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Thursday, November 5, 2026

Aumento do consumo de energia de Itaipu pelo Paraguai deve pressionar preços no Brasil, diz Itaú BBA

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O aumento do consumo pelo Paraguai da energia gerada pela usina hidrelétrica de Itaipu deve pressionar os preços da energia no Brasil, principalmente ao diminuir a oferta disponível para o sistema elétrico brasileiro no fim da tarde, afirma um relatório do Itaú BBA.

Esse cenário tende a aumentar a geração termelétrica durante o pico do fim de tarde, favorecendo empresas como a Eneva, e beneficiar os geradores hidrelétricos que escolhem deixar energia descontratada em seus portfólios para aproveitar janelas de preços altos, como Axia, Copel, Auren e Engie, disse o banco.

Pelo Tratado de Itaipu, Brasil e Paraguai têm cada um direito a metade da energia gerada pela hidrelétrica binacional de 14 gigawatts (GW), sendo que o outro lado pode adquirir a parcela não utilizada.

Historicamente, o Brasil usa toda sua parcela de Itaipu e ainda compra o excedente do Paraguai, que tem um consumo de energia menor. Mas esse cenário vem mudando nos últimos anos, com a carga do lado paraguaio aumentando, impulsionada por atividades como mineração de criptomoedas e data centers.

A demanda de energia do Paraguai avançou entre 12% e 18% ao ano de 2023 a 2025, atingindo uma carga média de 3,3 GW em 2025, ante um crescimento médio anual de 12% desde 2021, segundo o BBA. Quase toda a demanda é atendida por Itaipu, embora essa participação possa oscilar, a depender da estratégia comercial e operacional da Ande, estatal de energia do Paraguai.

Um dos problemas desse aumento de carga no país vizinho é que o pico por lá ocorre às 18h, mesmo horário do observado no Brasil, observou o banco.

"Entre abril e setembro, o pico de carga do Paraguai ocorre às 18h, coincidindo com o pico de carga líquida do SIN (sistema brasileiro). A demanda da Ande nesse horário deverá crescer de 4,0 GW em 2026 para 4,7 GW em 2029, reduzindo a energia de Itaipu disponível para o Brasil justamente no momento em que o sistema mais necessita dela", escrevem Fillipe Andrade, Lucas Guimarães e Lorena Fernandez.

Como resultado dessa perda de oferta hidrelétrica, pelos cálculos do BBA, a geração termelétrica aumentaria perto de 11% ao ano no período 2027-29, enquanto o preço médio marginal subiria de R$ 40 a R$ 59 por megawatt-hora (MWh).

Segundo o banco, o efeito do maior consumo paraguaio de Itaipu sobre os preços no Brasil deve se tornar mais evidente a partir de 2027, quando a programação mensal de operação do sistema elétrico brasileiro, definida pelo ONS, passará a contar com uma nova metodologia para projetar a carga demandada pela Ande.

A regra atual de previsão não tem acompanhado a aceleração da demanda de energia paraguaia nos últimos anos.

Além do impacto nos preços, o maior consumo de energia pelo Paraguai também deve afetar o portfólio de contratos das distribuidoras brasileiras que são cotistas de Itaipu. Isto é, compram energia da usina para atender sua base de consumidores.

Caso a Ande continue a consumir mais energia de Itaipu do que foi abatido das cotas brasileiras, as distribuidoras brasileiras podem ficar subcontratadas —terem menos energia contratada que o necessário— em 2027, tendo que recorrer a compras de energia no mercado de curto prazo.

O diagnóstico é da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica), que enviou carta sobre o assunto à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) na semana passada.

A entidade pediu que a Aneel e o governo definam de forma "tempestiva" o montante de energia da Ande a ser abatido das cotas de Itaipu para 2027. Caso haja uma variação relevante ante 2026, a Abradee pediu que as distribuidoras possam retificar os volumes de suas necessidades de energia antes de um leilão de compra do insumo que será realizado em 13 de novembro.

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