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Tuesday, October 13, 2026

João Almeida sobre críticas de Passos ao PSD: "É a vida"

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Esta é a comissão de inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado João Almeida, deputado do CDS. Bom dia, bem-vindo.

Bom dia.

Outra vez. A primeira vez. Junho 2024, mais de dois anos que esteve cá. Fez 17 pontos na outra.

Muito tempo pra fazer uma melhoria de notas.

Chegou a altura.

Já não me lembro da matéria.

Há matéria nova também.

Matéria nova, muita coisa nova pra falarmos. Vamos a isto, João Almeida? Vamos lá. Em que ano foi assinada a primeira coligação pré-eleitoral entre o PSD e o CDS, a histórica Aliança Democrática de Sá Carneiro e Freitas do Amaral, que contou também com o PPM de Henrique Bartoles?

79?

Está certíssimo. Isto é que ia começar a melhoria de nota. Pedro Passos Coelho voltou ao centro do debate com avisos e reflexões sobre o estado do país. Luís Montenegro já reagiu, disse que quem espera o insucesso do governo pode esperar sentado. João Almeida, não é um erro o PSD tratar Passos como se fosse um inimigo?

Não é um inimigo, de maneira nenhuma. Nem acho que queira o mal do governo. Acho que tem opiniões que são próprias, não são novas. Depois pode-se discutir a forma, o momento. Isso é sempre discutível. Sabe que eu sou de um partido que a certa altura só tinha um ex-líder como militante, todos os outros tinham saído, e isso é bastante dramático. Felizmente, hoje em dia no CDS já não é assim. Eu acho que mesmo com divergências, o passado dos partidos é relevante, até porque há sempre militantes que continuam a rever-se em cada uma das fases e, portanto, deve haver cuidado nessa gestão. Claro que sim. Fiquem à vontade.

João Almeida sabia que esta matéria ia ser intensa.

Se isto atrapalha de alguma forma a ação do governo, para todos os efeitos.

Não é bom, isso eu disse até recentemente. Claro que não é bom ter o último primeiro-ministro de uma AD, ex-líder do PSD, a fazer críticas que são críticas à condução política do governo. Não é bom, mas como alguém disse na política há uns anos, é a vida.

E nesta entrevista, Pedro Passos Coelho, a certa altura, fez uma comparação até para justificar a necessidade deste governo, ou a ideia deste governo tentar entrar em acordo com o Chega, fez uma comparação com as dificuldades que sentiu na formação do governo em 2011. Achou justa essa comparação das dificuldades que o PSD sentiu para se aliar ao CDS com o que poderia agora acontecer com uma possível aliança com o Chega?

O paralelo eu acho que não é assim tão evidente, até porque o CDS e o PSD tinham um histórico de relação conjunta, geriam já na altura muitas autarquias em conjunto. Mas é bom lembrar que o CDS, na altura, estava num ciclo de enorme crescimento e tinha acabado de eleger 24 deputados. E se nós pensarmos num paralelo, se o CDS não tivesse feito aquela aliança com o PSD, possivelmente tinha tido um crescimento se ficasse à direita do PSD com o governo a cumprir o programa da troica, provavelmente o crescimento do CDS nessa altura continuaria e o paralelo podia ter alguma coisa a ver com a lógica quantitativa, não certamente com a lógica qualitativa, porque havia uma proximidade de programas e um histórico que não tem nada a ver com o que acontece agora com o Chega.

Mas concorda com a perspectiva de Passos Coelho de que o Chega poderia estar também alinhado nesta AD, precisamente para não crescer sozinho?

Acho que olhando pro percurso do Chega, é difícil imaginar isso. Não vejo, mesmo do ponto de vista institucional, do ponto de vista do compromisso, uma possibilidade de uma coligação nos mesmos termos do que aquela que aconteceu em 2011 e que acontece agora. Se era desejável uma lógica mais estável de entendimentos para que a governação fosse mais serena e fosse possível algumas reformas, sim. Se o Chega estaria disponível, principalmente pro espírito reformista, parece muito difícil.

E o CDS ficaria confortável em ter como parceiro governamental o Chega e a Iniciativa Liberal?

Eu acho que aí nós temos uma reconfiguração do espaço político à direita. É inegável que isso aconteceu. E, portanto, olharmos para a lógica do espaço político à direita do PS, com os olhos anteriores ao aparecimento do Chega e da Iniciativa Liberal, não faz sentido. E, portanto, tudo isso tem de ser considerado consoante a conjuntura. E, portanto, acho que aí, obviamente que pro CDS pode não ser confortável, mas o que não foi mesmo confortável foi ter ficado fora do Parlamento numa altura em que lá estava o Chega e a Iniciativa Liberal. Resistimos a isso, ultrapassamos essa situação, voltamos ao Parlamento e, portanto, temos que ser pragmáticos nesse relacionamento.

Muito bem, João Almeida, cinco pontos. Agora também vai fazer mais cinco, que esta é fácil, essa não tem a ver com o Bolhenses. Estava aqui a lembrar que na última vez uma pergunta do Bolhenense.

A inauguração do estádio.

Então, quem foi o antecessor de José Pedro Aguiar Branco no cargo de presidente da Assembleia da República?

Augusto Santos Silva.

Estamos a facilitar muito esta melhoria.

Estamos a receber as pessoas de volta.

Esta foi uma assistência ao Fernando.

João Almeida, Aguiar Branco tem sido, como disse agora Eduardo Ferro Rodrigues numa entrevista, demasiado tolerante com o Chega. Isto relacionado com o comportamento dos deputados do Chega na Assembleia da República, estamos a falar de políticas.

Não posso discordar mais de Ferro Rodrigues. Eu acho que nós tivemos dois modelos de liderança da Assembleia da República, principalmente naquilo que diz respeito a lidar com o Chega. Augusto Santos Silva E José Pedro Aguiar-Branco. Augusto Santos Silva eu acho que merecia uma estátua na sede do Chega, porque foi provavelmente o maior responsável pelo crescimento do Chega, porque a forma como tratou o Chega podia agradar muito à esquerda, mas agradou muito mais ao eleitorado que se poderia rever no Chega, porque aquele tratamento por parte de um presidente socialista ao Chega eu acho que beneficiou muito, e principalmente beneficiou o André Ventura nos confrontos diretos que teve com Augusto Santos Silva. Acho que aos olhos dos eleitores, foi sempre a faturar.

Mas houve ou não uma degradação do ambiente na Assembleia da República, na forma como os deputados se dirigem uns aos outros, na condução dos trabalhos também?

Há uma animosidade talvez maior. Uma degradação, não sei. Eu era deputado no tempo da Troika e todos os dias me chamavam ladrão, por parte das bancadas, principalmente do Bloco de Esquerda. Eu também me lembro do Bloco de Esquerda com 20 deputados e é bom lembrar isso. E é bom lembrar como é que isso acontecia. Não digo que seja igual, mas também basta olharmos pra realidade internacional. Eu acho que o clima em nenhum parlamento, principalmente dos países da Europa, é igual agora ao que era há 10 anos. Há uma animosidade e um confronto de blocos que é muito mais intenso do que era há 10 ou 15 anos.

Isso recomenda alguma alteração das regras de funcionamento do Parlamento ou acha que é uma realidade com a qual têm que conviver?

Há uma coisa que tem acontecido muitas vezes esta legislatura que eu nunca pensei que acontecesse, que é termos a Comissão de Ética constantemente a avaliar comportamento de deputados. De fato, isso é uma novidade e eu fui deputado muitos anos em que não houve um único processo, isso não era assunto. E obviamente que pra instituição parlamentar, pra quem gosta do Parlamento, pra quem gosta do debate parlamentar, que é o meu caso, acho que isso era totalmente desnecessário e não é bom.

Muito bem, vamos seguir. 10 pontos até agora, a totalidade esta também não será difícil. Vamos lá ver, João Almeida. Foi recentemente publicado o manifesto pelo bom entendimento em democracia, que defende entendimentos de médio e longo prazo entre o PSD e o PS. Que empresário com negócios importantes no vinho e no azeite é que encabeçou esse manifesto?

Isso agora-

Mas foi há três semanas, talvez

...mais difícil. No vinho e no azeite, Alexandre Relvas?

Não.

Quer mais ajuda?

Sim, quero mais ajuda. Então vá lá. José Roquette.

Foi José Roquette, sim, tem razão. Falhei.

Faz sentido voltar a pensar aqui, isto é, o país precisa mesmo deste entendimento pra o bloco central?

Não. Eu aí sou completamente direto. Não, e principalmente compreendo pior isso a quem se preocupa com os extremismos e os extremos. Acho que não haveria melhor receita pra promover o extremismo em Portugal do que um bloco central. E acho que ia fortalecer o lado direito, que neste momento está mais dinâmico, mas ia ressuscitar o lado esquerdo, porque obviamente uma governação ao centro, que eu associo, eu sempre combati o bloco central, filiei-me no CDS exatamente por isso. Uma governação mais cinzenta, mais permeável a interesses mais ou menos legítimos, mais relacionada com um passado que as pessoas identificam como não tendo sido suficientemente bom, acho que era uma tragédia, sinceramente.

Mesmo que resolvesse bloqueios do país?

Acho que não resolvia nenhum, acho que criaria mais, acho que ia ficar tudo mais na mesma. Não sou minimamente adepto disso.

Não ia garantir uma estabilidade como estamos a ver, por exemplo, agora com a viabilização do orçamento do PS.

Eu prefiro uma estabilidade assim, em que há um partido que diz: "Não, nós achamos que a estabilidade é um valor em si e, portanto, não deve haver uma crise política", e que torne claras quais são as suas divergências. Acho que isso é mais positivo do que partilhar o poder e aí diluir as diferenças que eu acho que são essenciais em democracia. Em democracia é fundamental que haja diferença e que haja confronto de opiniões. E portanto, uma governação ao centro com um apagar quase dessas diferenças, não acho positivo.

Mas o que é certo é que o Chega chegou onde chegou nesse clima de fricção permanente entre o PS e o PSD, ou desentendimento, se quiser.

Não, beneficiou muito de uma geringonça, beneficiou do pós AD e beneficiou, principalmente, de uma liderança do PSD que não podia ter feito mais pelo crescimento do Chega. Foi exatamente o posicionamento de Rui Rio, eu nessa altura ainda era deputado, depois saí, mas Rui Rio só faltava elogiar António Costa. Quer dizer, criticar é que nunca vi. E portanto, acho que foi muito a liderança de Rui Rio ao centro e mais próxima de um bloco central que fez com que o Chega crescesse tanto.

Rui Rio apelava muito aos compromissos. Isso não faz sentido?

O apelar aos compromissos e haver compromissos, tudo bem, mas sem esbater as diferenças, sem partilhar o poder, porque isso é que faz as pessoas acharem que há um conjunto de pessoas que têm interesses, isso depois já é muito explorado pelos extremos, que têm interesses obscuros e que partilha o poder pra que ninguém possa pôr em causa esses interesses. Isso é um discurso que é demagógico, mas que tem muita penetração no eleitorado, principalmente quando há extremos mais fortes. Aconteceu à esquerda e agora está a acontecer à direita.

João, vamos sair da política, pelo menos momentaneamente. Vamos ao cinema.

Vamos ao cinema.

Quem realizou o filme "Seven: Os Sete Pecados Mortais"?

Ui. Não me lembro.

Com ajuda, vai lá. No estaminho. David Fincher, Steven Spielberg, Quentin Tarantino.

O Tarantino não foi Se fosse o Tarantino eu sabia.

É mais pela exclusão aqui.

Seven também tem aqui uma dose.

O Flint.

Exatamente. Mas isto é para falar de polícias, de administração interna.

Claro.

Quer explicar-nos melhor qual é a posição do CDS sobre as condições políticas para Luís Neves continuar Ministro da Administração Interna?

É muito simples. Cabe ao primeiro-ministro avaliá-los. E portanto, o CDS não tem que ter posição por uma razão simples: a escolha dos ministros é uma escolha pessoal do primeiro-ministro.

Amanhã tomam posse duas CPIs, uma relativa a Luís Neves, a outra em relação aos exames digitais, e portanto, ao Fernando Alexandre. Ouvimos sempre o CDS ser muito elogioso para com o ministro da Educação. E se calhar não encontramos o mesmo em Luís Neves.

No meu caso, será certamente por circunstâncias pessoais, porque eu fui colega do Fernando Alexandre, exatamente no Ministério da Administração Interna. Fomos ambos secretários de Estado no governo Passos Coelho, no Ministério da Administração Interna, em conjunto, e portanto conheço muito bem o Fernando Alexandre.

E põe as mãos no fogo, digamos assim.

Claro, conheço muito bem o trabalho do Fernando Alexandre e não conheço tão bem o ministro da Administração Interna. Não é uma desculpa, é mesmo factual. Agora, o que eu acho? A diferença tem uma justificação. O que está em causa no caso de Fernando Alexandre são atos de governação, que nós acompanhámos e portanto, que fazem parte do percurso deste governo. O que está em causa em relação a Luís Neves, são factos que têm a ver com a sua atuação enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária e que, sinceramente, não há o mesmo conhecimento, nem há a mesma possibilidade de avaliação. E portanto, não é tanto a lógica da defesa, é a questão da justificação política. Há uma justificação política naquilo que aconteceu relativamente aos exames, a Fernando Alexandre, à digitalização, a todo o processo político que levou a esses atos. Relativamente ao que se passou na Judiciária, não faço a mais pequena ideia.

Mas não é só na Judiciária. Ainda ontem tivemos a demissão do secretário-geral do MAI. De facto, há ali uma incapacidade do ministro em gerir o seu ministério? Parece que há uma guerra civil dentro daquele ministério. À volta do SIRESP.

Também conheço muito bem o doutor Ricardo Carrilho, trabalhei com ele dois anos e bem. Não tenho absolutamente nada a dizer sobre o doutor Ricardo Carrilho, não ia ser agora que ia dizer diferente. Nas políticas públicas do Ministério da Administração Interna, eu não acho que as coisas estejam a correr mal, tenho de ser sincero. Todas as polémicas são polémicas que têm a ver ou com o passado, ou agora com uma relação, que eu sinceramente já vi de um lado e de outras posições e tenho que saber mais. Não sei o suficiente para poder posicionar-me. E como disse, conheço o doutor Ricardo Carrilho, mas também conheço muito bem os secretários, não conheço tão bem o ministro, conheço muito bem os secretários de Estado da Administração Interna e eles também subscreveram o comunicado ontem relativamente àquilo que é a divergência ou que foram as divergências que levaram a esta saída do secretário-geral. Portanto, não conheço os motivos.

É um desgaste que seria dispensável nesta fase da governação?

Claro, não vou dizer o contrário, claro que é.

Amanhã ainda será só tomada a posição parlamentar de inquérito. Também vamos ter aqui um desgaste que valia a pena?

Um desgaste são os conhecimentos. Em relação à comissão de inquérito, pode acontecer uma coisa, pode acontecer outra. O espaço é para isso também. Nós já tivemos uma moção de censura sobre isto e, portanto, o facto de a moção de censura não ser aprovada, há sempre uma espécie de balão de oxigénio. A comissão de inquérito poderá dar para um lado ou pode levar para o outro. Sinceramente, acho que não podemos antecipar.

Mas Luís Montenegro poderia ter aliviado a pressão demitindo, substituindo o ministro da Administração Interna?

Acho que se há coisa que não se pode dizer do primeiro-ministro é que o primeiro-ministro tenha esse tipo de condução, que tome medidas no sentido de aliviar a pressão. Nisso acho que é provavelmente aquilo em que é mais parecido com Pedro Passos Coelho também. Era muito assim na condução e defender aquilo que acredita não era o óbvio. Portanto, acho que aí até são muito parecidos. Acho que há aí uma questão de coerência. Por isso é que eu digo que a responsabilidade é do primeiro-ministro. Acho que cabe a ele avaliar e escolher sempre qual é a melhor solução relativamente à equipa que lidera.

Nesta polêmica de ontem, o SIRESP volta a estar no centro das divergências e é recorrente haver dúvidas sobre o SIRESP. O assunto está bem resolvido ou precisamos de olhar bem para a forma como é gerido, como funciona e eventuais problemas de falta de transparência na gestão do SIRESP?

Sim, sempre. E acho que o problema do SIRESP é um problema fundador. Acho que não começou bem. Falei há pouco do Fernando Alexandre. Fernando Alexandre fez uma reforma importante no SIRESP quando foi secretário de Estado da Administração Interna. Acho que provavelmente resolveu-se o mais importante, que é a dimensão técnica. Há cada vez menos reclamações de SIRESP. Qualquer rede de comunicações tem momentos em que pode não ser tão eficiente, mas é indiscutível que melhorou muito. Em relação à gestão, é fundamental ainda pelo menos aprofundar a transparência do seu funcionamento. Acho que sim.

Muito bem, João Almeida, vamos para a última pergunta. Pode chegar aos 19 pontos e ultrapassar assim a pontuação da primeira vez que esteve cá.

A tal melhoria de nota.

Vamos ver. O CDS foi fundado a 19 de julho de 1974. Qual é o signo do partido?

Dezenove de julho é caranguejo.

Muito bem.

Não percebo nada de signos, mas o meu irmão é do mesmo ano, do mesmo dia que o CDS. Valeu isso.

Do mesmo dia?

Do mesmo dia, 19 de julho.

Do mesmo ano.

Não. Uns anos depois.

Eu ia fazer uma pergunta sobre

O que dizem as estrelas sobre o futuro do CDS, mas há pouco estamos aqui a discutir as razões para o crescimento do CHEGA. Falamos do Rui Rio, da geringonça, do papel da Augusto Santos Silva. Por que o CDS não foi capaz de aproveitar as condições, de que dispôs também e que o CHEGA aproveitou para crescer?

Porque eu acho que, e eu estava nessa direção também, provavelmente lemos mal a evolução do tempo. O CDS nessa altura também se posicionou numa lógica mais pós-troika, eu disso já discordava, e eu acho que olhou para a Espanha e achou que podia ser um cidadãos. E, de facto, olhando para a evolução do cidadãos, nós ao menos não morremos ou ressuscitamos, mas acho que houve a leitura de que provavelmente a política pedia soluções menos marcadas ideologicamente e era exatamente o contrário. O caminho ia no sentido de soluções mais marcadas ideologicamente. E eu vejo o CHEGA fazer muita coisa que o CDS fez nos anos 90, principalmente no posicionamento, seja com o Manuel Monteiro primeiro, seja com o Paulo Portas depois, o estilo de oposição, mesmo o desafio em relação ao funcionamento do Estado, as pessoas se calhar já não têm memória disso. Eu tenho. O CDS questionou muitas vezes o funcionamento do Estado, as retribuições aos políticos, muita coisa que hoje em dia o CHEGA faz, se calhar o CDS não gosta tanto dessa memória.

Se calhar o CHEGA faz melhor.

Não, não acho. Atenção, o CDS nessa altura, com o Manuel Monteiro, passou do partido do táxi para 15 deputados num tempo em que o PSD tinha maioria absoluta. Não é pouco. E com o Paulo Portas, passou de 12 deputados para 25. Também não é pouco.

Mas não havia um piquinho de populismo também nessa altura?

Havia, há que reconhecer. Claro que havia. Claro que houve.

Aliás, foi ao fim das feiras, não é?

Mas acho que o momento mais. Sim. Eu acho que a grande diferença é que havia muito mais de popular do que de populista. E é isso que falta provavelmente ao CHEGA. Havia uma proximidade do CDS nesses dois ciclos às pessoas, às suas preocupações, que às vezes se calhar tornava com que as propostas políticas fossem mais desafiantes daquilo que era o estado da política, mas era um desafiante que não entrava no irrealismo com a facilidade que o CHEGA entra. E portanto acho que uma coisa é ser desafiante, outra coisa é ser irrealista. E acho que era isso que distinguia o popular do CDS, do populista do CHEGA hoje em dia.

E o CDS perdeu isso no pós-troika, acha que se diluiu no governo de Passos Coelho e não se diferenciou o suficiente.

Há que ser justo. A situação para um partido, para o junior party, como normalmente se chama, das coligações, pós a governação da troika era muito difícil. E portanto, a Assunção Cristas teve que liderar o partido numa situação em que tinha o desgaste de ter sido partido de governo na troika sem ser partido maioritário e, portanto, tendo tido muitas vezes de partilhar soluções que nem sequer eram aquelas que o CDS achava mais adequadas no momento.

Isso às vezes foi notório.

Muitas vezes foi notório. O irrevogável nasce disso. E depois, ao mesmo tempo, com a situação difícil do ponto de vista eleitoral e, portanto, acho que era difícil sempre para o CDS. Acho que o posicionar-se numa lógica mais pós-ideológica, que aconteceu um bocadinho, também prejudicou. Há que reconhecer hoje em dia fazendo o Totobola à segunda-feira. Obviamente que na altura era mais difícil perceber isso, mas a análise retroespctiva acho que também houve essa situação.

João Almeida, foi bem-sucedido nesta melhoria de nota, mas agradeça ao seu irmão.

Agradeço, saindo daqui agradeço-lhe já. Não sei o signo de ninguém.

Isto não foi como o caranguejo, não foi andar para o lado, avançou um bocadinho dos 17 para os 19.

Mas ainda pode faltar daqui a dois anos.

Exatamente, para os 25, João Almeida.

Já vai ser mais difícil melhorar. Obrigadíssimo. Obrigado, bom dia.

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