticamente, mas nunca cai. Diante de 20 mil pessoas, ele leva o conceito de “dançar como se ninguém estivesse olhando” ao extremo — justamente porque sabe que todos estão, sim, olhando. É algo apropriado para uma faixa tão voltada à tensão da performance — não apenas sob a perspectiva de um artista, mas de alguém que deseja intensamente se fazer presente, sem, contudo, dissolver a dissonância entre quem ele realmente é e quem as pessoas acreditam que ele seja. Nesse sentido, “Season 2 Weight Loss” é, talvez, a música mais importante que Styles já lançou.

Styles já comentou anteriormente sobre o peso das pressões e das expectativas emocionais, que muitas vezes se somam ao que ele próprio já está sentindo. Isso reflete o conflito central presente em “Season 2 Weight Loss”, especificamente no trecho em que ele canta: “É um tanto triste, mas há algo que eu sei / Coisas demais para vocês analisarem”. Ele parece estar refletindo, talvez agora mais do que nunca, sobre quais partes de si mesmo moldam a forma como entendemos — ou, em alguns casos, interpretamos erroneamente — quem ele é. Isso se tornou ainda mais relevante à medida que ele continua a reconfigurar sua relação com o estrelato.

As indagações de Styles sobre devoção e dúvida ganharam um novo peso no sábado, data que marcou o último show de sua residência artística, após 10 semanas. O Madison Square Garden é o menor local da turnê Love On Tour — que, fora isso, conta apenas com estádios com capacidade três ou quatro vezes maior. Para ele, um público desse porte é, hoje, considerado íntimo. Vê-lo envolver todo o ambiente em seu transe hipnótico, uma última vez, conferiu uma urgência extra à canção — algo que superou até mesmo o fato de ele ter entrado no palco fantasiado de rato, para depois trocar de roupa e exibir uma camiseta com os dizeres: “Eu sou um rato”.

Durante o penúltimo show da residência, Styles recriou o figurino que usou em sua audição para o The X Factor, aos 16 anos — ou seja, há 16 anos. Ele estava cercado pelos integrantes de sua banda, que se vestiram como diferentes versões dele ao longo de sua trajetória. O existencialismo de Styles contagiou os fãs, que aguardavam ansiosamente pelo que ele reservaria para a noite final: o que ele diria, o que cantaria e como se despediria daquele momento.

“Vou voltar para a segurança do meu pedestal de microfone, porque estou me sentindo vulnerável e não sei bem o que fazer com as mãos”, disse Styles, logo após Jalen Brunson, armador do New York Knicks, presenteá-lo com uma faixa que celebrava sua série de 30 apresentações. O carinho da plateia inundou Styles, que não conteve as lágrimas. Ele prolongou a noite o máximo que pôde, encerrando o espetáculo com uma versão estendida e dançante de “Aperture”, durante a qual dançava pelo palco enquanto devorava fatias de pizza. O momento pareceu não ter fim. Quem dera pudesse ter sido assim.

Em setembro, Styles escreveu uma carta aos seus fãs que os deixou em estado de crise. “Ser artista é, na verdade, a única vida que conheço; faço isso desde os 16 anos e me sinto a pessoa mais sortuda do mundo por continuar compartilhando esses momentos com vocês”, disse ele, mencionando que estenderia a turnê Together, Together até o ano seguinte. “Depois disso, não sei o que vem pela frente, mas estou animado para descobrir.” Os fãs analisaram cada palavra, e todas as interpretações possíveis pareciam levar à mesma conclusão.

“Se eu me afastar, crescer e mudar minha relação com essa ideia de sentir que preciso me apresentar como esse tipo deversão de mim mesmo — você me aceita assim?”, disse Styles em uma entrevista a Zane Lowe. “Ou você me aceita porque eu me apresento como essa versão de mim mesmo que, de certa forma, você esperava de mim?” Essa tensão sempre existiu para Styles, mas a música se deleita na confiança de ter construído uma conexão tão forte com seu público que ele consegue estabelecer esse nível de comunicação — mesmo quando ela soa um tanto ansiosa ou confrontadora — sem que isso rompa tal vínculo.

Sua última turnê, Love on Tour, talvez tenha consolidado essa relação sincera como uma possibilidade real para ele. “Acho que me dei conta de que aqueles shows pareciam o ápice do apoio de tanta gente”, disse Styles recentemente a Thom Yorke, em uma conversa para a série Musicians on Musicians, da Rolling Stone. Ele se referia ao desfecho arrebatador da turnê, que contou com 169 apresentações ao longo de quase dois anos. “Me senti  apoiado de uma forma que vai além de um simples: ‘Estamos aqui porque queremos ouvir esta música que você fez’. Parecia mais um: ‘Estamos aqui porque acreditamos no que você está fazendo’. Foi por isso que achei tudo tão emocionante.”

Quando ele se retira por longos períodos, Styles retorna com álbuns que refletem o autoquestionamento realizado durante esses intervalos. Agora, tudo o que ele pede é que os outros façam o mesmo — que encarem esse desconforto e o que ele revela quando se tem tempo para processá-lo. “Às vezes, você precisa parar e sentar um pouco”, ele canta. É quando está no centro do palco, entoando essas palavras e buscando respostas, que Styles parece mais próximo de seu público. “Season 2 Weight Loss” talvez não seja tão explicitamente emocional quanto “Carla’s Song” — que ele transformou em uma bela balada ao piano durante a temporada em Nova York —, mas é, sem dúvida, o momento de maior vulnerabilidade do espetáculo.

Em todas as noites da residência, Styles mencionou a honra de ter se apresentado no Madison Square Garden pela primeira vez, aos 18 anos. Ele passou quase metade de sua vida sendo recebido de braços abertos naquele local — primeiro com o One Direction e, depois, repetidas vezes, em sua carreira solo. E, ainda assim, ao longo de todos esses anos, Styles nunca apresentou um espetáculo tão envolvente e seguro de si quanto a turnê Together, Together, que ele trouxe a Nova York. Suas turnês anteriores, que acompanhavam o lançamento de seus três primeiros álbuns de estúdio, davam a sensação de acompanhar alguém se tornando, finalmente, quem sempre esteve destinado a ser.

Naquela época, havia um esforço evidente em tudo o que ele fazia — os ternos de alta-costura sob medida na primeira turnê, a grandiosidade cênica na segunda, e a interpretação solo de “What Makes You Beautiful” em ambas. Styles estava, então, começando a construir seu legado — um processo que era um privilégio acompanhar em tempo real. Desta vez, é diferente. Agora, ele está vivendo plenamente esse momento. Ao sair do Madison Square Garden no sábado, ficou mais do que evidente que aquele espetáculo não se resumia apenas a presenciar algo especial ganhando forma. O show colheu os frutos de apostar naquilo que soava como a verdade mais inquestionável: a de que ninguém está imune às mudanças que o tempo traz, mas que somos, sim, responsáveis ​​pela forma como passamos esse tempo.

Se escolhemos passar esse tempo juntos, em espaços como este, vale a pena seguir o conselho que Styles dá em “Season 2 Weight Loss”: “Deixe a luz entrar de vez em quando.”

+++ LEIA MAIS: Harry Styles é homenageado por Jalen Brunson no Madison Square Garden e recebe um banner referente às suas 30 noites no local

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